<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202</id><updated>2012-02-12T18:28:41.920-08:00</updated><title type='text'>LAERTE MAGALHÃES</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>118</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1280951300081168255</id><published>2012-02-12T06:30:00.000-08:00</published><updated>2012-02-12T18:28:41.925-08:00</updated><title type='text'>CONFLITOS FILIAIS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jexHXX_ocMc/TzfM05KRjOI/AAAAAAAAAlU/VDOhuSUcU8I/s1600/Adilescente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://3.bp.blogspot.com/-jexHXX_ocMc/TzfM05KRjOI/AAAAAAAAAlU/VDOhuSUcU8I/s320/Adilescente.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;A filha adolescente, tímida, aguarda o seu momento demanifestar-se, quase que escondendo-se por trás da avó. Sentindo que uma pausamais longa se inicia, decide falar. E começa, com a voz em tom quase inaudível,trêmula. Diz que está ali porque sua avó a trouxe, mas que não se sente bempagando aquele mico. Escutou com atenção tudo o que até então foi dito e que sesente constrangida de participar daquela situação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; À média emque vai falando, vai soltando-se e a voz ganha firmeza. Sabe que entre os quefalaram há muita coisa a ser percebida: desde o cuidado exagerado que a avódemonstrou até inveja, falsidades e outros sentimentos igualmente ruins. Nãomenciona mais ninguém, mas olha para as pessoas à sua volta com certo desdém.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dirige-se àsua mãe, dizendo que ela não precisava estar passando por aquela situação, quea preveniu e que ela, a mãe, sabe o quanto tudo aquilo a deixa mal. Não entendecomo tantas vezes ouviu de sua mãe que, como filha, seria a sua prioridade, ena hora de tomar a decisão de casar-se não levou em conta o seu sofrimento. Dizque não concorda com aquele casamento, que não sabe quem é aquele homem comquem sua mãe casara, que, em sua opinião, nada justifica o casamento.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vai falandoe tomando gosto pelo falar, a voz assume um tom firme e até empostado, como sediscursasse numa tribuna. Critica o pai por também estar ali, diz que ele nãodeveria, esteve sempre ausente quando era necessário e que agora que édesnecessário está ali. Critica a avó que fez que questão de trazê-la até ali ea colocou naquela situação ridícula. &amp;nbsp;Diz que aquela cena é inadmissível eos que ali se encontram não pensam na sua mãe, mas em si próprios.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas também,não assume a defesa da mãe de um modo muito forte. Considera que ela tem culpapelo que está passando, que ela não avaliou corretamente a situação e que estásubmetendo a família a coisas que não tem nenhuma razão de ser. Diz que umapessoa precisa saber que os seus atos não apenas tem consequência para si, mastambém, para as outras pessoas que estão ao seu redor. Uma atitude erradaprovoca mal estar em todos que, sequer, tem poder para barrar, impedir e, namaior parte das vezes, sentem até mais do que quem a praticou.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Olha para atia e reclama do drama ridículo que encenou. Diz que aquilo não ajuda, mas, aocontrário, expõe ainda mais as debilidades da família. Olha para o tio e,movendo a cabeça negativamente, diz que jamais imaginou que ele fosse capaz deuma fragilidade tão grande. Não conseguiu impedir que as coisas chegassem atéali e, agora, havia se comportado como um fraco.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Olha ao seuredor e expressa um desprezo evidente por todos os que ali se encontram. Dizque tem certeza que os motivos que movem cada um são torpes e que, mesmo assim,todos tem a intenção de seguir adiante em seus propósitos. Por isto mesmo, diz,não pode ter qualquer outro sentimento pelas pessoas que ali estão a não ser ode reprovação.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Diz que, seantes já não tinha o casamento como um objetivo seu, dali em diante, tem acerteza de que jamais se casará. É o segundo casamento de sua mãe e percebe quese o primeiro não deu certo, este outro se encaminha para o mesmo destino. Omarido de sua mãe será sempre um estranho e, certamente, a realidade que ali sedesenhara deixará marcas muito profundas em todos, principalmente, nele. Alias,diz enfaticamente, não sabe como ele ainda está ali, ouvindo tantasbarbaridades e sem dizer nada e sem tomar qualquer atitude.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Parafinalizar, diz ser lamentável tudo aquilo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 0px;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; text-indent: 35.4pt;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 150%; text-indent: 35.4pt;"&gt;Volta a postar-se por trás de sua avó, comose retirasse de cena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1280951300081168255?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1280951300081168255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/02/conflitos-filiais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1280951300081168255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1280951300081168255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/02/conflitos-filiais.html' title='CONFLITOS FILIAIS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jexHXX_ocMc/TzfM05KRjOI/AAAAAAAAAlU/VDOhuSUcU8I/s72-c/Adilescente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2573578577708294164</id><published>2012-01-31T17:48:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T19:21:29.374-08:00</updated><title type='text'>IRMANDADES EM COLAPSO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-GOGpNbqDLAk/TyiY-ihYRMI/AAAAAAAAAlM/Y00IPEHF-j4/s1600/Irmandades.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="149" src="http://3.bp.blogspot.com/-GOGpNbqDLAk/TyiY-ihYRMI/AAAAAAAAAlM/Y00IPEHF-j4/s320/Irmandades.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Diz o irmão, na condição deresponsável pela família na falta do pai, que de início aguardava que todosfalassem para, então, manifestar-se. No entanto, dado que muita coisa estranhafora dita, achou por bem falar. Seu desejo é preservar a imagem da família e,especialmente a de sua irmã que parece desorientada com tanta gente perturbandoaquele momento especial, a sua lua de mel. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De fato, a noiva emudece, olhaperplexa para aquela multidão em cima de sua cama e não entende o que estáacontecendo. Ela só deseja o momento em que o casal deve pronunciar a fraseconsagrada pela tradição: “em fim, sós”. O que a deixa ainda mais desnorteada éque, ao que parece, todos que ali estão desejam falar. E falar coisas sobre asquais ela não tem a menor vontade que venham a baila naquele ou em outrosmomentos. O sonho da lua de mel torna-se um pesadelo sem fim. Cada um que sepronuncia parece um boquirroto, um saco furado, revelando segredos e passagensíntimas que deveriam estar no esquecidas no passado de cada um.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O irmão, único homem da família,parece acabrunhado com tantas coisas que ouvira até então, mas também nãodeseja silenciar para não parecer que concorda com todos os absurdos ditos naocasião. Pensa consigo que “quem cala consente”. Não aceita isto, de modoalgum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tema sua irmã em boa conta, foi criadasob rígida orientação da mãe, como todos os outros. Não permite que sua honraseja enlameada do modo como estão querendo. Fala de momentos da infância ondesua irmã sempre comportou-se com timidez e com reservas. É uma pessoa discreta,bem formada, de boa índole. Grande parte do que foi dito não tem razão de ser.Quando alguém questiona o que ele poderia ter vindo fazer ali, ele dá de ombrose responde que é o irmão que assumiu o lugar ausente do pai, que temresponsabilidade sobre sua irmã, ninguém melhor do que ele para estar ali.Todos os outros deveriam perceber o ridículo de estarem ali e irem-se sem falarmais nada, não há necessidade, já falaram bastante. Apela a que todos seretirem, que deixem a sua irmã em paz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A irmã, que se mantivera apenas observandotudo, interrompe o irmão para declarar amor a sua maninha, reforçando o apelo para que todos deixem o local e parem de importunar a noiva que só desejaconsolidar o seu casamento. Ela fala de sonhos havidos em noites anteriores, deuma cartomante, de um mago, de um padre, um feiticeiro, um pajé ... todoshaviam previsto o que estava acontecendo ali. Ela que não prestou muito aatenção e nem levou em conta as previsões. Mas ela pode muito bem saber o que resultaráde tudo isto, não pode acabar bem, a continuar do modo como está.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os dois se encaminham para a noiva, a abraçamlongamente. Ouve-se um soluço, vários soluços. Um cochichar nervoso como se orassem ao mesmo tempo orações diferentes. Ajoelham-se ao seu redor e mais umavez se abraçam e choram, desta vez alto, para que todos ouçam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Vez ou outra, um ou outro olha paratrás na esperança de que todos tenham-se ido. No entanto, ninguém arreda pé,permanecem aonde estão, atentos a tudo. Pelo visto cada um aguarda a sua vez defalar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2573578577708294164?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2573578577708294164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/irmandades-em-colapso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2573578577708294164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2573578577708294164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/irmandades-em-colapso.html' title='IRMANDADES EM COLAPSO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-GOGpNbqDLAk/TyiY-ihYRMI/AAAAAAAAAlM/Y00IPEHF-j4/s72-c/Irmandades.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1755968641366132887</id><published>2012-01-22T18:56:00.000-08:00</published><updated>2012-01-28T19:59:29.725-08:00</updated><title type='text'>CORPO MÉDICO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Dp5GGMTfIMs/TxzMFiXWDnI/AAAAAAAAAk8/g-7hX4GMeMo/s1600/A+m%25C3%25A9dica2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-Dp5GGMTfIMs/TxzMFiXWDnI/AAAAAAAAAk8/g-7hX4GMeMo/s320/A+m%25C3%25A9dica2.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;Dr. Naum&lt;/b&gt; – Naverdade, não sei o que posso eu estar fazendo em cima de uma cama de um casal emlua de mel. Devo ter-me perdido a caminho de minha casa ou da casa de umpaciente e agora me encontro aqui. Não tenho outra explicação. Bom, mas já que eu estou aqui, queropreveni-la ou preveni-los que este é um momento decisivo para a vida saudávelde um casal. O equilíbrio, as ações ponderadas marcam positivamente para a vidaharmônica no futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei aocerto se isto deveria ter sido dito por sua mãe, quando falou há pouco, mas entendoque se ela não disse me cabe dizer porque eu, como seu médico, tenho o dever dezelar por sua saúde. Em primeiro lugar, aproveito para recomendar que você tomea sua medicação nos horários indicados, quando retornar faremos uma avaliaçãopara verificarmos se estes remédios de agora, na dosagem prescrita, estãoresolvendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Tenho receiode que não tenhamos mais nenhuma opção para experimentarmos. Nenhuma das opçõesutilizadas anteriormente fez o efeito que esperávamos. Mas, tem um laboratórioindiano que está experimentando uma droga nova e ficou de me enviar na próximasemana. Não sei, vamos ver se me enviam mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aproveitopara pedir que alguém aqui que esteja retornando, me auxilie no meu retorno,posso dar uma carona contanto que me ajude a sair daqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;Dr. Simplício&lt;/b&gt; – Bom, com tanta gente assim ao redor, não meparece adequado que eu trate de questões psiquiátricas com você. Dr. Naum passouao largo, falou de medicação, mas não esclareceu qual seria. Temo que vocêesteja juntando as prescrições dele e mais as minhas, isto seria temerário.Os ansiolíticos tem propriedades bastantes complicadoras se associados a outrasdrogas com as quais reagem de modo diverso. Você já tem aquela experiênciadesastrosa de ingerir bebida alcoólica após tomar rivotril, esteve em coma.Este, na verdade, é o meu maior medo, por isto estou aqui. Tenha cuidadoconsigo, não arrisque sua vida por bobagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pensando bem,acho que vou esperar que você retorne para que possamos conversar com certaprivacidade. Este povo todo olhando para nós, aguardando o momento de falar, naansiedade em que está cada uma destas pessoas, não dá para avaliar o que podeacontecer, além da exposição pública de conversas que só devemos entabular noconsultório.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vouaproveitar a carona do Dr. Naum, ajudá-lo a chegar a casa dele e até,aproveitar o percurso para conversar um pouco com ele acerca da sua situação. Porfavor, nos permitam sair. Por favor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;Dra. Petra &lt;/b&gt;– Meu anjinho, difícil encontrar você assim,casada, sem lembrar de tudo o quanto já tivemos que enfrentar juntas. Veja, nãoquero atrapalhar sua lua de mel. Não, não quero. Eu vim porque você poderiaprecisar de mim, das minhas agulhas, dos meus cuidados médicos. Mas estou vendoque você está bem disposta, acho melhor ir com os meus colegas. De qualquermodo, estarei a sua espera quando você retornar. Temos aqueles exames aindapendentes, temos que cuidar deles, são muito importantes. Não esqueça quesangramentos são sinais de alerta. Mas vou esperar seu retorno, não fique preocupada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Porém, enquantovocê estiver por aqui, vou cuidando de juntar os exames que você já fez e voutentar reunir uma equipe médica para que possa oferecer a você um parecer maisexato quando retornar. Estou indo, então,.. felicidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1755968641366132887?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1755968641366132887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/corpo-medico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1755968641366132887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1755968641366132887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/corpo-medico.html' title='CORPO MÉDICO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Dp5GGMTfIMs/TxzMFiXWDnI/AAAAAAAAAk8/g-7hX4GMeMo/s72-c/A+m%25C3%25A9dica2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4935456950025500399</id><published>2012-01-08T15:25:00.000-08:00</published><updated>2012-01-20T17:00:11.037-08:00</updated><title type='text'>O EX-MARIDO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZlsxxODFfQw/TwookqbJ89I/AAAAAAAAAk0/FwA6O_6QmAk/s1600/Andorinhas+%25283%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="161" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZlsxxODFfQw/TwookqbJ89I/AAAAAAAAAk0/FwA6O_6QmAk/s320/Andorinhas+%25283%2529.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do Autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Desculpe-me se a minha presença podecausar embaraços a sua felicidade. Não quero de modo algum constrangê-la nummomento tão importante de sua vida. Longe de mim tal desejo. É até muito fácilexplicar os motivos que me conduziram até aqui, neste momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Embora eu não tenha sido um pai muitopresente na vida de nossa filha, não posso agora deixar de me preocupar comela. E, também, com você. Com ela, porque desejo recuperar o meu lugar de paijunto a minha filha. Certo, eu entendo quando você reclama que dou mais atençãoaos filhos do meu atual casamento, mas quero agora corrigir isto. Gostariamuito que a minha filha entendesse os meus motivos e baixasse a guarda. Queromuito ter o seu amor, digo, o amor da minha filha. Quero também mostrar a ela oquanto a amo, de verdade. Ainda não sei como conseguirei conquistar a confiançadela, mas é por isto mesmo que eu estou aqui. Penso que você pode ajudar-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas tem outra coisa que quero dizer,aliás, outras coisas. Primeiro, bom, não sei como dizer isto. Tem a ver com nósdois: eu e você. Nos separamos num momento em que poderíamos ter tentadosuperar as nossas dificuldades, rompemos uma relação de amor, sem muitaresistência. Veja você que hoje já não bebo mais tanto, não sou mais aquelapessoa violenta que conviveu com você. Na verdade, eu nunca quis espancá-la,nunca. Nunca consegui entender porque acabava batendo na pessoa a quem maisamei na vida, mais am.. deixa quieto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Você mesma conta para as suas amigasque passamos a ter os nossos melhores momentos depois que nos separamos. Euposso dizer o mesmo. Nas vezes em que ficamos juntos depois de separados, foramos momentos mais felizes que experimentei na minha vida. E você sabe que nestesmomentos eu jamais a ameacei, jamais encostei um dedo em você com intenção demachucá-la. Penso que estas coisas todas querem dizer algo de muito positivo.Eu mudei muito, e mudei para melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Parece estranho que eu agora estejaaqui, sobre esta cama, na sua noite de lua de mel, dizendo isto. Mas, também,não me sentiria confortável se deixasse de vir, se deixasse de falar a você oque eu estou falando. Não imagino onde tudo isto vá parar, que conseqüênciaspossa trazer para mim, para nós, mas confesso que me sinto melhor dizendo o quetinha para dizer a você hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu entendo, sei que está pensando:que eu tenho outra família e que devo cuidar dela. Certo, tudo bem, você temrazão. Mas eu já tinha esta família quando saímos juntos tantas vezes. Aceito eentendo que você diga que agora é diferente, que agora está casada, que tambémtem o direito de constituir sua nova família. Não vejo problema, em nenhum dosseus namoros, nenhum dos casos, enfim, em nenhum de seus relacionamentosamorosos tivemos problema para nos entendermos, para sairmos e curtirmos osentimento que temos em comum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Você, mais do que ninguém, sabe quenos amamos, que a nossa separação é apenas um acidente de percurso. Uma destaspeças que a vida nos prega e a respeito da qual nada podemos fazer. Fomos precipitadosna separação, ao buscarmos novas companhias depois. Tudo foi ficando complexodemais e não soubemos resolver uma coisa tão simples e tão cristalinaconversando, o fato de que precisamos um do outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não adianta agora usar o meucasamento, o seu casamento para tentar nos livrar disto que nos tem unido todoeste tempo e que nos unirá para sempre: o nosso amor. Dito isto, quero concluirdizendo que a minha presença aqui, nesta noite, é apenas o indicativo de que euestarei presente em sua vida para sempre, não adianta tentar fugir. Você nãoconseguirá me esquecer, do mesmo modo que eu não conseguiria esquecer você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mesmo que esta minha insistênciapossa constituir uma dificuldade no desejo que eu tenho de reconquistar o afetoda minha filha, não posso simplesmente abrir mão de você. Tenho certeza que seeu contar com o seu empenho, poderemos ver outro meio de superar todos osempecilhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: #222222;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas hoje é a sua lua de mel e eu queroque você seja muito feliz.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #222222; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4935456950025500399?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4935456950025500399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/o-ex-marido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4935456950025500399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4935456950025500399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2012/01/o-ex-marido.html' title='O EX-MARIDO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ZlsxxODFfQw/TwookqbJ89I/AAAAAAAAAk0/FwA6O_6QmAk/s72-c/Andorinhas+%25283%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3641345839893557304</id><published>2011-12-26T12:13:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T20:09:26.062-08:00</updated><title type='text'>MÃE E SOGRA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uCUIe6HNv88/TvjUnprAq2I/AAAAAAAAAkY/rIc4RTlvdDY/s1600/Fratura3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="185" src="http://2.bp.blogspot.com/-uCUIe6HNv88/TvjUnprAq2I/AAAAAAAAAkY/rIc4RTlvdDY/s320/Fratura3.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Entreperturbada e divertida com aquela situação, a noiva procurou saber primeiro desua mãe o que estava acontecendo ali. A mãe pegou as mãos da filha e com armeio choroso, começou agradecendo a Deus porque, afinal, tudo estava bem. Afilha não entendeu nada e perguntou novamente por que estavam ali? Ninguémdizia nada, olhavam-na como se não acreditassem no que viam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aquelacena confusa foi-se complicando mais e mais. Logo, a mãe, ainda com a voz embargada,disse que veio até ali porque preocupara-se por conta do modo como haviam tomado a estrada,&amp;nbsp;saíram&amp;nbsp;daquelamaneira, ainda de madrugada, uma viagem longa. Com tantas notícias ruins quetem visto na TV: acidentes com vítimas, imprudência de motoristas,assaltos... enfim, se ficasse em casa não estaria tranqüila. Em seguida,abraçaram-se longamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Afilha, embora considerasse tudo aquilo um absurdo, parecia entender as preocupaçõesda mãe, tratava-a com delicadeza, acariciando seus cabelos e olhando-a comcarinho. Ficaram assim por bastante tempo, enquanto as outras pessoas assistiamparalisadas àquela cena pouco esclarecedora, mas muito significativa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Emcerto momento, o noivo interferiu para reclamar e para protestar contra osmotivos apresentados. Nada justificava aquela invasão na intimidade do casal. Asogra começa a chorar e a maldizer a hora em que havia concordado em deixar quea filha casasse com aquele homem sem coração. repete várias vezes que a filha sempretivera o desejo de casar porque muito cedo o pai largara a família, e tal desejo fizera com que não pudesse ter percebido a pessoa de coração duro que eraaquele homem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Afilha ficou sem saber se tomava as dores da mãe ou se preservava o seucasamento. Pedia ao marido que poupasse a sua mãe, alegava que se tratava deuma mulher sofrida que tivera de criar três filhos sozinha. Além de tudo, era umamulher de idade avançada, que sofria de pressão alta e poderia a qualquermomento sofrer um ataque cardíaco ou até mesmo um aneurisma cerebral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas,em seguida, pedia a mãe que compreendesse a situação, afinal, estava casada,havia de ter intimidade com o marido, que a mãe não devia invadir daquele modoa sua privacidade, era a sua lua de mel. Pedia que retornasse a sua casa, quenão se preocupasse, estava tudo bem e continuaria assim. Mas a mãe continuava achorar loucamente, rogando a Deus que a tirasse dali, que a fulminasse com umraio. Antes morrer ali, naquele momento, do que suportar a ingratidão de sua filha querida, que sofrercom as acusações daquele genro desalmado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Omais absurdo era que todas as outras pessoas continuavam ali, caladas, observandocomo se cada uma aguardasse a sua vez de também ostentar o drama interior que experimentava.Apenas observavam. Nenhuma expressão esboçavam, como se estátuas fossem. Em meio a estecenário, a mãe chorando cada vez mais alto. De repente, para de chorar. Aproxima-seda filha, toma as suas mãos e, olhando fixamente no seu rosto, diz com raiva: “vocêsabe que não pode mais engravidar, sofreu um aborto há pouco tempo, teve hemorragia, sangrou muito, quase morreu. Uma gravidez neste momento é quase queuma sentença de morte. Eu estou aqui para impedir que você faça alguma besteira,que faça estripulias com este seu marido insensato”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3641345839893557304?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3641345839893557304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/mae-e-sogra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3641345839893557304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3641345839893557304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/mae-e-sogra.html' title='MÃE E SOGRA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-uCUIe6HNv88/TvjUnprAq2I/AAAAAAAAAkY/rIc4RTlvdDY/s72-c/Fratura3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3850790557955165569</id><published>2011-12-21T18:21:00.000-08:00</published><updated>2011-12-21T18:24:47.227-08:00</updated><title type='text'>LUA DE MEL</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--TM1IYXnVBQ/TvKT8Pg5VlI/AAAAAAAAAkM/ziez5GH7Zsg/s1600/Lua+de+mel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="192" src="http://3.bp.blogspot.com/--TM1IYXnVBQ/TvKT8Pg5VlI/AAAAAAAAAkM/ziez5GH7Zsg/s320/Lua+de+mel.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Foto do Autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Umcasamento simples, sem muitos convidados, sem grande festa, apenas um jantarcom a família da noiva, já que a família do noivo é de outro estado e sequerfoi convidada para a cerimônia. A alegação é a de que tudo foi decidido muitode repente. O namoro foi breve, o noivado ainda mais: do primeiro encontro aoenlace decorreram apenas três semanas. Mas nada é problema, tudo é só felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Amúsica já se repete e a conversa rola já também a repetirem-se os assuntos,muito mais pelo estado etílico dos convidados do que mesmo por falta denovidades. No entanto, não se percebe que alguém tome a iniciativa de irembora. Todos, de algum modo, fazem questão de ostentar a alegria que uma festade casamento exige.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Curioso é que naquela festa, a família está reunida mas não há um grupo homogêneo. São pequenos grupos formados ao redor dasdiversas mesas. Uns falam de coisas do passado, recuperam acontecimentossaudosos ou bem humorados, outros discutem questões do cotidiano como o custode vida ou a preferência por este ou aquele supermercado para as compras dasemana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Outros,os mais jovens, falam de músicas, de namoro ou de acontecimentos escolares ou,ainda, das últimas férias que, afinal não estão distantes, visto que ainda ésetembro. À media que falam de coisas deste tipo, vão marcando encontros paranovos encontros em shows, shoppings, cinema etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enquantoa mesa dos adultos é servida com cervejas, whisky, cachaça etc., na mesa dosmais novos só refrigerante ou suco, nada de bebida alcoólica. Mesmo assim, nãofalta alegria e nem entusiasmo. A música é diversa e quando toca alguma coisa maisatual, arriscam-se até danças. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enquantoisto, a noite avança. O casal roda de mesa em mesa e quando percebe algum demorano serviço de servir as mesas, toma a iniciativa conjuntamente. Não desgruda umdo outro um só momento. Ninguém demonstra cansaço ou aborrecimento. Sabem quetem muito tempo para curtir a felicidade juntos e, um jantar que reúna toda afamília é tão raro e tão agradável que ninguém tem motivo para reclamar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Jáé madrugada quando as primeiras pessoas começam a despedirem-se para irembora. Mas, também, como estivesse combinado, todos se vão. Rapidinho já não hámais ninguém que precise ir embora. A família trata, então, de recolher pratos,talheres, toalhas de mesa, enfim, organizar as mesas e por cada coisa ao menosnum lugar que facilite as tarefas da arrumação da casa quando amanhecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Desligao som e logo todos estão prontos para a cama. Apenas o casal verifica as malasporque tem viagem marcada para a lua de mel numa cidade um pouco distante. A mãeda noiva demonstra preocupação por conta de estar já quase amanhecendo eadverte que dirigir com sono não é recomendável. O rapaz esclarece que procuroudormir durante o dia, que não há risco algum. Dirigir àquela hora, diz ele, éaté melhor porque a tendência é que o dia vá clareando mais até que nasça osol. Além disto, complementa, o clima está mais ameno e a estrada menos movimentada.Contra o gosto da sogra, o rapaz põe o carro para fora da garagem e dali apouco estará na estrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Empouco mais de 4 horas de viagem chegam ao hotel em que foram feitas asreservas. O rapaz retira a bagagem, o manobrista conduz o carro aoestacionamento enquanto um auxiliar de portaria conduz o casal até a porta doquarto. Um olha para o outro, sorriem, e o rapaz toma a iniciativa: põe a noiva nos braços, empurra a porta como joelho e entram, embriagados de desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aoligar a luz tomam um susto imenso: sobre a cama estão todos os parentes danoiva, o ex-marido, os últimos amantes, alguns médicos de especialidadesdiversas e uma cartomante vestida a caráter.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3850790557955165569?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3850790557955165569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/lua-de-mel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3850790557955165569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3850790557955165569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/lua-de-mel.html' title='LUA DE MEL'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/--TM1IYXnVBQ/TvKT8Pg5VlI/AAAAAAAAAkM/ziez5GH7Zsg/s72-c/Lua+de+mel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3972838935895957935</id><published>2011-12-12T13:40:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T05:09:58.338-08:00</updated><title type='text'>LAVADEIRAS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9CmgfcOX4ng/TuZxfE3kr1I/AAAAAAAAAkA/0Fn8jIzOEMQ/s1600/Lavadeiras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="215" src="http://4.bp.blogspot.com/-9CmgfcOX4ng/TuZxfE3kr1I/AAAAAAAAAkA/0Fn8jIzOEMQ/s320/Lavadeiras.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Lavar e passar, dia após dia.Horas a fio na beira do rio, batendo roupa, literalmente, até que os braços nãomais deem conta. Enquanto a roupa é batida, o sol açoita os corpos desnutridose resseca a pele tal qual faz com o leito seco dos lagos: queima que racha. Umdia os panos são reclamados por uma família, noutros, por outras. Mas a rotinarepete os gestos, repete as roupas e até mesmo os pensamentos que consomem otempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;À beira do rio, só as cantigasmal cantadas, os benditos murmurados desfiam o silêncio. Afora isto, o ruídodas águas ou a algazarra dos pirralhos que se banham um pouco mais além, naágua turva. A roupa batida contra a pedra solta um repique seco e ritmado eecoa nos arredores como um fazer de costume, sem surpresa alguma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A blusa que antes foi nova,recebeu recomendações para secar à sombra, agora, desbotada, parece ter perdidoo seu sentido na espuma do sabão e no enxágue das tantas vezes que mergulhounas águas do rio e de outras tantas que foi torcida até que pingasse a últimagota, antes de ir-se ao varal para a secagem. O sol se entranha no tecido esorve tudo o que é líquido. E o vento transpassa as malhas esmaecendo as corese a resistência dos fios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A roupa limpa e passada desfilará pelos dias, pelas ruas, pelas paragens inimagináveis ou, até mesmo, inconfessáveis. Vai adquirindo cheiros ou fedores dos perfumes e dos suores. Vai adquirindo estampas de coisas escorridas em ocasiões diversas: alimentos, bebidas, batons e outras intimidades. Depois retornará ao rio para o lavado e novas recomposições. No e vir se faz o seu desgaste e, ao mesmo tempo, desgasta o tempo e a vida no esforço repetido e nas horas somadas em que ficará estendida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por vezes surge um cerzido reunindono pano puído as margens do que rompeu no uso e na batida contra a pedra. Poroutras vezes, por descuido, um puxãozinho, o tecido preso à farpa do arame seesgarça. Quando não, o ferro mais aquecido, ou esquecido sobre a roupa, queima enrugandoou ou rompendo em pequenos furos. De qualquer modo, embora tudo isto faça partedeste rito, também faz parte ouvir queixas, lamentos e ameaças, cobranças: “eraa minha melhor roupa”. Parece coisa feita, é sempre esta que se rasga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na hora da paga, os caraminguás,como bem se diz, mínguam. O bem calcular, cada batida na pedra vale pouco mais que a fração mínima. Mas também isto já está ajustado, não há novidadealguma. Como que por determinação da sequência, ou melhor, da consequência,aquelas poucas cédulas e as moedas adjunto vão se transformar em alimento,sustento para que no dia seguinte se possa lavar a roupa que está ajustada demuito antes com a família daquele dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O sono da noite vira sonho quegira em torno das águas do rio: uma roupa vestida sem consentimento e oflagrante da dona que reage aborrecida. Tudo o que foi desejo não realizado nodecorrer do dia inventa de acontecer como experiência enquanto o corpoadormece, no instante da noite dormida. As festas, as brincadeiras, as coresestampadas nas melhores roupas. Até mesmo a companhia desejada. É no tempo dossonhos que se materializam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Asmães passam o ofício de lavar e passar para as filhas numa históriainterminável, como um destino sem apelação. Uma ou outra menina foge destedeterminismo, quando migra para outras paragens ou quando lhe falta mesmo a vontadee se dedica a fazer outras coisas. Por vezes, coisas tão repetitivas quanto,mas dá-se a buscar outros destinos para si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aslavadeiras nem se dão conta de que os destinos das peças de roupa repetem decerta maneira os seus próprios destinos. Se por um lado, as roupas vão e voltamàs suas mãos enquanto perdem a cor e se diluem no tempo, a vida de cada uma dasmulheres que batem a roupa contra a pedra também vai-se desgastando no trabalhorepetido, no esforço dos dias, dos anos, até que tenha que repassar às geraçõesmais novas a tarefa de lavar e passar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Asroupas em seus ritos de ir e vir, de bater contra a pedra e de consumir a forçae a vida enquanto se consomem, desenham o destino das lavadeiras e das famíliasa que servem, no mesmo diapasão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3972838935895957935?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3972838935895957935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/lavadeiras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3972838935895957935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3972838935895957935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/lavadeiras.html' title='LAVADEIRAS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9CmgfcOX4ng/TuZxfE3kr1I/AAAAAAAAAkA/0Fn8jIzOEMQ/s72-c/Lavadeiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-8833062015910937488</id><published>2011-12-03T20:53:00.001-08:00</published><updated>2011-12-10T18:04:14.860-08:00</updated><title type='text'>O PRIMEIRO PORRE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-acwk0SYejwI/Ttr95eD34yI/AAAAAAAAAjw/ypxwKQoaEQE/s1600/desfocados.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-acwk0SYejwI/Ttr95eD34yI/AAAAAAAAAjw/ypxwKQoaEQE/s320/desfocados.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Regina,apesar de ter resistido muito a ir ao aniversário de uma amiga do trabalho,diverte-se como nunca. Já não se sente uma estranha na casa da amiga. Conhecequase todo mundo que está ali e participa das conversas com muita desenvoltura.Tem tanta confiança que até arrisca-se a tomar uns goles de vinho, uma novidadepara si e para as amigas. A música em nível razoável, deixa fluir a conversaagradável e tudo toma um sabor nunca antes experimentado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Percebe,no entanto, que a casa vai tomando uma maior dimensão e que o número de pessoasestá diminuindo. É chegado o momento de voltar para casa. Anuncia para a amigaaniversariante está na sua hora de ir embora. A amiga pede que ela aguarde umpouco e retorna com um rapaz que diz ser um primo que irá deixá-la em casa.Regina pensa, primeiramente, em não aceitar, não quer dar trabalho, masconsiderando o adiantado da hora e por estar se sentindo meio tonta por causado vinho, aceita e agradece a amiga, desculpando-se, em seguida, pelo incômodo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Igor,o nome do rapaz é Igor. No carro, Regina adota a estratégia de puxar conversa,primeiro para não cochilar e depois para que Igor não perceba que ela está sobo efeito de bebida. Fala coisas variadas e os dois riem como se se conhecessemde algum tempo. O carro percorre as ruas em direção a Copacabana, onde Reginareside. O rapaz conhece bem a cidade e não demora muito, chegam ao destino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Defronteao prédio, Regina desce e, sem raciocinar, pergunta se Igor não quer subir aoseu apartamento. O rapaz agradece, pergunta se pode vir noutro dia mais cedo parauma visita ou, quem sabe, possam sair, talvez, ir a um cinema. Regina sorri como que concordando, agradece novamente e adentra ao prédio. Ao passar pela portaria, o porteiro dizalguma coisa que ela não entende direito, mas também não preocupa-se em saber oque seria. Cumprimenta-o com um bom dia, afinal, já passa das 2 horas da madrugada, e toma o elevador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Demoraum tempão procurando a chave do apartamento dentro da bolsa, quando imagina terque pedir ao porteiro para chamar um chaveiro, encontra as chaves tateando emmeio as coisas todas que a impediam de encontrar o que buscava. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Perdemais um tempinho para encaixar a chave na fechadura. Abre, em fim, a porta ecaminha cambaleante até a sala. Joga-se inteira no sofá e sente o mundo girar asua volta. De imediato, tenta se levantar imaginando que possa a vir a vomitare ali não seria um bom lugar. Vai ao banheiro, encara o espelho perguntando-sepor que estaria tão tonta se, afinal, bebera tão pouco? O espelho pareceargumentar que na verdade é por conta da falta de costume. Acaba se convencendoque está mesmo ruim, como poderia conversar com o espelho se a imagem ali refletidaé a sua?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sempensar mais nada, toma um banho rápido, vai para o seu quarto, veste uma roupaleve e deita-se com cuidado, por conta ainda da tontura. Ao rolar o corpodevagarzinho pro meio da cama topa com alguém, toma um susto e quando esboça umgrito, a pessoa a abraça carinhosa e irresistivelmente a beija com volúpia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Osol invade o apartamento. Regina incomoda-se com a luminosidade e, embora sob oefeito de sono pesado, lembra do momento exato em que topou com alguém em suacama. Joga a coberta e ergue-se de supetão. A cabeça pesada dói um pouquinho,mas ainda está tonta e quase cai ao se por de pé. Estupefata, vê que estácompletamente nua, mas quem está deitado em sua cama é o boneco Hermano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-8833062015910937488?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/8833062015910937488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/o-primeiro-porre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8833062015910937488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8833062015910937488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/12/o-primeiro-porre.html' title='O PRIMEIRO PORRE'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-acwk0SYejwI/Ttr95eD34yI/AAAAAAAAAjw/ypxwKQoaEQE/s72-c/desfocados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-9113470783595567971</id><published>2011-11-28T17:36:00.001-08:00</published><updated>2011-12-16T05:10:22.488-08:00</updated><title type='text'>MATAR O TEMPO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EKP7PeuwKfg/TtQ48la2j1I/AAAAAAAAAi4/u5xj46xVkuk/s1600/A+noite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="205" src="http://3.bp.blogspot.com/-EKP7PeuwKfg/TtQ48la2j1I/AAAAAAAAAi4/u5xj46xVkuk/s320/A+noite.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Esta noite passada, vivi belos momentos de alegria nacompanhia de colegas de faculdade. Uma festa e tanto. Cheguei à minha casa àsaltas horas e,&amp;nbsp; de tão cansado, cai nacama e dormi quase antes mesmo de deitar-me completamente. Agora, a cabeça me dóie a boca mistura uma porção de gostos onde o amaro se destaca com certa agonia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ultimamente, venho experimentando repetidamente e commaior frequência estas sensações. Enquanto os sentimentos incômodos sesobressaem às outros, prometo não repetir mais os momentos que tem culminadocom tais sensações. Uma espécie de arrependimento de não sei o quê. Um suorfrio percorre a alma e o desânimo parece esvanecer o corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E como não tenho conseguido cumprir as minhas promessas,resta-me um medo apavorante de não ter mais domínio sobre as minhas vontades, denão saber mais como controlar os meus desejos. Não compreendo por que no diaseguinte, lá estarei novamente junto ao mesmo grupo de pessoas, frequentando osmesmos lugares e tomando todas. Ocorre que até mesmo este medojustifica que eu não queira ficar sozinho com meus pensamentos, que precisebeber mais um gole de cerveja e ficar acordado madrugada adentro.&amp;nbsp; Cair na cama e dormir de imediato parecejustificar todas as coisas que tenho feito, embora a ressaca do dia seguinte façaparecer tudo inconseqüente e sem justificativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eis-meaqui a curtir o mal estar da noite anterior. Um comprimido destes contra a sensação de embiaguez para omundo para mim e o alimento quente acaba por aliviar-me do enjôo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Notrabalho, o PC conectado, vou navegando pelas redes sociais e curtindo oscomentários e fotografias deixados como registro da esbórnia. As imagens e aspostagens são pouco recomendáveis apesar de quase que completamente desfocadas.Em meio a tudo, logo surgem os convites para marcar os encontros para a agendade hoje à noite. Recuso todos e, quando dou por mim, percebo que não produzinada do que tinha que produzir no trabalho e a manhã está no seu limite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Todos os colegas estão saindo pro almoço e eu fico um pouquinho mais para dar uma ou outraresposta a quem me solicitou alguma opinião e quando saiu, resta-me pouco tempopara almoçar. Faço um lanche rápido na padaria da esquina e retorno ainda como sanduiche na mão,&amp;nbsp; para não chegaratrasado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enquantotarde avança volto aos contatos da manhã e os convites recusados vão sendoreconsiderados um a um, vou revendo-os e firmando compromisso para logo mais. Aosque já não estão conectados eu envio um sms e, caso seja mesmo alguma daquelaspessoas indispensáveis, ligo do celular. Tudo confirmado, ninguém é besta para recusar um bom papo e ótimas companhias. Deste modo foi ontem, antes de ontem e assim pordiante...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aspilhas de papel se acumulam sobre a minha mesa e vou adiando ler os processos,os deixo sempre para o dia seguinte. Mas, amanhã eu quero chegar mais cedo erapidinho ver os que forem mais urgentes, não há mesmo nenhum caso complicado.Tudo coisa de rotina, concluo. Saiu dali para a noite que me aguarda, osmelhores amigos do mundo, uma noite inteira disponível e a cidade querendo serdescoberta. Vamos a um bar que está sendo inaugurado na periferia. Pelo que eusoube, bebida e comida mais em conta por causa da inauguração. Vou conferir,mas prometo que hoje volto cedo para casa. Não quero repetir a noite de ontem,aliás, as noites dos dias anteriores. O melhor de tudo é esta noite meengolindo sem paradeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-9113470783595567971?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/9113470783595567971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/matar-o-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/9113470783595567971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/9113470783595567971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/matar-o-tempo.html' title='MATAR O TEMPO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EKP7PeuwKfg/TtQ48la2j1I/AAAAAAAAAi4/u5xj46xVkuk/s72-c/A+noite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1453400317320812017</id><published>2011-11-20T18:02:00.001-08:00</published><updated>2011-12-16T05:10:47.060-08:00</updated><title type='text'>MERA COINCIDÊNCIA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8_QQU8jdTS0/Tsm0X-VtCnI/AAAAAAAAAio/jP2CBwDmBHU/s1600/Antes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="188" src="http://2.bp.blogspot.com/-8_QQU8jdTS0/Tsm0X-VtCnI/AAAAAAAAAio/jP2CBwDmBHU/s320/Antes.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sexta-feira, tenho que levar umamigo a rodoviária, ele vai a Fortaleza. Trabalhamos na mesma empresa. Ele éprogramador visual e eu sou redator, fazemos uma dupla de trabalho. Na verdade,vou dirigindo o carro que a empresa nos cede para estas ocasiões. Chegando arodoviária, ainda há algum tempo até que o ônibus chegue, vamos à lanchonetecom o intuito de beliscar alguma coisa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na lanchonete, nos chama aatenção a TV ligada, transmitindo o programa de um partido. Ficamos ali,conversamos, lanchamos e assistimos ao programa político com algum interesse. Observoque ladeando o balcão, duas jovens conversam, atentas ao programa. Também elasvieram acompanhar uma amiga que viaja para o interior do estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Saimos dali praticamente juntos. Perguntoa uma das moças para onde estariam indo. Antes que responda, informo que vou aocentro da cidade, ofereço carona. Confirmam que vão indo no mesmo sentido eaceitam ir comigo. Até chegar ao local em que devem descer, pouca conversa,apenas sondagens de nomes e ocupações na cidade. Ficam na avenida principal. Ao descer, agradecem pela carona e esboçam um sorriso, como se sugerissem um até breve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Alguns dias depois, o amigo quehavia ido a Fortaleza me interroga sobre a possibilidade de sairmos paraconversar. Diz que conheceu uma pessoa de Teresina em Fortaleza e que estácombinado de saírem no final de semana próximo. Diz ele que esta pessoa tem umaamiga e que a tal amiga deseja me conhecer. Retira um papel do bolso eentrega-me. Neste papel estava anotado o número do telefone de contato. Naquelemomento eu estava mesmo interessado em conhecer pessoas novas na cidade, moravasozinho e sair com alguém pra conversar seria mesmo estimulante. Gostei da ideia e fiquei de ligar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Meu amigo conta que numa destascoincidências, a tal pessoa esbarrara nele quando entravam numa loja e, passadoo susto, ela teria perguntado se ele poderia ensinar como chegar a outra loja. Ele se oferecerapara ir com ela até lá, no percurso, enquanto conversavam e teriam descoberto que moram namesma cidade, que estariam ali em trânsito. Desde então, nasconversas que dali foram acontecendo falaram sobre o trabalho, as amizades, osgostos pessoais. Dentre tantas coisas, teriam armado o meu encontro com esta amiga da nova amiga dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Passei a ligar para o tal númeroe sempre estava ocupado. Passados alguns dias sem sucesso cheguei a pensar quenão conseguiria. Cheguei a falar com ele que me prometeu ver se havia algumproblema com o número. Não havia. Continuei a insistir até que num determinadomomento eu consegui. No início, fiquei um pouco sem saber o que dizer. Aospoucos, fui me sentindo mais seguro, falei do meu amigo, da amiga dela e de comohavia tomado conhecimento do número do telefone. Demonstrei interesse em conhecê-lae a convidei para sairmos. Acertamos para sair, para irmos a um bar culturalque é moda na cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8_QQU8jdTS0/Tsm0X-VtCnI/AAAAAAAAAio/jP2CBwDmBHU/s1600/Antes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quando a vejo, reconheço-a decara, é uma das jovens a quem dei carona da rodoviária até o centro da cidade.Tomo o destino do endereço do bar para onde combinamos ir. Como o bar está semmesa desocupada, ficamos num restaurante, logo em frente. Na conversa, vai a noite tomando o seu jeito sedutor de sorrir e de como mexe com os cabelos, cada vez de um modo diferente. Cativo, prendo a &amp;nbsp;minha atenção. Ficamos atentos um ao outro dias e noites seguidos dai por longo tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1453400317320812017?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1453400317320812017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/mera-coincidencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1453400317320812017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1453400317320812017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/mera-coincidencia.html' title='MERA COINCIDÊNCIA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8_QQU8jdTS0/Tsm0X-VtCnI/AAAAAAAAAio/jP2CBwDmBHU/s72-c/Antes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6849410573142809327</id><published>2011-11-13T06:26:00.001-08:00</published><updated>2011-12-16T05:11:13.003-08:00</updated><title type='text'>A PROVA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yW1To-a-NHw/Tr_UZecWz7I/AAAAAAAAAiY/JmNXNHHSZzc/s1600/Alunos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="236" src="http://2.bp.blogspot.com/-yW1To-a-NHw/Tr_UZecWz7I/AAAAAAAAAiY/JmNXNHHSZzc/s320/Alunos.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Satélites patrulham o espaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;E eu me movo como passo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;entre a província e o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Elias Paz e Silva&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Confesso que não estou muito a fim defazer a prova hoje. Vou à aula porque tenho que ir, não sei bem como estão asminhas faltas, não posso arriscar a ficar reprovado. Até que eu estudei obastante para fazer uma boa prova, mas não gosto de fazer provas, esta é que éa verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vou-me agora aproximando do CentroAcadêmico, vejo que todos os meus colegas de turma estão lá. De cara, noto quealgo está errado: primeiro porque esta turma não anda junta assim e nemtampouco freqüenta em bloco o CA. Depois, está todo mundo de cara amarrada,como se alguém houvesse feito alguma ofensa séria. Pergunto o que está pegando,me falam que não vão fazer a prova, vão falar para o professor. Ninguém ali quer fazer a prova. Eu também não estou a fim, mas não falo nada, só escuto. Perguntopor que não vão fazer a prova? Dizem que não tem nada a ver o livro que oprofessor indicou como texto: o autor fica falando de suas experiênciaspessoais, e não existe conteúdo para avaliação, ninguém entendeu nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Bom, este não é o meu motivo, até queeu achei o livro interessante. É verdade que os textos estão escritos naprimeira pessoa e alguns são auto-elogiosos, mas, no geral, o assunto éinteressante e o autor conhece bem, fala com propriedade. No entanto, continuosó ouvindo. Demonstro, com a cabeça, concordar com o que estão argumentando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando a turma inteira se levanta paradirigir-se a sala de aula, vou junto. Afinal, se houver uma reviravolta,estarei lá para cumprir com a minha obrigação. A turma elegeu uma garota parafalar com o professor, uma espécie líder da turma de última hora. Ao chegarmos àsala, alguns minutos de atraso, o professor já está lá. Sobre a mesa, o Diáriode Classe e alguns outros papéis que devem ser as folhas de questionário daprova. Sentamos todos em silêncio, a garota senta-se na primeira fila. Sento-meno fundo da sala, um lugar donde posso observar tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A garota pede ao professor para falar,ao que ele assente com a cabeça. Ela começa dizendo que ela e os seus colegas nãoestão preparados para fazer a prova. O professor a olha com espanto, e perguntao que fizeram desde que o livro foi indicado e o texto disponibilizado para aleitura? A garota diz exatamente o que me haviam dito no Centro acadêmico: oautor fala de coisas pessoais, não há conteúdo que possa servir como tema deavaliação...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O professor faz silêncio, olha a turmacom perplexidade, como se esperasse que alguém ali manifestasse alguma opiniãodiferente ou, quem sabe, pudesse dar uma explicação mais plausível. Silênciocompleto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O professor, então, toma a palavra esorri com ironia, começa dizendo que não irá impor uma prova para a turma seesta turma se confessa incapaz de entender o livro que tentou a muito custoler. Neste momento, a minha vontade foi a de protestar, de soltar os cachorrospra cima do professor. A verdade, é que não consigo. Estou me sentindohumilhado e co-responsável pela decisão da turma e, mais ainda, se não consigoesbravejar é porque também eu concordo, de alguma maneira, com o que diz oprofessor. Percebo que mais uns dois ou três colegas argumentam que não éassim, que o professor os está diminuindo, mas a conversa não prospera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ficou pior ainda quando o professorpega seu material para se retirar e resolve tomar mais uma decisão. Diz ele quenão haverá mais nenhuma prova, que as notas até ali atribuídas serão somadas coma nota do seminário que deverá ser apresentado em dias previamente marcados,donde será tirada a média para cada um. Outra coisa – completa o professor – ninguémmais precisa entregar o artigo que teríamos que produzir, que seria umaviolência exigir que escrevêssemos um artigo científico. Disse isto eretirou-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6849410573142809327?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6849410573142809327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/prova.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6849410573142809327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6849410573142809327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/11/prova.html' title='A PROVA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yW1To-a-NHw/Tr_UZecWz7I/AAAAAAAAAiY/JmNXNHHSZzc/s72-c/Alunos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6220892638982603974</id><published>2011-10-31T07:30:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T07:35:28.447-07:00</updated><title type='text'>VIAGEM DE FÉRIAS</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zW256tV2qL0/Tq6wxLGGXbI/AAAAAAAAAiE/pukVoOwid9g/s1600/f%25C3%25A9rias.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="http://3.bp.blogspot.com/-zW256tV2qL0/Tq6wxLGGXbI/AAAAAAAAAiE/pukVoOwid9g/s320/f%25C3%25A9rias.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Com o tempo, Regina, já habituada àcidade do Rio de Janeiro, vai espaçando suas idas à terra natal, no Nordeste.Continua sentindo saudades da família, dos lugares, dos costumes, da comida edos amigos, mas já não é tão incômoda. Até parecem agradáveis estaslembranças. Mas este ano achou por bem passar as férias com sua família. Tomatodas as providências com antecipação: passagens, roupas, malas etc. Umpresentinho para quem acha que deve levar, uma lembrancinha somente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Dia da viagem, levanta-se cedinho. Tudoarrumado, enquanto espera a portaria do prédio anunciar o táxi, caminha peloapartamento para ver se não está esquecendo nada e, ao mesmo tempo, arrumar oque possa estar fora de lugar. No último momento, lembra de pegar Hermano noguarda-roupa e sentá-lo no sofá, com advertência de que tome conta de tudo, nãoabra a porta para estranhos e que se cuide. Diz que deixou na geladeira apenasrefrigerante e outros produtos próprios, que, se ele precisar, vá aosupermercado. Deixou dinheiro suficiente, no lugar de sempre. Dá-lhe um beijocarinhoso e se vai. Regina emociona-se ao deixar Hermano sozinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No caminho, até o aeroporto, Reginadesliza entre paisagens de prédios apressados que se deslocam em sentidocontrário ao seu. Os pensamentos misturam a expectativa de rever sua terra esua gente, com as preocupações com tarefas do trabalho, novas amizades, oapartamento e a solidão &lt;st1:personname productid="em que ficara Hermano." w:st="on"&gt;em que ficara Hermano.&lt;/st1:personname&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Do embarque até o momento de decolar,Regina fez tudo tão automático que não precisou sair daquele transe de viagem.As distâncias se mesclam, as pessoas se confundem e os olhos não veem o queolham, apenas a ebulição interior. Dá-se conta de que está voando, quando acomissária toca em seu ombro e lhe pergunta se está passando bem. Com umsorriso leve e com a cabeça assente que sim. Fica, então, atenta ao serviço debordo e busca se situar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Depois da aterrissagem, Regina toma umônibus, na estação rodoviária, que lhe conduzirá à cidade em que mora suafamília. Duas horas de trajeto, logo estará chegando. Tempo de um cochilo.Desperta com a passageira ao lado pedindo para que a deixe passar, o ônibuschegara ao seu destino, avisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Regina vê pela janela que sua famíliainteirinha veio recebê-la. Sorriem, abraçam-se e, aos poucos, dirigem-se aoscarros que os levarão para casa. Nenhuma conversa completa, só frases cortadas,sem muito sentido: sobre saudades, a viagem, o cansaço, estas coisas de quemnão sabe mesmo o que falar e que são próprias de determinadas ocasiões na vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Em casa, sobrinhos novos, vizinhos novos,olhares de admiração e surpresa. Após tomar um banho rápido e vestir uma roupaleve, Regina chama a parentada para o quarto em que ficará alojada, abre umamala e vai chamando pelo nome o dono de cada presente. Risos, abraços e beijos,num clima de frisson. Antes de entregar cada presente, uma pequena história quejustifique a lembrança e, ao mesmo tempo, explique por que cada coisa tem a vercom cada um que a recebe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;E, à medida que entrega cada presente, oquarto vai ficando mais apertado: os que recebem não se retiram e novas pessoasvêm em busca dos seus. Num dado momento, é necessário que a mãe de Regina peçapara que os que já receberam o seu deem lugar aos outros. O quarto vai, aospoucos, se esvaziando, junto com a mala. Depois que todos saem do quarto,Regina se dá conta de que está só.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6220892638982603974?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6220892638982603974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/com-o-tempo-regina-ja-habituada-acidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6220892638982603974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6220892638982603974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/com-o-tempo-regina-ja-habituada-acidade.html' title='VIAGEM DE FÉRIAS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zW256tV2qL0/Tq6wxLGGXbI/AAAAAAAAAiE/pukVoOwid9g/s72-c/f%25C3%25A9rias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-7480658386041758172</id><published>2011-10-23T05:27:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T05:27:45.500-07:00</updated><title type='text'>HUMORES</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HsdOZQ6r7yA/TqQILhTI_LI/AAAAAAAAAh8/xH-LDjbjLu4/s1600/um_cao_andaluz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-HsdOZQ6r7yA/TqQILhTI_LI/AAAAAAAAAh8/xH-LDjbjLu4/s1600/um_cao_andaluz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Umrisco, um talhe na pele do olho. Um cisco em lâmina, argueiro que vaza o humorvermelho e inunda o globo. Um corte esguio de bisturi. Um ver que ostentainsatisfação com o mundo e suas coisas à vista. O sangue ferve na veia edestempera o ritmo do coração. É assim, dizem: é o que há para ser visto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ohumor verde amarelado amarga a língua, espasmos de vômito em profusão. A peleeriça em calafrios, o sabor amaro da paisagem incômoda incomoda profundamente.Assim, do modo como as fraturas são expostas e a indiferença naturaliza o maugosto, resta a esta anciã conhecer algo mais antigo; a novidade é a mesmice,sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Há,de verdade, um humor físico, uma fleuma, pituíta que escorre em avalanche numaespécie de defluxo e não anima ninguém, arranca a alma do corpo e o deixaextasiado, inanimado diante do ver por ver coisas sem sentido. As palavrasganham formas visíveis, sem novidade. As imagens transitam apáticas e semnenhuma atração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aospoucos e depois de séculos, resta-nos uma irascibilidade que se derrama sobre apele de cada coisa e daí para o nada entre todas. É como se um certo humorirascível predominasse nos interstícios de tudo e se impusesse como padrão devisão sob a luz do meio-dia. O humor da bílis negra, a sensação de fim de tudocheio de cólera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ohumor liquefeito das &lt;i&gt;entrecoisas&lt;/i&gt;, dasentrelinhas que percorrem os corpos e a eles mantêm com vida convida a umapercepção menos concreta da imagem, mas diluída nos veios, nas veias, nosleitos. O sangue circula nas artérias como um humor viscoso, prestes a se jogarpelos poros, a arrebentar o peito em emoções fortes ou a coagular na apatia eno marasmo do que a vista alcança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Abílis emulsifica, absorve as gorduras e atua no estado de humor dos que veemdiante de si as imagens carcomidas do cansaço da visão. Cada recorte põe emevidência humores diferentes, destes que regam a vida e envidam aceitamentos,aceites, convidam a desconfiar do visto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Humorcomo estado de espírito, como permanência e mutação da vista. A paisagemrepousa adiante e o melhor ângulo de observação desequilibra a suapossibilidade de contato ótico, de rejeição plena ao que a imaginação oferece.Água umidifica as lajes, o lajedo, e se entranha nos corpos como humor sobdiversas formas. A água rega e limpa ao mesmo tempo, vai se solidificando comos detritos que agrega no seu percurso. A água contamina-se do mesmo modo que avisão vai se incrustando da sujeira das coisas vulgares que se ofertam de novidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aalma, com seus humores, paira sobre o mundo entorpecida. O sangue circula nocorpo assim como os outros humores, a mistura é inevitável e letal. A diferençase impõe a cada um no lugar mesmo &lt;st1:personname productid="em que atua. S￳" w:st="on"&gt;em que atua. Só&lt;/st1:personname&gt; uma eventualidade há de romper seusdestinos. Só uma grande emoção ou um prazer desmedido, destes que parecemperder a probabilidade de ocorrência numa rapidez vertiginosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-7480658386041758172?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/7480658386041758172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/humores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7480658386041758172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7480658386041758172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/humores.html' title='HUMORES'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HsdOZQ6r7yA/TqQILhTI_LI/AAAAAAAAAh8/xH-LDjbjLu4/s72-c/um_cao_andaluz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-8092778015213686758</id><published>2011-10-16T07:36:00.000-07:00</published><updated>2011-11-18T15:29:15.008-08:00</updated><title type='text'>VER O RETORNO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WQLb5fXbsd0/Tprte3eMIkI/AAAAAAAAAh0/8Ec_kmDEKeo/s1600/Bem-Te-Vi+%25281%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="222" src="http://4.bp.blogspot.com/-WQLb5fXbsd0/Tprte3eMIkI/AAAAAAAAAh0/8Ec_kmDEKeo/s320/Bem-Te-Vi+%25281%2529.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Olhar o vale do alto damontanha ateia fogo na alma. A relva desenha um verdor que nos envolve porinteiro. A teia estremece ao roçar do vento no afago da luz matinal e arranha onada com filetes de prata trançados. De dentro vem o calor que esquenta o dia eanima as ideias. Fica-se um tempão sob a copa do Jatobá, à sombra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Caminhos desenhados e malacabados oferecem múltiplos sentidos, e, a cada escolha, risos e guizos.Engana-se quem pensa que caminhar por entre malícias, descendo ou subindo, é simples. Nadescida, lança-se o corpo sem grande esforço, mas a tensão é com os receios doque possa vir dos arbustos que encobrem as trilhas. Subir, além dos medos,tem-se que arrastar o peso do corpo por entre as árvores e suas raízes, aspedras e os deslizes dos desvios e desvãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas gratifica tanto aoportunidade de chegar ao cimo e olhar o vale sobre as copas das árvores maisabaixo quanto, depois, chegar em casa com as paisagens na memória. Tudo é chamaque incendeia, tudo é motivo para ver novamente. Histórias vão se criando com aexperiência de abrir caminho ou de caminhar por trilhas já abertas e mesmoassim cheias de surpresas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O que antes parecia apenasum delírio de infância se consolida de modo muito mais belo e agradável. A luztinge matizes no teto verde da floresta e recria cores e tons no solo de folhasférteis. Os brotos escancham nos galhos e renovam-se como experimentos de vida.Pássaros acompanham cantando e entoam cantos diversos na brincadeira deaparecer e esconder, em voos repentinos. É só mais um motivo para desviar aatenção do cansaço e esquecer o esforço da caminhada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O rosto entre as mãos, oscotovelos repousam nos joelhos dobrados. Aos poucos, a sensação de fome lembrao estômago. Há tempo espera o instante de ser chamado; enquanto aguarda,observa a estampa da toalha de mesa à sua frente com a atenção necessária paraesquecer o aborrecimento da espera. Depois, não é apenas o tempo arrastado deesperar que incomoda, mas também a possibilidade de precisar ter que operar. Devez em quando cai em si pela interferência da voz da atendente que chama poralguém desconhecido, ainda não é a vez. Logo depois muda o olhar e volta aacionar a imaginação por algum motivo ignorado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A banda de música postadano quiosque da praça executa um dobrado, não consegue identificar qual seria.Logo depois da praça, enfileirados, dezenas de alunos ensaiam para a Parada de7 de Setembro, o dia da Independência do Brasil. O sol escaldante lança-sesobre a criançada enquanto eles seguem pisando no ritmo da bateria &lt;st1:personname productid="em marcha militar. A" w:st="on"&gt;em marcha militar. A&lt;/st1:personname&gt;sombra da torre da igreja matriz se projeta sobre as filas de alunos fardados esó por alguns segundos aliviam-se do calor solar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As crianças entoam hinospatrióticos e esgoelam-se no afã de cumprir as determinações das professorasque caminham ao lado, e, vez ou outra, intervêm para ajustar o passo marcado dealgum pirralho que desatina. Contornam a praça diversas vezes. Repetem osexercícios de parar e seguir, à exaustão. Renovam os hinos e a marcha váriasvezes, sob o sol pegando fogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Um vento mais forte entrapela janela e move a cortina com força, desfazendo o eixo do olhar preso àimagem da estampa. A atendente chega mais perto e avisa que chegou o momento deentrar para a consulta. Ainda dolente, observa a cara da atendente e não areconhece como parte de sua experiência recente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-8092778015213686758?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/8092778015213686758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/ver-o-retorno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8092778015213686758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8092778015213686758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/ver-o-retorno.html' title='VER O RETORNO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WQLb5fXbsd0/Tprte3eMIkI/AAAAAAAAAh0/8Ec_kmDEKeo/s72-c/Bem-Te-Vi+%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1343905985475398426</id><published>2011-10-01T18:11:00.000-07:00</published><updated>2011-10-04T05:43:58.938-07:00</updated><title type='text'>URBANOPATIAS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jeNSH3XsMqI/Tor_SxJuU7I/AAAAAAAAAhw/Z-7zp_KRZ5k/s1600/Ponte+Estaiada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="226" src="http://1.bp.blogspot.com/-jeNSH3XsMqI/Tor_SxJuU7I/AAAAAAAAAhw/Z-7zp_KRZ5k/s320/Ponte+Estaiada.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;A &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;cidade&lt;/st2:verbetes&gt;é, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;por&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;excelência&lt;/st2:verbetes&gt;,o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;lugar&lt;/st2:verbetes&gt; do &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;excesso&lt;/st2:verbetes&gt;.&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Tudo&lt;/st2:verbetes&gt; é ofertado &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st1:dm w:st="on"&gt;demasia&lt;/st1:dm&gt;, &lt;st1:dm w:st="on"&gt;inclusive&lt;/st1:dm&gt; a &lt;st1:dm w:st="on"&gt;escassez&lt;/st1:dm&gt;. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Recorrentemente&lt;/st2:verbetes&gt;se ouve &lt;st1:hdm w:st="on"&gt;falar&lt;/st1:hdm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;comportamentos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;compulsivos&lt;/st2:verbetes&gt;:&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;consumo&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;bens&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;materiais&lt;/st2:verbetes&gt; (&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;roupas&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;perfumes&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;chocolate&lt;/st2:verbetes&gt;etc.), de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;bens&lt;/st2:verbetes&gt; simbólicos (&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;novelas&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;notícias&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Internet&lt;/st2:verbetes&gt; etc.) e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;até&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mesmo&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sexo&lt;/st2:verbetes&gt;.As &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;síndromes&lt;/st2:verbetes&gt; e os &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;transtornos&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;obsessivos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;compulsivos&lt;/st2:verbetes&gt;fazem &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;parte&lt;/st2:verbetes&gt; das &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;patologias&lt;/st2:verbetes&gt;modernas, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mas&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;principalmente&lt;/st2:verbetes&gt;,urbanas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Uma das &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;lógicas&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;alimenta&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sistema&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;capitalista&lt;/st2:verbetes&gt; é &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;exatamente&lt;/st2:verbetes&gt;a &lt;st1:dm w:st="on"&gt;produção&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;larga&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;escala&lt;/st2:verbetes&gt;:&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;vários&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;produtos&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st1:dm w:st="on"&gt;inclusive&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;remédios&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;com&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;finalidade&lt;/st2:verbetes&gt;e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;conteúdo&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;semelhantes&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;são&lt;/st2:verbetes&gt; ofertados &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;massa&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sob&lt;/st2:verbetes&gt;o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pretexto&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st1:hd w:st="on"&gt;estimular&lt;/st1:hd&gt;a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;livre&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;escolha&lt;/st2:verbetes&gt;.&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Mas&lt;/st2:verbetes&gt;, ao &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mesmo&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tempo&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;são&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;criados&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;filtros&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;severos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt;definem &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;quem&lt;/st2:verbetes&gt; pode &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;ou&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;não&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st1:hm w:st="on"&gt;acessar&lt;/st1:hm&gt;os &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;produtos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;oferta&lt;/st2:verbetes&gt;. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Sem&lt;/st2:verbetes&gt;dúvida, o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;forte&lt;/st2:verbetes&gt;destes &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;filtros&lt;/st2:verbetes&gt; é o &lt;st1:hm w:st="on"&gt;poder&lt;/st1:hm&gt;de compra; se de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;lado&lt;/st2:verbetes&gt;há &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;produtos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;excesso&lt;/st2:verbetes&gt; à &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mostra&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;consumo&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;por&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;outro&lt;/st2:verbetes&gt;há &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;emprego&lt;/st2:verbetes&gt; e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;salário&lt;/st2:verbetes&gt;de menos, o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;cria&lt;/st2:verbetes&gt;uma &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;bruta&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;contradição&lt;/st2:verbetes&gt;.Daí decorrem &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;filtros&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;como&lt;/st2:verbetes&gt; a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;falta&lt;/st2:verbetes&gt; de&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;educação&lt;/st2:verbetes&gt; e de &lt;st1:hm w:st="on"&gt;saber&lt;/st1:hm&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; afunilam &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;ainda&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;acesso&lt;/st2:verbetes&gt;aos &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;bens&lt;/st2:verbetes&gt; urbanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Diz-se &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;cada&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; é &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;livre&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; &lt;st1:hm w:st="on"&gt;dar&lt;/st1:hm&gt; &lt;st1:dm w:st="on"&gt;destino&lt;/st1:dm&gt;à &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sua&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;vida&lt;/st2:verbetes&gt;.&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Porém&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;cada&lt;/st2:verbetes&gt; um, as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;oportunidades&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;são&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;bastante&lt;/st2:verbetes&gt;diferenciadas. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Enquanto&lt;/st2:verbetes&gt; uns têm &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;acesso&lt;/st2:verbetes&gt; à boa &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;alimentação&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;educação&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;saúde&lt;/st2:verbetes&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;moradia&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st1:dm w:st="on"&gt;entretenimento&lt;/st1:dm&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;emprego&lt;/st2:verbetes&gt; e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;renda&lt;/st2:verbetes&gt;,aos &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;outros&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;são&lt;/st2:verbetes&gt;negadas estas &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;garantias&lt;/st2:verbetes&gt; básicas de uma &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;vida&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;digna&lt;/st2:verbetes&gt;.Nega-se, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;assim&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt;dos &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;fundamentos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;principais&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;acesso&lt;/st2:verbetes&gt;as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;oportunidades&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st1:dm w:st="on"&gt;mobilidade&lt;/st1:dm&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;social&lt;/st2:verbetes&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;É &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;claro&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; ao &lt;st1:hm w:st="on"&gt;acessar&lt;/st1:hm&gt;as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tecnologias&lt;/st2:verbetes&gt; e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;seus&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;produtos&lt;/st2:verbetes&gt;, as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;elites&lt;/st2:verbetes&gt;garantem a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;manutenção&lt;/st2:verbetes&gt; desta &lt;st1:dm w:st="on"&gt;realidade&lt;/st1:dm&gt; indefinidamente, e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;isso&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;não&lt;/st2:verbetes&gt; ocorre de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;modo&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pacífico&lt;/st2:verbetes&gt;. &lt;st1:dm w:st="on"&gt;Primeiro&lt;/st1:dm&gt;,&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;porque&lt;/st2:verbetes&gt; as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;indústrias&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; produzem &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;excesso&lt;/st2:verbetes&gt; precisam de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;consumidores&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;suas&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;produções&lt;/st2:verbetes&gt; ― quanto &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;maior&lt;/st2:verbetes&gt;o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;número&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pessoas&lt;/st2:verbetes&gt;consumindo &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;disputas&lt;/st2:verbetes&gt;são possíveis. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Segundo&lt;/st2:verbetes&gt;, a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;ostentação&lt;/st2:verbetes&gt; da &lt;st1:dm w:st="on"&gt;riqueza&lt;/st1:dm&gt; gerao &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;desejo&lt;/st2:verbetes&gt; e a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;revolta&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;entre&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;aqueles&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;não&lt;/st2:verbetes&gt;têm &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;acesso&lt;/st2:verbetes&gt; a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;nada&lt;/st2:verbetes&gt;,abrindo possibilidades de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;ações&lt;/st2:verbetes&gt;violentas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;excesso&lt;/st2:verbetes&gt;é &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tanto&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;maior&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;quanto&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt;houver modernização &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tecnológica&lt;/st2:verbetes&gt;. As &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tecnologias&lt;/st2:verbetes&gt; facilitam o &lt;st1:dm w:st="on"&gt;aumento&lt;/st1:dm&gt;da produtividade e substituem mão-de-obra, produzindo, contraditoriamente, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mais&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;oferta&lt;/st2:verbetes&gt; edesemprego. De &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;outro&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;lado&lt;/st2:verbetes&gt;, impõem a &lt;st1:dm w:st="on"&gt;velocidade&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;contra&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tempo&lt;/st2:verbetes&gt;e o espaço, esgarçando &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;fronteiras&lt;/st2:verbetes&gt; edesestabilizando &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;referências&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;anteriormente&lt;/st2:verbetes&gt;pareciam &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;estáveis&lt;/st2:verbetes&gt;: as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;comunidades&lt;/st2:verbetes&gt; disseminam-se no &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tecido&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;social&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sob&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;novas&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;configurações&lt;/st2:verbetes&gt;,reinstauram-se &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tribos&lt;/st2:verbetes&gt;, exacerbam-se &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;disputas&lt;/st2:verbetes&gt; e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;comportamentos&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;violentos&lt;/st2:verbetes&gt;. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Contra&lt;/st2:verbetes&gt;o &lt;st1:dm w:st="on"&gt;conforto&lt;/st1:dm&gt; e as &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;facilidades&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; atraem migrantes &lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt;os &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;centros&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;urbanos&lt;/st2:verbetes&gt;surgem a &lt;st1:dm w:st="on"&gt;insegurança&lt;/st1:dm&gt; e o medo, provocados &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pela&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;violência&lt;/st2:verbetes&gt;extremada. &lt;span style="letter-spacing: 0.1pt;"&gt;Vive-se &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tempo&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt;, parece, o gestor &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;urbano&lt;/st2:verbetes&gt; perdeu o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;controle&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sobre&lt;/st2:verbetes&gt; a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;ordem&lt;/st2:verbetes&gt;e a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;dimensão&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;suas&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;medidas&lt;/st2:verbetes&gt; e &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;escalas&lt;/st2:verbetes&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; letter-spacing: 0.1pt;"&gt;Nestecenário, ressurge o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;desejo&lt;/st2:verbetes&gt; do &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;indivíduo&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sobre&lt;/st2:verbetes&gt;o da &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;coletividade&lt;/st2:verbetes&gt;, é a &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;reafirmação&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;necessária&lt;/st2:verbetes&gt;da &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;identidade&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt;explode &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;fragmentos&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tantos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;quantos&lt;/st2:verbetes&gt;sejam &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;possíveis&lt;/st2:verbetes&gt;. &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;Cada&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; detém uma &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;nova&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;maneira&lt;/st2:verbetes&gt; de se &lt;st1:hm w:st="on"&gt;apresentar&lt;/st1:hm&gt;e se &lt;st1:hm w:st="on"&gt;identificar&lt;/st1:hm&gt;. Os &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;conglomerados&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;humanos&lt;/st2:verbetes&gt;, de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;qualquer&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;tamanho&lt;/st2:verbetes&gt;, espelham-se e identificam-se &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;nos&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;comportamentos&lt;/st2:verbetes&gt;de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;massa&lt;/st2:verbetes&gt; superdimensionados &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pela&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mídia&lt;/st2:verbetes&gt;, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;sintomas&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;contágio&lt;/st2:verbetes&gt;dos &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;corpos&lt;/st2:verbetes&gt; urbanos, &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;através&lt;/st2:verbetes&gt;de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;epidemias&lt;/st2:verbetes&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;informações&lt;/st2:verbetes&gt;deformadas. As urbanopatias &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; poderiam&lt;st1:hm w:st="on"&gt;ser&lt;/st1:hm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;características&lt;/st2:verbetes&gt;das &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;grandes&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;metrópoles&lt;/st2:verbetes&gt;espalham-se e contaminam &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;pequenas&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;cidades&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;com&lt;/st2:verbetes&gt; a &lt;st1:dm w:st="on"&gt;velocidade&lt;/st1:dm&gt; de &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;viroses&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;incontroláveis&lt;/st2:verbetes&gt;. O &lt;st1:hdm w:st="on"&gt;despertar&lt;/st1:hdm&gt;&lt;st1:dm w:st="on"&gt;para&lt;/st1:dm&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;retorno&lt;/st2:verbetes&gt; ao &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;mundo&lt;/st2:verbetes&gt;&lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;rural&lt;/st2:verbetes&gt;, a migração às &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;avessas&lt;/st2:verbetes&gt;, é &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;um&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;dado&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st1:dm w:st="on"&gt;novo&lt;/st1:dm&gt; e contém &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;em&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;si&lt;/st2:verbetes&gt; o &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;risco&lt;/st2:verbetes&gt; da &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;disseminação&lt;/st2:verbetes&gt;dos &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;espaços&lt;/st2:verbetes&gt; &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;saudáveis&lt;/st2:verbetes&gt;do &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;campo&lt;/st2:verbetes&gt; pelas &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;patologias&lt;/st2:verbetes&gt;comportamentais &lt;st2:verbetes w:st="on"&gt;que&lt;/st2:verbetes&gt; fizeram &lt;st1:hm w:st="on"&gt;disparar&lt;/st1:hm&gt; nas cidades a violência, a solidão, o consumismo, omedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1343905985475398426?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1343905985475398426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/foto-do-autor-cidade-e-por-excelencia-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1343905985475398426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1343905985475398426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/10/foto-do-autor-cidade-e-por-excelencia-o.html' title='URBANOPATIAS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jeNSH3XsMqI/Tor_SxJuU7I/AAAAAAAAAhw/Z-7zp_KRZ5k/s72-c/Ponte+Estaiada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3438328385433795903</id><published>2011-09-24T06:24:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T16:46:08.581-07:00</updated><title type='text'>A ROSA DO POVO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-63-Ngl_J3Bw/Tn5rrrOVm2I/AAAAAAAAAho/uMOFdrQzutc/s1600/Cavaleiro1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="232" src="http://1.bp.blogspot.com/-63-Ngl_J3Bw/Tn5rrrOVm2I/AAAAAAAAAho/uMOFdrQzutc/s320/Cavaleiro1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Noitinha, a luz tênuemescla o verde-escuro das salsas com o branco da areia do terreiro da casa. Asconversas, após o jantar, estão ainda no seu início e todos nos damos conta deque alguém se aproxima. Olhamos uns para os outros como a nos perguntarmos quemseja. Os cachorros levantam-se, se espreguiçam e se agitam, mas não rosnam oulatem, como se conhecessem o tal cavaleiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Encosta-se ao parapeito doalpendre, retira o chapéu com reverência e dá boa noite. Um coro meiodesanimado e desafinado responde com “outro boa noite”. O rapaz explica quesoube de estarmos de posse de uma mala encontrada na estrada. Explica que areferida mala é sua e que a deixou cair, quando a transportava na garupa docavalo, na manhã anterior Diz que percorreu léguas e léguas beirando a estradae tomando informação até saber que a havíamos encontrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Confirmamos ter encontradoa referida mala e já alguém se ergue para ir buscá-la, quando tenho a ideia deverificar se realmente ele é o dono, visto que os pertences encontrados nointerior da tal mala são femininos. E o rapaz não parece nem um poucoafeminado. Perguntamos, então, se ele poderia nos dizer o que contém a mala.Ele, a princípio, faz silêncio, como se pensasse. E a seguir, começa a reclamarque estaríamos desconfiando de sua honestidade e coisa e tal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;À medida que resiste aresponder o que perguntamos, vou ficando mais convencido de que ele não conheceo que tem a mala e, portanto, não pode ser o dono, como diz ser. O rapazmostra-se bastante irritado e até insinua algumas ameaças, sugere portar armas,mas, em nenhum momento, apresenta qualquer ameaça ostensiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Resolvo, então, revelargenericamente o que tem na mala, digo que na verdade as coisas não podem serdele porque se tratam de pertences femininos. Ao ouvir isto, ele começa asorrir, a gargalhar como se houvéssemos contado uma piada muito engraçada. Rique quase cai do cavalo. E sem dizer uma palavra, toca as esporas no cavalo esai dali em disparada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Alguém reclama, então, queeu entreguei a informação, e que, dali por diante, outras pessoas poderão virbuscá-la, pois, desta vez, já saberão o que a mala contém. Eu explico, então,que não é bem assim, porque a informação que eu dei foi muito imprecisa; em“pertences femininos” podem se incluir muitas coisas. Naquela noite mesmo nãohouve outro assunto. Também não apareceu mais ninguém. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;No dia seguinte, cedinho,quando abrimos a porta, havia uma mulher sentada em um dos parapeitos, como selesse um livro. Com todo o barulho de abrir a porta e o movimento que daídecorre, ela não ergueu a vista. Fui até onde ela estava e a cumprimentei comum bom dia, ao que ela responde olhando para mim e sorrindo. Diz que veio pegarsua mala. Olho ao redor e não vejo nenhum animal, nenhum veículo. Pergunto,então, como chegou até ali, e ela responde que alguém virá pegá-la depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ela sorrindo me diz quenem precisa perguntar sobre o conteúdo da mala porque ela mesma dirá. E vaidizendo aos poucos, conferindo com o que de fato está lá. Por fim, fala dolivro do Carlos Drummond de Andrade. Contamos a ela o ocorrido da noiteanterior, ao que ela nos diz não saber quem seja o tal rapaz. Diz que soube quea mala estava conosco por alguém que a teria contado, mas não teria sido,certamente, o tal rapaz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A respeito do livro, elanos diz que sua mãe teria estudado em Belo Horizonte, quando jovem, e recebidoo livro de presente do próprio poeta. Insinua ser filha dele, alguém de quemele nunca teve notícia. E que ela também nunca teve como conhecê-lo pessoalmente.Sempre sorrindo, com ar de intimidade, se vai, e, antes de sair, diz que sechama Rosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3438328385433795903?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3438328385433795903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/rosa-do-povo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3438328385433795903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3438328385433795903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/rosa-do-povo.html' title='A ROSA DO POVO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-63-Ngl_J3Bw/Tn5rrrOVm2I/AAAAAAAAAho/uMOFdrQzutc/s72-c/Cavaleiro1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4953887928050038534</id><published>2011-09-17T20:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:31:22.834-07:00</updated><title type='text'>BOCA DA NOITE</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-GK56Wje6HDA/TnVfxisWbTI/AAAAAAAAAhg/-XxkmYsyQCg/s1600/galinhas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-GK56Wje6HDA/TnVfxisWbTI/AAAAAAAAAhg/-XxkmYsyQCg/s1600/galinhas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Desliga a luz, hora detentar dormir. O corpo se espreguiça na cama fria e o lençol cheirando aamaciante promete agradável noite de sono. Mas o dia passado espelha a alma comos seus senões. A promessa de emprego frustrada, o sol abrasador queimando apele nas idas e vindas inúteis, a bronca suportada, a comida com cheiro dequeimado, a angústia de ter de silenciar para não desagradar a família que, dealgum modo, o acolhe...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Vira para um lado, mantémos olhos fechados. Vira para o outro, ainda de olhos fechados. Não consegueadormecer. Ergue-se e vai à geladeira para tomar um copo d’água. Não tem sede,é apenas um pretexto para levantar-se e caminhar pela casa. Teme que alguémacorde ou que o descubra abrindo a geladeira e imagine que está aproveitando oescuro da noite alta para fazer uma boquinha. Mas vai adiante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ouve um murmúrio vindo doquarto de casal. Resolve bisbilhotar. Pisa macio, tomando cuidado para nãotopar em nada e vai à busca de ouvir o que conversam. À medida que se aproxima,o tom da conversa torna-se melhor audível e, aos poucos, vai pescando algumaspalavras. Estranha que a luz não esteja acesa, o quarto todo escuro, mas mesmoassim põe-se a uma distância que dê para ouvir sem se arriscar muito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Apenas uma voz femininanão encontra resposta de outra, parece que fala sozinha. Sabe que algumaspessoas têm o costume de falar enquanto dormem, até aquele momento nuncapercebera que alguém naquela casa tivesse tal hábito. Apesar de não soar baixo,a voz parece cheia de línguas, não dá para ouvir muito bem tudo o que é dito.Somente alguns trechos e, em alguns instantes, palavras soltas em meio agrunhidos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Entre muitas coisasouvidas, sem muita clareza, a mulher conta que na casa de fazenda, que fica nobaixio, guardam uma mala que foi encontrada na estrada. A mala, diz, está cheiade dinheiro &lt;st1:personname productid="em c￩dulas gra￺das. Nunca" w:st="on"&gt;em cédulas graúdas. Nunca&lt;/st1:personname&gt; apareceu ninguém para reclamar aposse. Diz que dona Sara, uma lavadeira que trabalha por lá também, foi quemcontou tal história numa festa de casamento, para todo mundo ouvir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Por uma nesguinha só dafresta da porta entreaberta, ele percebe que a pessoa que fala se movimentacomo se fosse levantar da cama. Depressa, ele retorna ao quarto e, pordescuido, esbarra numa cadeira que faz um barulho razoável. Deita-se e põe-se apensar naquela história. Ouve passos dentro de casa, finge ressonar. A pessoachega-se e fica próxima à porta do quarto, como se o observasse. Não se move. Dalia instantes, a pessoa se afasta, na mesma pisada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ele vai juntando aspalavras e lembrando que já ouvira tal história, mas nunca nada a respeito doconteúdo da mala, por isso não deu importância. Agora, com a informação de quea mala guarda tanto dinheiro, a coisa muda de figura, principalmente, porqueninguém ainda apareceu para recamá-la. A ideia de se apresentar como dono damala vai ganhando força &lt;st1:personname productid="em sua mente. Talvez" w:st="on"&gt;em sua mente. Talvez&lt;/st1:personname&gt; aquela seja a oportunidade de conseguirreparar muitas coisas que andam mal em sua vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma voz distante chamagalinhas enquanto joga milho no terreiro, ele estranha que os caroços de milhobrilhem ao sol feito ouro. Ele se aproxima e verifica que, de fato, é ouro empequenos caroços que a pessoa joga para as galinhas. Ele fica aborrecido comaquilo e resolve partir para cima e tomar-lhe a vasilha donde tira os caroçosque arremessa ao terreiro. Dá um grito bravo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Acorda assustado econtinua ouvindo o som peculiar de alguém que chama as galinhas para alimentar.Ergue-se da cama um tanto destreinado, se espreguiça, enquanto boceja e emiteum berro de raiva e decepção. Imediatamente, a história que ouvira à noite lhevem à mente. Senta-se de novo na cama e, desta vez, para elaborar um plano como objetivo ir buscar a mala.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4953887928050038534?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4953887928050038534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/boca-da-noite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4953887928050038534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4953887928050038534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/boca-da-noite.html' title='BOCA DA NOITE'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-GK56Wje6HDA/TnVfxisWbTI/AAAAAAAAAhg/-XxkmYsyQCg/s72-c/galinhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-7859234760368937002</id><published>2011-09-11T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:29:47.014-07:00</updated><title type='text'>MALA NA ESTRADA</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HRx5JLJHxUE/TmzO2Yc3qWI/AAAAAAAAAhc/iS2UKiw52h4/s1600/Nesguinha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="181" src="http://3.bp.blogspot.com/-HRx5JLJHxUE/TmzO2Yc3qWI/AAAAAAAAAhc/iS2UKiw52h4/s320/Nesguinha.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Levantara-noshá pouco tempo, estávamos ainda à mesa do café quando ouvimos uma voz femininagritando, quase histérica, como se houvesse descoberto ouro. Depois de algumtempo, entendíamos que falava de estrada e de mala. Fomos às pressas aoalpendre, para ver do que se tratava. Sara, uma senhora que lava roupas paranós, enfrenta a areia do terreiro arrastando uma mala. Entra em casa e larga amala ao chão como se quisesse desfazer-se do peso. Alegre e esbaforida, demorapara conseguir esclarecer a cena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Conta queencontrou a tal mala na estrada, quando vinha de sua casa. Lógico, alguém adeixara cair de algum carro. De princípio, ficamos sem saber ao certo o quefazer. Era uma mala simples, sem tranca ou cadeado. Pensamos em abrir para verse encontraríamos alguma indicação de quem pudesse ser, mas pensamosmelhor:&amp;nbsp;era provável que quem a perdera estivesse a sua busca na estrada,e a demora em remexer as coisas poderia deixar passar a oportunidade dedevolvê-la ao seu dono ou a sua dona.&amp;nbsp; Deste modo, achamos mais prudentepedir que alguém de casa a levasse à estrada e ficasse por lá até queaparecesse quem a procurasse. Claro, que não se iria oferecer ou perguntar porali se alguém sabia de quem poderia ser, porque logo haveria de aparecer donosaos montes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Até a hora doalmoço ninguém reclamara a mala, assim também ao pôr do sol. Neste caso,achamos por bem abrir e ver se encontrávamos algo que pudesse indicar a quempertencia. Todos &lt;st1:personname productid="em casa concordaram. Nada" w:st="on"&gt;em casa concordaram. Nada&lt;/st1:personname&gt; de surpreendente revelou o conteúdo, asimplicidade das coisas que continha já estava mais ou menos prenunciada na suaapresentação exterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Aquela tarefanos despertou sentimentos contraditórios, mas somente daquele modo podíamosencontrar informações que nos permitissem saber a quem devolver. Mas, ao mesmotempo, incomodava-nos a sensação de estar invadindo a privacidade de alguém quesequer sabíamos quem era. No entanto, distraia-nos aquele exercícioexploratório: retiramos as peças de roupa e outros itens pessoais agrupando-os conformenos pareciam pertencer a um ou outro grupo de objetos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A donadaquelas peças e, provavelmente, da mala, é uma mulher jovem. Os vestidosdemasiadamente curtos, as roupas íntimas ousadas revelavam também tratar-se dealguém da capital, com gosto bastante sensualizado. A simplicidade, no entanto,expressa no conjunto de coisas, inclusive, pelo tipo de mala, o gosto de alguémhumilde, economicamente. Nada de sofisticação ou etiquetas de moda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Também nãoparece se tratar de alguém de grande estatura. Uma mulher de 1,60m, talvezmagra, jovem. Pela cor das roupas, predominantemente claras, pode indicar queseja também de pele morena ou mais escura. Não dá para ter certeza. Apenas umahipótese. Uma caixa de sabonetes glicerinados, um estojo de maquiagem em coresdiscretas, ainda sem uso. Um perfume suave e um espelho com cabo, &lt;st1:personname productid="em formato el￭ptico. Nada" w:st="on"&gt;em formato elíptico. Nada&lt;/st1:personname&gt;de fotografias, agendas ou qualquer documento que revele alguma identidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;No fundo damala, o livro &lt;i&gt;A Rosa do Povo&lt;/i&gt;, deCarlos Drummond de Andrade, publicado em 1945, quando de sua primeira edição,tinha uma dedicatória que não revelava muita coisa, até porque, aparentemente,se não fora escrita no mesmo ano de publicação do livro foi próximo, e isto nãobatia com as impressões até ali acumuladas. Os outros indícios não remetiampara alguém com essa idade. Dizia a dedicatória, “Para o amor da minha vida,com a paixão que há de nos incendiar sempre que nos toquemos”.&amp;nbsp; Eraassinada por um tal Hermano Carrasco. A data, borrada, aparentava ter-seborrado por efeito de algum líquido: água, perfume, lágrimas. Quem sabe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-7859234760368937002?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/7859234760368937002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/foto-do-autor-levantara-nosha-pouco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7859234760368937002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7859234760368937002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/foto-do-autor-levantara-nosha-pouco.html' title='MALA NA ESTRADA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HRx5JLJHxUE/TmzO2Yc3qWI/AAAAAAAAAhc/iS2UKiw52h4/s72-c/Nesguinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1509862570985012256</id><published>2011-09-03T05:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-03T05:25:32.900-07:00</updated><title type='text'>DIA COMUM</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-VPy7eHxLSJA/TmIcURg3uvI/AAAAAAAAAhY/z7gqdrgARDU/s1600/AO+DIA+COMUM.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-VPy7eHxLSJA/TmIcURg3uvI/AAAAAAAAAhY/z7gqdrgARDU/s320/AO+DIA+COMUM.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O dia amanhece com o mesmosol dos dias anteriores. Algo de menos no tecido da esperança. É assim que sevislumbra adiante pelas frestas dos olhos incrédulos: a rede cerzida, o lençolpuído e o chão batido sob as sandálias pela metade. Gentis inocentesesbaldam-se &lt;st1:personname productid="em ressaca moral. Uma" w:st="on"&gt;em ressaca moral. Uma&lt;/st1:personname&gt; nação inteira engana-se de lado a lado nasexplicações amarelecidas sem explicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;De resto, erguer o corpono torpor do antes como um nada e vestir as vestes remendadas e comer o pãodormido há dias. Que não se atrevessem à sua frente quaisquer &lt;i&gt;slogans&lt;/i&gt; ou mensagens de paz. É duroarrastar o tempo esticado e ainda aguentar os sorrisos e as bandeirasdesfraldadas a custa de tanta insensatez. É difícil pensar nos mortos, nosvivos sem memória e no quanto uns e outros têm em comum. Nada mais a fazer,enganos ditos e repetidos como um eco sem paradeiro. Afora os sem sentidos, osdentes em falta, tudo o mais é promessa, como esses prometidos que nossustentam e sobre os quais não se dá notícia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Consciências carcomidas,bandas podres erguem-se arma em punho contra sombras em debandada e perseguemuma a uma como parte obrigatória do entretenimento. Multidões aplaudemtorturadores confessos e vangloriam-se de ganhos insubsistentes. Solofraturado, rasgos estonteantes sob a negação do viés vesgo e desnorteado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O sol desloca-se lento eardido. A pele esfumaça a última esperança sepultada, narinas dilatadasabsorvem o calor corrente enquanto a sola dos pés incrusta vagos rastros noasfalto. É um dia comum, como outro qualquer. A diferença é que antescaminhavam ao lado de mais da metade dos que agora soslaiam-se pelas esquinas.Uma manhã comum certamente conduz a uma tarde comum, que, por sua vez, develevar a uma noite comum e a uma madrugada igualmente comum. Tudo numa lógica decavilação que não leva em conta a razão despida e alojada noutro extremo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Ninguém muda, a cenairrequieta acena muda. O silêncio vergonhoso perde-se no alarido dos festejossem graça alguma. Todos se admiram, miram-se e retornam ao estado letárgico dosono profundo. Espera-se que outros dias possam vir com sóis novos e luzesnovas. O tecido esgarçado da esperança é o único pano, encardido, desbotado, ase erguer em bandeira. Apelo de senhas resguardadas a pelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;O vento morno sopra sobrea tarde afeita ao vazio de ninguém mais. Grama esmaecida salta o fio vermelhodo caminho por trás das grades. Olhar é longe, sombrio. Rios escorremesquálidos, esgueiram-se fragilmente sobre os bancos de areia e ameaçam com asequidão de verões cada vez mais longos. Não há como retornar ao terreno firmedo passado. Barcos assombrados e recostam-se fincados no abandono enquantolastreiam ratos a bordo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Falta imensa no espaço,falta convicção e fé. Armam-se de argumentos até os dentes na comuna dossenhores da razão. A noite esconde os larápios e acalenta os corpos no descansoda fadiga. Mais um dia há de vir, Deus sabe a que preço. Farta e imersa no laçodo lodaçal, a marca da ação litigante, em pele de cordeiro. Homens e mulheresconsomem as últimas ofertas mostradas na televisão. Crianças esforçam-se paraabrir os olhos, esticam o corpo e os braços e as pernas e bocejam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Ao longe, canta o galo umamanhã sem sol e o canto ecoa no espelho preso à parede do quarto, fervilha nocoador do café quentinho. Um dia comum como outros de antes, sem tirar nem por.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1509862570985012256?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1509862570985012256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/dia-comum.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1509862570985012256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1509862570985012256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/09/dia-comum.html' title='DIA COMUM'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-VPy7eHxLSJA/TmIcURg3uvI/AAAAAAAAAhY/z7gqdrgARDU/s72-c/AO+DIA+COMUM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2121527848314866173</id><published>2011-08-27T10:01:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:27:35.961-07:00</updated><title type='text'>DIA APÓS DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QDjo1Oz4rdg/Tlko8e687YI/AAAAAAAAAhU/vbRWS9AzUQY/s1600/Bem-te-vi5%2B%25281%2529.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645588627443215746" src="http://1.bp.blogspot.com/-QDjo1Oz4rdg/Tlko8e687YI/AAAAAAAAAhU/vbRWS9AzUQY/s320/Bem-te-vi5%2B%25281%2529.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 253px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Há momentos em que histórias gravitam no espaço em que se vive. Parece que são épocas em que as antenas estão melhor conectadas com o entorno, na ânsia de aprender e apreender todos os movimentos e informações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pela manhã, desperta-se com o canto agudo da graúna, que, presumivelmente, projeta seu cantar do alto do maior coqueiro do quintal. O dia ainda é sombra e os cheiros da luz do amanhecer timidamente esgueiram-se nas telhas. Ao canto da graúna vêm-se somar outros alaridos: galinhas, perus, capotes, bem-te-vis, rouxinóis, sanhaços etc. Dentre os aromas do amanhecer, o do café é o mais forte e irresistível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O cuscuz fumegante imerso no café com leite anima as primeiras histórias do dia. Diz que Ana Benta, garotinha de &lt;st1:metricconverter productid="8 A" st="on"&gt;8 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 10 anos saiu para pegar guabiraba e perdeu-se no capoeiral ouve-se na cozinha. Há dias, já não acreditam que ainda esteja viva. Comentam que encontraram suas roupas debaixo de um pé de pau-ferro. Mais nada. Os pais aflitos não perdem a esperança e continuam a procurá-la. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Cavalo de talo, sombra das mangueiras, o dia aquieta-se. Diz que há um cachorro louco solto nas redondezas, melhor voltar para casa. Diz que já mordeu muitos meninos que não souberam dar conta dos riscos e aproximaram-se demais. Primeiro morde os outros cachorros e depois o que encontrar pela frente. Melhor voltar para casa. De esquecido o tempo, esquece-se o assunto. À sombra da mangueira, a areia fresquinha e branca acaricia o corpo e fertiliza a imaginação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Gritam que é hora do almoço. Fica-se mais um pouco e outros gritos ecoam até que alguém vem esbaforido e com ameaças. Se não for almoçar agora fica sem comer. Vai-se assim, &lt;st1:personname productid="em desembalada carreira. A" st="on"&gt;em  desembalada carreira. A&lt;/st1:personname&gt; cozinha mais parece uma feira. Gente de todo lugar. Uns comem em volta da mesa, outros sentados ao chão. Alguns ainda de pé experimentam a comida. Os mais velhos ralham: tem que comer direito, e respeitar a mesa. Deus está na mesa. Comer sem sossegar dá indigestão. Diz que seu Manuel teve uma congestão porque se aperreou na hora do almoço. Foi-se desta, não teve como salvar-se. Seu Manuel, aquele que contava histórias. Diz que esteve no Amazonas e foi encantado por uma cobra. Era seringueiro experimentado, mas neste dia ficou andando em círculos, atraído pelo feitiço da cobra. Só escapou porque se apegou à imagem de Nossa Senhora e rezou forte. Foi por pouquinho que a cobra não o engoliu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Tem horas do dia que o sol esquenta até a sombra da mangueira, melhor ficar como todo mundo, espiando o nascente, sentado no alpendre, sem perceber nada. Só os que pitam cachimbo esmorecem naquele espiar agudo, o sol sobre a areia e a salsa a perder de vista. O caminho estreito, como se esperasse por quem não ficou de vir. Sonolência danada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Diz que nestas horas os caiporas descasam debaixo das moitas e não toleram que ninguém atrapalhe seu descanso. Deve ser por isto que todos se ensombreiam no alpendre, sem se mexer nem dar um pio. Só o olhar alongado que silencia no avistar sem fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A tarde corre ligeiro, e depressinha já anoitece. O sol descamba feito doido até se pôr por trás da casa. Diz que de manhã até meio dia quem conduz o sol é um senhor de idade, com muito cuidado e responsabilidade. É por isto que as horas se arrastam e as manhãs são longas. Do meio dia para a noite, é um garoto peralta que desanda a brincar, a correr e rapidinho chega ao seu destino. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;À noite caminham sacis, estrelas cambiam e vozes e silêncios enchem o mundo de histórias. Diz que, ao se adormecer, outras tantas povoam também os sonhos. O Coaxar do sapo, o pio da coruja, o piscar do vaga-lume carecem de imaginação para encenar as suas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2121527848314866173?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2121527848314866173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/dia-apos-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2121527848314866173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2121527848314866173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/dia-apos-dia.html' title='DIA APÓS DIA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-QDjo1Oz4rdg/Tlko8e687YI/AAAAAAAAAhU/vbRWS9AzUQY/s72-c/Bem-te-vi5%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-71739088819195157</id><published>2011-08-21T06:18:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:26:08.452-07:00</updated><title type='text'>UM ASSUNTO PUXA OUTRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-x_cgOUiixbk/TlEKrkec1ZI/AAAAAAAAAhM/k4ooEEBPImg/s1600/TV%2Be%2BPC%2B%2528III%2529.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643303551713990034" src="http://2.bp.blogspot.com/-x_cgOUiixbk/TlEKrkec1ZI/AAAAAAAAAhM/k4ooEEBPImg/s320/TV%2Be%2BPC%2B%2528III%2529.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 203px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Regina levanta-se de sua mesa de trabalho e se dirige à lanchonete que serve aos empregados da empresa. Pede um suco de goiaba com laranja e vai se sentar com outras colegas de trabalho, ao redor de uma mesa, em descoberto, um pouco distante donde se concentra o maior número de pessoas naquele horário. Senta-se a tempo de ouvir alguém que fala das contradições que estão presentes na vida atual, no cotidiano de todos. Ouve dizer, por exemplo, que um carro, dos mais simples, tem potência no motor para desenvolver velocidade de até &lt;st1:metricconverter productid="180 km" st="on"&gt;180  km&lt;/st1:metricconverter&gt; por hora, no entanto, a legislação limita a velocidade nas estradas entre 80 e &lt;st1:metricconverter productid="100 km" st="on"&gt;100 km&lt;/st1:metricconverter&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Outra pessoa argumenta que, recentemente, passando pelo centro da cidade, presenciou a apreensão, por agentes federais, de CDs e DVDs vendidos nas calçadas por agentes federais. Ora, a própria tecnologia facilita a reprodução de CDs e DVDs em série. Certamente existem aí outros aspectos, como, por exemplo, a questão dos direitos autorais, a pirataria etc. Mas é contraditório. Fabricam-se produtos que não podem executar boa parte das funções que potencializam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Alguém aproveita para reclamar do modo como se organizam a distribuição e o consumo de produtos e serviços derivados do uso de computadores. Além de toda uma gama de acessórios, periféricos, softwares e mais não sei o quê, o usuário tem que pagar a um técnico que cobra em média 50 reais a hora, se não quiser ou não puder levar o computador à assistência técnica. Existe uma rede de entrelaçamentos que movimenta muito dinheiro, por conta de cada um que se aventura a ingressar no mundo da informática, ao adquirir um PC.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Argumentam que, do mesmo modo como quem dirige carro não tem, necessariamente, de aprender mecânica, quem usa um computador também não tem que saber mexer na parte física da máquina. Enquanto isto, o dinheiro vai saindo pelo ralo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;E essa história de antivírus?! A cada dia infestam a rede dezenas ou centenas de vírus. Alguns deles são espiões que, uma vez instalados em sua máquina, podem enviar informações suas para um computador ou para vários, que controlam e utilizam tais informações para acessar contas, números e senhas de cartões de crédito e por aí afora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Regina, já terminando de tomar o suco, comenta por comentar: ah, mas com um bom antivírus instalado não tem problema. As colegas se entreolham e riem, zombando do comentário. Ah, não me diga que você acredita nisto. Tenha dó, Regina!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Alguém entra na conversa e completa: há quem diga que as próprias companhias que desenvolvem antivírus alimentam esta situação. Se criarem um sistema de proteção com garantia total, não haverá mais necessidade de desenvolver novos antivírus e, rapidinho, todo mundo, de um modo ou de outro, estará com o seu na máquina. Elas teriam que fechar. Não há sistema completamente seguro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A mesma coisa acontece, dizem, com as empresas de segurança. Nenhuma delas tem interesse em que se acabe com a violência. Se a sociedade conseguir adotar um sistema completamente sem chance de assalto ou ameaça ao patrimônio, elas perdem a razão de existir. Vocês já pensaram sobre o que sustenta tantas guerras no mundo?! A indústria bélica, claro. Se não houver guerra, como vão desovar seus estoques de armas? É triste que precisemos do emprego que tem por finalidade garantir que as sociedades continuem violentas. Mas não dizem que é o desemprego que gera violência?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Por falar nisto, um destes órgãos de combate ao uso de drogas fez veicular recentemente uma campanha cujo &lt;i&gt;slogan&lt;/i&gt; dizia mais ou menos assim: “Quem usa droga alimenta a violência”. Ora, claro, se ninguém usar droga, a quem os traficantes vão vender? De onde vão tirar dinheiro para comprar armamento pesado e carrões? É verdade, concluem, em coro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Já saindo da mesa, para retornar ao trabalho, alguém comenta: mas vcs já perceberam o que estamos consumindo no mundo da informação e do entretenimento? A verdade mesmo é que a própria programação dos meios de comunicação, &lt;st1:personname productid="em especial das TVs" st="on"&gt;em especial das TVs&lt;/st1:personname&gt;, principalmente, nos finais de semana, é uma verdadeira droga. E depois querem uma sociedade sadia. Por falar em drogas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-71739088819195157?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/71739088819195157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/um-assunto-puxa-outro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/71739088819195157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/71739088819195157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/um-assunto-puxa-outro.html' title='UM ASSUNTO PUXA OUTRO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-x_cgOUiixbk/TlEKrkec1ZI/AAAAAAAAAhM/k4ooEEBPImg/s72-c/TV%2Be%2BPC%2B%2528III%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4730644180177689291</id><published>2011-08-13T07:28:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:24:45.211-07:00</updated><title type='text'>TRANSEUNTES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-r5nh-Ir3evU/TkaSezUOd_I/AAAAAAAAAhE/bVYoLVbKk9o/s1600/Transeuntes-2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640356641196898290" src="http://2.bp.blogspot.com/-r5nh-Ir3evU/TkaSezUOd_I/AAAAAAAAAhE/bVYoLVbKk9o/s320/Transeuntes-2.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 136px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do Autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Caras fechadas, sorridentes, indiferentes, desconhecidas. Desloco-me em meio a tanta gente e tento observar o que dizem, para mim, as pessoas pelas quais passo no ir e vir de sempre. Evidente que, ao olhar para um lado, deixo de ver quem passa pelo outro. Há, ainda, portanto, as caras perdidas. Lógico, perdidas, naquele momento, pode ser que, noutro, as recupere, mas nunca terei certeza se são as mesmas ou outras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Não preciso falar nas pessoas que reconheço que me reconhecem, algumas das quais, às vezes, me dirigem a palavra. Ou, pelo contrário, eu as interpelo. Ou, de outro modo, nos interpelamos, mutuamente. Estas são caras, são raras, mas não me servem para o que eu desejo tratar aqui. De algum modo, falo nelas, noutros momentos, noutros textos. Por enquanto, basta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Quero falar das pessoas que estão em movimento e, apesar de encontrá-las no dia-a-dia, nos deslocamentos da lida, não nos conhecemos. Não nos cumprimentamos, não nos dizemos nada, além do que pronunciamos em silêncio. Dos apelos que se lançam no entre espaço das indiferenças. Bom, indiferença, nem sempre. Por vezes, a semelhança com alguém que conhecemos nos faz acenar, sorrir, olhar para alguém desconhecido. Só depois, e com certo constrangimento, nos recolhemos a nossa mudez de sempre. Talvez seja tarde, aquela pessoa, por certo, nos marca uma lembrança e já não nos será indiferente no próximo encontro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Outras vezes, a exuberância de uma beleza ou de uma feiura nos chama a atenção e ficamos a olhar por longo tempo. Melhor fingir que não olha. Melhor não deixar o queixo cair, de modo que também chame a atenção dos outros, ou da própria pessoa observada. Mas, mesmo assim, é só um olhar, quando muito, um murmúrio incontido. Não passa disto. Não deve passar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Está certo, disse antes que observo as pessoas pelas quais passo no ir e vir dos dias. É isto, observo para me dar conta que somos só transeuntes de uma urbanidade anestesiada, de uma coletividade de sonâmbulos. É só ficar observando, para nos darmos conta que algumas cenas se repetem para confirmar este letargo posto à vista: uma buzina de automóvel agride o sol silente que escora o dia, de pé à frente do veículo, alguém assustado, atravessava a rua, apenas. Um encontrão, esbarram-se as pessoas na calçada. Ainda bem que têm pressa, vão-se adiante a olhar para trás e a xingarem-se, sem tempo, para quaisquer pedidos de desculpa. Quem sabe, um convite para um chope mais tarde, uma conversa de entendimento. Uma amizade futura, talvez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Um corpo caído atravessa a calçada, algumas pessoas o contornam sem ao menos olhar. Outras olham e, da mesma maneira, seguem adiante. Há sangue coalhado no chão. Algumas não têm tempo para contornar, menos ainda, parar. Simplesmente, passam por cima. São tantas, tão diversas, tantos destinos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;À medida que avança a noite, esvaziam o espaço das ruas. Retornam com o sol e acompanham sua trajetória no mesmo vaivém, no anonimato. Parece mecânico, de acordo com os horários do dia ou da noite, movimentam-se de igual modo: com maior ou menor intensidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Interessante, são as caras que contemplo. Apenas, ao acaso, percebo um corpo. Apenas naquelas situações a que me referi acima. São braços longos, pernas finas, espinha recurvada e o passo entrelaçado de traços. Coisas que fogem ao ritmo das coisas comuns. As caras estão mais à vista, avistam-se e expressam as sensações que a alma busca preservar. As dores, o tempo, as preocupações, as alegrias e outros marcadores do espírito desenham-se na cara de cada um, à revelia de seus desejos e/ou comandos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma cara estampa um cartaz e este cartaz se multiplica nas esquinas, nos postes, nos lugares onde as pessoas sabem que outras vão passar. Alguém, parado, espia os outros, na cara: são todos transeuntes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4730644180177689291?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4730644180177689291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/transeuntes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4730644180177689291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4730644180177689291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/transeuntes.html' title='TRANSEUNTES'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-r5nh-Ir3evU/TkaSezUOd_I/AAAAAAAAAhE/bVYoLVbKk9o/s72-c/Transeuntes-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-661436503683939249</id><published>2011-08-06T20:01:00.000-07:00</published><updated>2011-08-06T20:21:16.226-07:00</updated><title type='text'>CAMINHADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-sYoECs8QHfQ/Tj4DpNlAf8I/AAAAAAAAAg0/1-_ZD5_SWNo/s1600/caminhada.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-sYoECs8QHfQ/Tj4DpNlAf8I/AAAAAAAAAg0/1-_ZD5_SWNo/s320/caminhada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637947790068842434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Um caminhar a esmo num caminho bem antigo naquelas horas da manhã, no dizer de Mário, um caminho que, de tão velho, já não se sabe aonde vai. Outro poeta retruca: “velhos caminhos não levam ninguém a novos lugares”. Os únicos passos que se conhecem são marcados naquele momento depois de longos e longos anos. Séculos, talvez. O certo é que a solidão do caminho e o seu abandono estão expostos ali, para quem quiser ver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mas isto, aos olhos de quem observa, pela primeira vez, a última vista por ali. Para o caminheiro, como diz o poeta, são os passos que fazem o caminho ou, dito de outro modo, por outro poeta, o caminho se faz ao caminhar. Mas também sobre isto ele não reflete, apenas caminha. Basta mirar sua rota e ir abrindo picada entre urzes e pedras que recobrem a trilha adormecida há não se sabe quanto tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os rastos o acompanham e trilham em dois a solidão dos destinos. A areia marcada já não lembra que obrigações ele tem com as pegadas que se enfileiram de longe. Certamente, o tempo saberá o que deve ser feito, e na ausência prolongada de outros caminhantes tomará a melhor decisão. Um dia de chuva com a água reconstituindo percursos e levadas outras pistas se constituirão por ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nada disto importa a quem tomou para si a decisão de ir em frente sem fazer perguntas, sem refletir sobre coisa alguma ou sem qualquer dúvida sobre as bifurcações que o caminho oferece àquelas horas da manhã. Ainda é Mário quem norteia, ao dizer que se deve ir adiante, como quem foge de casa, como se estivessem abertos, diante de nós, todos os caminhos do mundo. Embora, neste caso, apenas um interesse. Afinal, só se consegue caminhar um caminho por vez. Talvez seja esta a orientação que não reconhece dúvidas e o faz caminhar resolutamente, como quem sabe que destino o aguarda, ou, pelo menos, espera encontrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;As distâncias não contam; o tempo não conta, menos ainda as preferências. Se se há de caminhar, que se caminhe e pronto. Os destinos, estes todos os caminhos reservam os seus. Iguais, diferentes, conhecidos, desconhecidos, destinos são destinos. Esta é uma conclusão de quem observa, passa distante do caminhante que nem quer tomar conhecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A sensação de caminhar se assemelha um tanto com que diz Orson Welles, a respeito do que lhe dá prazer num filme, ou seja, o processo enquanto o filme está sendo filmado, o filme constituindo-se, gerúndio. O percurso do que está pronto é outra história, são trilhados outros caminhos. O que está acabado, já não interessa tanto. Algumas vezes na vida nunca desejamos alcançar o destino, o ponto final. A observação gera muitas reflexões, o caminhar apenas abre trilhas, ou, por vezes, as confirma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ao longe, um pássaro entoa sua canção matinal. Parece sozinho, outros não respondem, apesar de sua insistência. Não se sabe se canção ou se choro, talvez um chororó. O certo é que solta seu som em meio ao mundo, sabe-se lá por qual motivo. As obras alternam-se com luminosidades laterais, matizando o caminho e adorna impacientemente o corpo do caminhante que se desloca como um trole sobre um trilho em dias de sol, rumo a algum lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olhos ao chão, pisada ritmada e demarcada, uma após a outra, uniformemente. Para trás, as pegadas vão se enfileirando, seguindo os passos, como de propósito. O sol enganchado no teto retém os ponteiros das horas, longamente. As divagações não marcam o céu limpo, quase sem nenhuma nuvem. Pontos de areia branca respingam as canelas e refulgem o lúmen como estrelas saltitantes. Mosquitos matinais rodopiam em torno da cabeça e se arremessam aos olhos como camicases, o que provoca um estapear estulto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-661436503683939249?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/661436503683939249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/caminhada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/661436503683939249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/661436503683939249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/08/caminhada.html' title='CAMINHADA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-sYoECs8QHfQ/Tj4DpNlAf8I/AAAAAAAAAg0/1-_ZD5_SWNo/s72-c/caminhada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4784237795246596121</id><published>2011-07-31T17:26:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T08:23:43.553-07:00</updated><title type='text'>SOBRAS DO SER SÓ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-d7yrca2LRUY/TjX30b8JlTI/AAAAAAAAAes/GZgUSHphJYc/s1600/Rio%2B-%2BNiter%25C3%25B3i.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-d7yrca2LRUY/TjX30b8JlTI/AAAAAAAAAes/GZgUSHphJYc/s320/Rio%2B-%2BNiter%25C3%25B3i.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635682988949345586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Regina, de uns tempos para cá, deu para prestar atenção a certas coisas que parecem comuns, mas que, no entanto, passaram a significar certo excesso para ela. Começou a pensar nisto, quando, certa vez, retornando do trabalho para casa, ligou o som do carro e deixou-se ouvir um &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;blues&lt;/i&gt; de B.B. King. Primeiro lhe veio uma emoção motivada por uma espécie de gozo, de prazer extremo. Daí, sentiu a necessidade de dividir aquele momento com alguém, mas percebeu que estava sozinha em seu carro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Noutro momento, sentou em sua cama, pegou um livro de poemas e, ao ler os primeiros versos, novamente, sentiu que todo aquele momento de grande felicidade poderia ser partilhado. Não é a sua cama ou o seu quarto, relativamente grandes, que lhe provocam o sentimento de solidão, não. É a sensação de excesso que sente quando tem acesso a algo que gosta muito. E a certeza de que outras pessoas poderiam estar ali e usufruir também do mesmo momento e do mesmo prazer. Desde então, outras tantas vezes vem se repetindo a mesma sensação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;São grandezas de outra ordem. Um bom filme, um vinho especial, uma boa comida, uma peça de teatro. Enfim, coisas que, em grande medida, nos sentimos melhor quando acessamos em companhia de alguém. Melhor ainda, se esta companhia for alguém a quem devotamos carinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Parece uma abstração, mas não é. Pelo contrário, é bastante concreto. Regina fica a se perguntar se isto ocorre apenas com ela. Tem vontade de perguntar a suas colegas de trabalho se elas também experimentam tal sentimento. Mas, nas várias vezes em que teve o ímpeto de falar sobre o assunto, recuou. Tem medo de que alguém a considere maluca. Fica, às vezes, a observar uma de suas amigas a executar tarefas rotineiras para tentar perceber se deixa revelar algo que a interesse ou que lhe dê ao menos a chance de tocar no assunto. Mas nunca percebeu qualquer abertura neste sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ultimamente, tem evitado sair à noite, para não ter que, na sua refeição, parecer que belo peixe ao molho de alcaparras, tocado a vinho branco, possa trazer-lhe esta sensação de que, apesar de ser servido apenas o prato individual, aquele sabor, aquela situação, é demais para uma única pessoa. No entanto, não consegue se livrar completamente. Nem mesmo a presença do boneco Hermano em sua casa, com quem conversa durante as refeições ou quando está lavando louças ou roupas, tem evitado, de todo, sentir a presença de algum excesso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ao entrar em seu apartamento, para, diante da porta, olha-o por inteiro, e os lugares que sua vista não alcança lhe vêm à memória resgatar os detalhes. Claro, não é nenhum sofrimento isto que sente, pelo contrário, é sempre um prazer relativamente significativo poder consumir coisas bem escolhidas. O que a incomoda é que isto poderia se tornar melhor se fosse compartilhado. Mas até mesmo a repetição da mesma cena pode indicar, ou indiciar algo que não compreende.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Talvez por conta deste seu sentimento, por vezes lhe bate alguma dúvida que parece estranha: Seria isto alguma prova psíquica de que fosse ela uma pessoa egoísta? Na verdade, a situação que se revela parece até ser contrária a isto. É justamente o desejo de dividir com alguém seus momentos e seus lugares de prazer que a deixa desconfortável. Mas, sabe-se lá, as explicações simples nunca satisfazem completamente suas curiosidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Num momento desses, estava simplesmente meditando, à noite, a respeito de um passeio de barco que fizera naquela manhã. Pegou uma barca, destas que fazem a travessia Rio/Niterói, numa destas estações da Praça XV. Postou-se na parte superior em posição de observar a paisagem de que se distanciava e, ao mesmo tempo, tentar perceber também outras visadas: a ponte que liga uma cidade a outra como outra perspectiva de travessia, o deslocamento entre um ponto e outro, a brisa e a passagem que se pode sentir enquanto a barca se desloca. Não havia intenção de ir a lugar algum, apenas o desejo de experimentar esta transitoriedade. Foi e retornou, com o objetivo de observar o mesmo movimento, a partir de pontos diferentes. Uma experiência e tanto. Mas, agora, ali, pensando sobre tudo lhe veio uma felicidade tão grande e, no entanto, não havia ninguém por perto com quem pudesse dividir. Deitou e chorou até adormecer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4784237795246596121?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4784237795246596121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/sobras-do-ser-so.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4784237795246596121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4784237795246596121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/sobras-do-ser-so.html' title='SOBRAS DO SER SÓ'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-d7yrca2LRUY/TjX30b8JlTI/AAAAAAAAAes/GZgUSHphJYc/s72-c/Rio%2B-%2BNiter%25C3%25B3i.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4800784972768552804</id><published>2011-07-23T07:32:00.001-07:00</published><updated>2011-07-23T07:33:45.098-07:00</updated><title type='text'>SEXO DOS ANJOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OeCT_y47Vmk/TirbtPXHpNI/AAAAAAAAAek/hcQivUzOklc/s1600/Sexo%2Bdos%2Banjos.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-OeCT_y47Vmk/TirbtPXHpNI/AAAAAAAAAek/hcQivUzOklc/s320/Sexo%2Bdos%2Banjos.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632555854244324562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Santiago, conhecido pescador no literal cearense, deixa a terra rumo ao mar, ao sabor da brisa da madrugada. Na sua rotina de pesca, passa, por vezes, até 10 dias em alto mar em sua jangada de velas. Desta vez, Santiago teve uma experiência surpreendente. Já no oitavo dia em alto mar, onde céu e água, muitas vezes, se confundem, vê anoitecer sem que o tempo se torne de todo escuro. Há uma luminosidade sem explicação e uma sensação estranha em torno de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Experiente em coisas do mar e do seu ofício de pescador, Santiago jamais vira algo parecido. Dizem que pescador conta muitas histórias fantasiosas, digamos assim. É nisto que Santiago pensa enquanto tenta entender o que se passa. Algumas das histórias que circulam na vila em que mora são confirmadas pelo próprio Santiago, quer dizer, confirmadas no que diz respeito às possibilidades de ocorrerem, porque, de verdade, nunca viu nada de inexplicável: um peixe maior, desses que só se deixam pescar depois de muita luta; um mergulho em águas povoadas de tubarões ou arraias; uma ou outra tempestade, dessas que ameaçam virar a embarcação, enfim, estas coisas com que qualquer pescador lida, à medida que vai experimentando a vida em mar aberto, em busca do pescado para o sustento da família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sereia, sereia mesmo, nunca viu. Em raras situações, acordou no meio da noite como se ouvisse um canto, uma melodia de beleza inigualável, mas, logo ao acordar, somente o silêncio concreto, rompido com o estalar do corpo da jangada contra a superfície do mar é testemunha, nada mais do que isto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Enquanto pensa sobre tais coisas, em busca de compreender o que ocorre, Santiago vê que, saída da claridade, se materializa em sua frente uma mulher belíssima. Tomaria por uma santa, não fosse por um detalhe, está completamente despida. Sorri para ele, diz o seu nome como se o conhecesse. O pescador olha em torno de si e não acredita, diz consigo que deve estar sonhando. Mas tem consciência de que mal anoitecera e não é seu hábito dormir tão cedo, quando está na pesca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A mulher se aproxima e a claridade esmaece à medida que ela fica mais próxima. Santiago, paralisado, sente em seu corpo o abraço carinhoso da mulher. Eflúvios aromáticos perfumam o ambiente com uma fragrância jamais sentida &lt;st1:personname productid="em qualquer lugar. Enormes" st="on"&gt;em qualquer lugar. Enormes&lt;/st1:personname&gt; melros saltam em torno da jangada e o mar se agita tanto que a vela, em instantes, vai de um lado ao outro como se a embarcação fosse virar. O pescador se agita e usa todas as energias do seu corpo para acompanhar a fúria marítima. Num descontrole final, levita, levita, levita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Um forte calor açoita a pele, e as pálpebras pesam toneladas. Santiago abre, enfim, os olhos como se acordasse de um sono de anos. O mar apenas estremece a jangada numa leve calmaria. O pescador tem a boca seca e o corpo exausto. Mais do que tudo, Santiago surpreende-se com uma coisa impensável, está completamente nu. Sua roupa espalhada no piso da jangada, cada peça num lugar diferente. Há muito custo, ergue-se e vai se vestindo devagarzinho, sem qualquer esforço, para entender o que aconteceu durante a noite. Não sente medo ou estranhamento, apenas uma sensação de felicidade extrema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Enquanto toma pé da situação, decide retornar para casa. O pescado está do modo como deixara no dia anterior. Não é muita coisa, para os oito dias que pescara, mas também não é pouco. Dá para voltar com alimento e ainda uma sobra para a venda. Levanta vela e direciona a jangada em direção à terra. O sol já se põe, quando avista a faixa litorânea, o vento sopra leve empurrando a jangada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Santiago observa que muita gente o aguarda, isto não é comum. Só quando há jangadas sumidas no mar, o povo da vila se posta à beira da praia, daquele modo. Pipocam foguetes, palmas, e sorrisos, para o receber em seu retorno para casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4800784972768552804?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4800784972768552804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/sexo-dos-anjos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4800784972768552804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4800784972768552804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/sexo-dos-anjos.html' title='SEXO DOS ANJOS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-OeCT_y47Vmk/TirbtPXHpNI/AAAAAAAAAek/hcQivUzOklc/s72-c/Sexo%2Bdos%2Banjos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2033457262853148509</id><published>2011-07-17T07:15:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T07:22:30.690-07:00</updated><title type='text'>DESATENTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eKLLqQlZkTw/TiLwESvy-qI/AAAAAAAAAbQ/M5cEjteNsRk/s1600/Balada.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-eKLLqQlZkTw/TiLwESvy-qI/AAAAAAAAAbQ/M5cEjteNsRk/s320/Balada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630326440708995746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Fugimos do olhar de poucas pessoas que nos observam e sabem de cor e salteado nossa vida, nos escondemos na multidão da cidade. Aqui, ninguém dá conta de nossa existência. Todos olham para si, cegamente. Os edifícios nos dão as costas e olham o vazio da janela do vizinho o tempo inteiro. Somos nós, sozinhos, que entrecruzamos as ruas de olhos rastejantes nas calçadas. Vemos somente à altura de uma roupa que desejamos nas vitrines, um manequim que se veste elegantemente, mudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O lucro tange e aglutina as pessoas; e o medo e a timidez embalam cada uma, isoladamente; o supermercado é para onde todos vão comprar mantimentos para os dias de trincheira nos apartamentos. O cinema reúne multidões na penumbra – o mundo passa na tela e é tão distante. Depois nos retiramos das salas de exibição e vamos remoendo a ilusão dos enredos fantasiosos por dias e dias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os shoppings lotam de pessoas sozinhas, escorrem e transbordam os corredores como peixes nos rios; transitam o dia inteiro de um lado a outro, entram por onde há portas abertas, escarafuncham coisas, levam algumas para casa e no dia seguinte são outras levas que se desconhecem mais uma vez. Repetem as mesmas ocupações como uma obrigação, como um instinto, como um comando programado, como se fossem todas iguais. Chegam ao mesmo tempo, preenchem os espaços do mesmo modo, desejam as mesmas coisas. Encontram-se nos mesmos lugares e se vão à hora marcada. Os lugares coletivos são lugares onde menos se conhece alguém. Beijar, se beijam tantos, ao mesmo tempo, que nem precisa saber quem são.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;As avenidas, as ruas têm sempre carros e pedestres o dia inteiro, trafegam e se postam como vigilantes que se prevenissem de uma invasão. É contra um inimigo que desconhecem e não se percebem em vigília. Um medo linear ocupa os espaços, ameaça as esquinas e perambula em seu silêncio ensurdecedor. Os jovens em festa fazem ruído para assombrar as noites caretas. Depois, retornam aos leitos, marcam de acordar tardios, diferenças que se forjam num parecer extremo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ninguém suporta lugares em que uns veem os outros e sabem o nome, conhecem a família e as idades, observam costumes e dão palpites na vida uns dos outros. Pouca gente, em grupos pequenos, dá nisso. O melhor mesmo é a multidão onde ninguém se apercebe, ninguém vê a quem está mais próximo, não se reconhece ninguém. Dá para pintar e bordar sem que haja recriminações. Depois, nem precisa limpar a sujeira. O tempo é o senhor da irracionalidade. Todo mundo esquece, ou melhor, ninguém precisa esquecer o que não viu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Todos os dias estão chegando às cidades levas e levas de pessoas que desejam montar sua tenda e se esconder no seio da multidão. Este movimento de convergir para lugares públicos e depois os esvaziar sem deixar marcas ocorre em ondas, demarcadas pelo relógio, no ritmo dos compromissos e do lazer. Nunca nos perguntamos para que serve o trabalho individual de cada um. Costurar um bolso, pregar botões numa fábrica, serve para quê? Está certo: para ganhar um salário no final do mês. Onde e como gastar este salário? Melhor ainda, salário, para quê? Aonde vai o dinheiro que cada um gasta na mercearia da esquina?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nos bares sorvem-se milhões de litros de cerveja, outros tantos quilos de carnes são devorados, verduras e frutas são consumidas nos restaurantes, nos lares todos. Ao redor das mesas derramam-se conversas sem qualquer matéria, substâncias fluídas, desatam-se nós, isolam indivíduos para o resto da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Para gritar e botar os demônios para fora, as multidões acorrem a lugares como estádios, por exemplo. Cada indivíduo aguarda dar de cara com uma câmera de TV, para que possa provar ao mundo a sua existência. Seria tão bom se as pessoas que estão à nossa volta e não nos veem descobrissem, na televisão, que existimos, que estivemos com elas num determinado momento de suas vidas. A multidão é refúgio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2033457262853148509?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2033457262853148509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/desatentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2033457262853148509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2033457262853148509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/desatentos.html' title='DESATENTOS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-eKLLqQlZkTw/TiLwESvy-qI/AAAAAAAAAbQ/M5cEjteNsRk/s72-c/Balada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-814577405162197668</id><published>2011-07-11T19:03:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T19:17:44.315-07:00</updated><title type='text'>RODA MOINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Xfvej3mBH0E/Thuuq5sB87I/AAAAAAAAAa0/kDhwiaxONh4/s1600/folhinha.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 197px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Xfvej3mBH0E/Thuuq5sB87I/AAAAAAAAAa0/kDhwiaxONh4/s320/folhinha.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628284211392803762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;No corpo da semana tatuam-se labutas e desejos de toda sorte. Das rodas, os trilhos em camadas de vezes repetidos, à exaustão dos itinerários. Os passos contrariam sentidos e também se repetem uns por sobre os outros, vezes sem fim, nos dias todos, repetidos. O suor enxugado, de tanto derramado como um choro poroso, renova-se no tédio tardio da mesmice. No sulco da pele aleitam-se pequenas torrentes sob o sol abrasador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Segunda-feira&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Move-se gente e mobilizam frutas, animais, ceras, cercas e cereais em sacos, sem saco, sem destino melhor conhecido. Sorrisos e apreensões amálgama de almas e coisas tecidas sobre o chão das ruas empoeiradas. Algarobas estendem ralas sobras onde se acoitam cães exauridos. Lojas e casas de portas abertas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Terça&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Cruzamentos estendidos ignoram o tempo e aquietam-se desertos. Nos bares, uma sinuca joga o jogo: tacos em giz. Desafio à morte, que espreita pacientemente. Uma mulher que passa; um menino atrás de uma bola; alguém sopra a fumaça, cigarro em brasa. Tosse há dias, os dias queimados em vão defluxam o peito. Promessa de ausência para breve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Quarta&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Uma festa anunciada para a noite movimenta os salões, as lojas de perfume, casas de variedades. As ruas recebem pessoas às pressas. Nenhum esquecimento, água em banho. O dia espera a noite em agito, ansiedade. Os encontros marcam os relógios e as almas planejam coisas íntimas, inconfessáveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Quinta&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Voz embargada cumprimenta passantes. A cabeça arrasta a ressaca da noite anterior. O sono ainda pesa sobre os ombros. Nada que um bom banho não resolva. Todos parecem tristes como se a noite não houvesse cumprido o prometido. Todo o trabalho dos salões comprometido: cabelos desgrenhados, a pele empalidecida e os olhos borrados. Leva o rosto à água da torneira e deixa-se ver aos poucos no espelho. O dia é outro, há menos garrafas cheias nas prateleiras e nos freezeres. Um sono inteiro no mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sexta&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Há uma sensação de alegria no ar. Ninguém comenta, mas já se comemora o final de semana a seguir. Roupa lavada, e passada a ferro em brasa. O vinco vai e vem como uma moda inconstante. Olha a roupa e imagina o que poderá vir dali. Veste para atrair o olhar que a desejar que tire, num confuso gosto pelo que compõe e decompõe a arte de conquistar companhias. O vazio que deve ser preenchido, sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sábado&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. Repete a quinta-feira pós-festa. Festa não houve, mas a conversa no bar rendeu e a noite esticou-se em meio à embriaguez da conversa e do álcool. Muita água para retirar do rosto as pegadas da noite, muita água para repor ao corpo a hidratação necessária. Muita água para limpar a alma depois da esbórnia. Memória de uma canção que diz “a água lava, lava, lava tudo, a água só não lava a língua desta gente”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Domingo&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;. O sol vai alto e um sono domingueiro estatelado no corpo à cama. Outro corpo, ali rendido, encena ato de parceria na peça de costume. Bom não pensar muito e viver o que o dia reserva como diferença da promessa. O jogo de futebol no campo de pelada, um banho de mar, piscina, rio ou cachoeira e a visita de gente nova, no mínimo, nas cores que o domingo pinta. A luz farta de domingo, a missa na igreja próxima e a TV sem nada que preste para se ver. Muita bobagem e preguiça, a pretexto de resguardar-se para o dia seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Segunda&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-814577405162197668?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/814577405162197668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/roda-moinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/814577405162197668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/814577405162197668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/roda-moinho.html' title='RODA MOINHO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Xfvej3mBH0E/Thuuq5sB87I/AAAAAAAAAa0/kDhwiaxONh4/s72-c/folhinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2501934981319137435</id><published>2011-07-03T07:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:18:06.703-07:00</updated><title type='text'>CORRER O RISCO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WtABrVn6L80/ThIZEFZH5VI/AAAAAAAAAZU/-XBNsqdHiEI/s1600/Frei%2BSerafim%2B%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625586442496894290" src="http://4.bp.blogspot.com/-WtABrVn6L80/ThIZEFZH5VI/AAAAAAAAAZU/-XBNsqdHiEI/s320/Frei%2BSerafim%2B%25282%2529.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 182px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;                                                                                                          Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Diante da TV, sábado esportivo, o sol anima a ganhar o mundo ou a ficar entocado, só olhando pela janelinha eletrônica algum entretenimento mais interessante. Toca o celular, uma voz feminina, em tom de locução de aeroporto, diz que não a conheço, mas que está desejando me encontrar. Pergunto quem é, mas a pessoa prefere não se identificar. Vou puxando assunto para ver se reconheço a voz que me parece familiar. Diz que uma amiga minha deu a ela ótimas informações e por isto se interessou em me conhecer, pessoalmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma conversa deste tipo conduz a muitas deduções: primeiro, pode ser um trote. Alguém conhecido está brincando com a minha manhã de sábado. Se for mesmo esta a situação, melhor embarcar na história. Não há muito a perder, e não deixa de ser instigante uma brincadeirinha de esconder e descobrir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Segundo, pode ser verdade, alguém que eu não conheço está querendo me encontrar. Neste caso, resta-me decidir, se eu também quero conhecê-la. É preciso que a conversa prossiga para ver se de fato há motivação que me leve ao encontro de uma pessoa que eu nem sei quem é. Uma pergunta se repete: Como ela sabe o meu nome e o número do meu telefone? Claro, se o que diz é verdade, a tal amiga informou tudo sobre mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pensando deste modo, surpreende-me certo temor. E se for uma armação, uma destas práticas atuais em que alguém utiliza uma mulher para atrair um desavisado para uma situação de roubo ou sequestro relâmpago? A conversa já vai longe e não há um só detalhe que esclareça a situação ou a identidade de quem diz estar querendo me conhecer pessoalmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Assim, muitas possibilidades vão se desenhando, sem qualquer esclarecimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A pessoa sugere que nos encontremos às 18h na principal avenida do centro da cidade. Este horário é mais indicador de que pode se tratar de um encontro de fato desejado, não é tarde, apesar de sábado não haver muito movimento naquela região da cidade. Justifica que a escolha da avenida é porque está vindo de ônibus, de um bairro da zona Sul, e que a localização é mais adequada. Vir de ônibus é indicador de muitas outras coisas, mas será que é verdade? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Vou embarcando na história e fazendo interrogações. Quando pergunto, por exemplo, o nome de quem lhe deu meu número de telefone, desconversa. Posso tomar a decisão ali mesmo de desligar e interromper o papo, mas, como não há mais nada a fazer naquele momento e tomo gosto e curiosidade pelo desenrolar do mistério, vou adiante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Observo a lista de atividades agendadas para esta tarde de sábado e decido incluir o encontro, depois de tudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Às 17:57h, ligo, conforme o combinado. Ela atende, pede desculpas e, em seguida, diz que só estará no local combinado às 19 horas. Diz que o ônibus atrasou e que este será o tempo correto para seu deslocamento. Peço, então, que, quando chegar ao local, me ligue. Aguardo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Passa do horário combinado e nada de ligar. Resolvo ir ao &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;shopping&lt;/i&gt; sem mais considerar o encontro como possibilidade. Encontro alguns amigos, ficamos conversando. Por volta de 19:45h, toca o telefone, é ela. Pergunta onde estou, respondo que estou na avenida, um pouco distante do lugar marcado. Ela diz que já chegou. Digo para aguardar um instantinho e vou ao seu encontro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ela está num ponto de ônibus e, para minha surpresa, não apenas tem muita gente como tem, pelo menos, uns três ônibus parados, pegando passageiros. Ligo e peço para ela vir para onde estou, avisa que já me viu, apesar do escuro. Vejo-a tocar o vidro do lado do passageiro, abro a porta e ela, enfim, toma assento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2501934981319137435?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2501934981319137435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/diante-da-tv-sabado-esportivo-o-sol.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2501934981319137435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2501934981319137435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/07/diante-da-tv-sabado-esportivo-o-sol.html' title='CORRER O RISCO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WtABrVn6L80/ThIZEFZH5VI/AAAAAAAAAZU/-XBNsqdHiEI/s72-c/Frei%2BSerafim%2B%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3487930529518407522</id><published>2011-06-25T21:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-25T22:06:42.962-07:00</updated><title type='text'>FERIADÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LZLIK1GwUbg/Tga-VD0HILI/AAAAAAAAAY8/7aIgExW1JBA/s1600/escurid%25C3%25A3o.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-LZLIK1GwUbg/Tga-VD0HILI/AAAAAAAAAY8/7aIgExW1JBA/s320/escurid%25C3%25A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622390453829050546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Manhã de domingo. Acordo com o calor incômodo de setembro. Olho o relógio digital para concluir que faltara energia na madrugada. Levanto-me e, inadvertidamente, ligo o chuveiro. A água fria recupera a memória de que não há energia. Banho-me depressa e saio antes mesmo que o corpo acostume-se com a temperatura da água. Desço para tomar café, insisto no isqueiro do fogão até me dar conta de que ainda não retornou a energia. Apelo para o fósforo, acendo o fogo, e ponho o leite para esquentar. Enquanto espero, resolvo fazer uma bananada. Pego o liquidificador, ponho a banana, o leite e o adoçante, e ligo em seguida. O aparelho não se mexe. Mais uma vez me dou conta que está faltando energia. Resmungo alguns impropérios contra a companhia de energia, todos os governos e desgovernos, impaciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Tomo café pensando em quanta falta faz a energia elétrica na vida urbana. Penso nos que podem estar presos no elevador, nos pacientes dos hospitais — em especial os de UTI —, nos&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;cruzamentos das ruas com semáforos apagados, em quantas coisas ficam sem sentido numa cidade ou mesmo numa casa sem energia. O dilema de quem tem que dormir num lugar com muriçocas e calor: não pode embrulhar-se com o lençol porque o calor incomoda, não pode desembrulhar-se porque as muriçocas atacam. Um inferno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Termino de tomar café, sento no sofá para ler o jornal, ligo o ventilador. Nem sinal de energia. Começo a achar todo este esquecimento repetitivo e ridículo. Vejo no jornal que o apagão da madrugada estava previsto, manutenção da rede, diz lá. Mas em outras matérias leio discursos de protesto contra o descaso com que a Companhia de Eletrificação trata seus consumidores. Há lugares na cidade em que falta energia cinco a seis vezes ao dia. Os aparelhos elétricos e eletrônicos, altamente sensíveis, apresentam defeitos resultantes dos constantes apagões. Prejuízo certo para os donos quando tais aparelhos são danificados pelas oscilações de corrente, pelos cortes bruscos, ou por descargas elétricas provocadas por raios, durante os períodos chuvosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olho para o relógio e percebo que já são nove e trinta da manhã. A corrida de Fórmula Um, que começaria às 8 horas, está prestes a terminar. E não se consegue saber quem ganha a corrida naquele momento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ligo o laptop e, graças a carga da bateria, consigo acessar à internet. Mas não por muito tempo, percebo logo que o aviso de bateria fraca começa a piscar com maior insistência. De algum modo, tenho tempo de me informar sobre a situação da corrida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Decido, então, retornar á cama e dormir mais um pouco. O calor continua lá. Não durmo um só minuto. Resolvo trocar de roupa e dar um giro pela cidade. Parece que todos os habitantes tiveram a mesma idéia. O trânsito está um caos, os cruzamentos bloqueados por carros em engarrafamentos gigantescos. Não há um só guarda para controlar tamanha balbúrdia e os motoristas, alucinados, conseguem piorar a situação ainda mais; cada um tenta buzinar mais forte que o outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Há muito custo, faço uma manobra e retorno para casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;De volta, fico pensando o quanto estamos dependentes da energia elétrica e das tais próteses tecnológicas. Se eu tivesse saído a pé, não teria me estressado tanto e até teria me divertido vendo aquele povo todo em seus trancados em seus carros, com as mãos atadas as suas buzinas histéricas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O serviço de fornecimento de energia vem piorando e parece não ter solução à vista. Por outro lado, os órgãos de controle do trânsito parece satisfazerem-se com os seus blocos de multa, numa hora destas não aparece um só de seus agentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3487930529518407522?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3487930529518407522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/feriadao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3487930529518407522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3487930529518407522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/feriadao.html' title='FERIADÃO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-LZLIK1GwUbg/Tga-VD0HILI/AAAAAAAAAY8/7aIgExW1JBA/s72-c/escurid%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-5818832381256583406</id><published>2011-06-25T20:49:00.000-07:00</published><updated>2011-06-25T21:22:25.752-07:00</updated><title type='text'>FEMININO, SINGULAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-hFdaSKh8p8o/TgazoRxRhhI/AAAAAAAAAY0/GialoVBlt-E/s1600/silhueta-feminina-89d32.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-hFdaSKh8p8o/TgazoRxRhhI/AAAAAAAAAY0/GialoVBlt-E/s320/silhueta-feminina-89d32.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622378689364854290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olha só, que mulher! Claro, você não está vendo, mas eu estou. Aliás, eu a vejo sempre. Vou tentar descrevê-la para você, talvez assim você consiga ver também. Ela está de vestido preto, curtíssimo. Tem pele bronzeada e macia, cheirosa. Sorri com inteligência e sabe dizer palavras amáveis como ninguém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Tem cabelos longos. Bom, algumas pessoas dizem que os cabelos não são dela, mas quem se importa com isto? O importante é que ela fica bem assim, de cabelos longos. Mas fica bem também de cabelos curtos. Fica bem com qualquer tipo de cabelo. Está certo que ainda não a vi com a cabeça raspada, no zero, mas imagino que mesmo assim ela mantenha sua beleza inabalável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Tem pernas longas, e que pernas. Destas pernas que parecem ter azougue para olhos masculinos e femininos. Por onde passa, neste vestidinho preto, vão-se enfileirando olhos semicerrados, bocas abertas, queixos caídos num turbilhão de desejos. Pernas longas e passo macio feito felina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olha só, que mulher! Ah, havia esquecido que você não pode vê-la. A pele bronzeada parece que acabou de chegar da praia, o dia inteiro com o corpo exposto ao sol. Parece que saiu do banho agora, os pelos ruivos eriçados. Vê-la é correr os olhos e discorrer palavras impronunciáveis como quem cochicha murmúrios pausados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Um aroma de romã enche o ar e esvazia os corações em suspiros e desejos. Ah, quem me dera. Cheiro feminino, legítimo. Nem precisa de muita coisa, para que se vire a cabeça, cheinha de bobagens perfumadas. E não é um perfume desses que se vai com facilidade, impregna a imaginação. Depois, é só imaginá-la que o ar emana o seu cheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O sorriso é terno, doce e desafiador. A boca resplandece e os olhos serpenteiam com graça, desnorteando a gente. Tonalidades de cores cambiantes que se alteram conforme a densidade do riso, como se fossem furta-cores. Mas a sensação é de tranquilidade, de confiança plena, que até dá vontade de nos entregarmos por completo, sem qualquer resistência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olha só, que mulher. Ah, bom. Ainda bem que agora você entende. Desta vez posso falar assim porque você já pode vê-la também. Bem, tendo em vista que você agora consegue visualizá-la, entendo direitinho por que não dá para ficar indiferente a tanta beleza. Ou você ainda acha que preciso falar mais, apresentar mais detalhes?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ah, então vamos buscar mais informações, mais motivações para aguçar a imaginação e trazer à tona o ideal de mulher perfeita que cada um guarda consigo. Eu diria, para continuar esta apresentação, que sua personalidade é um dos seus maiores atrativos: é simples, precisa no que faz e no que diz. Não sobra nada, cada detalhe tem apenas a exata dimensão do gosto mais apurado, mais exigente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;É madura, tem uma história de vida marcada por grandes alegrias e dores profundas. Tem a curiosidade da descoberta permanente e o espírito corajoso que a faz arremeter-se aos desafios de vida mais arriscados, como se se lançasse em trapézios em voos ousados, sem qualquer proteção de rede. É responsável e segura em seus compromissos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Neste momento, você poderá estar-se perguntando, se tal mulher existe mesmo ou se será fruto de minha imaginação. Ao mesmo tempo, você mesmo, na dúvida, pensará que esta, de quem eu falo, poderá ser alguém que você conhece, sobre quem você tem estas mesmas impressões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Não se trata apenas de uma mulher atraente aos desejos de homens, mas de alguém que inspira e faz suspirar, como modelo, outras mulheres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-5818832381256583406?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/5818832381256583406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/feminino-singular.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/5818832381256583406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/5818832381256583406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/feminino-singular.html' title='FEMININO, SINGULAR'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-hFdaSKh8p8o/TgazoRxRhhI/AAAAAAAAAY0/GialoVBlt-E/s72-c/silhueta-feminina-89d32.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6821212405776662417</id><published>2011-06-18T05:32:00.000-07:00</published><updated>2011-06-20T08:09:58.256-07:00</updated><title type='text'>PERDÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eNK7r8DIA7s/TfydD0subiI/AAAAAAAAAYs/yrgaBxtkVpQ/s1600/mulher%2B3.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-eNK7r8DIA7s/TfydD0subiI/AAAAAAAAAYs/yrgaBxtkVpQ/s320/mulher%2B3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619539124062940706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Perdão. Perdi mais uma vez. Não me olhes com este olhar. Não silencies deste modo. Não sejas assim tão abundante. Juro, eu mesmo nem gostaria de te olhar, fico sem fôlego, nervoso por demais, mas é inevitável: és muito exuberante. E se te percorro o corpo o tempo inteiro é porque ostentas tanto teus traços provocantes, que nem dormindo eu ficaria indiferente, tampouco ausente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Tens-me sob a língua e com ela sobejas meus quereres, é com ela que me reténs e me manténs refém. Contenho-me ante teus desejos ainda tão surpreendentes. Sob o corte dos teus dentes que esplendem e sangram a golpes de amor. Marcas de metais que os prendem a sorrisos suspensos e bambos, em todo o seu esplendor. O céu aberto nos convida a outros sonhos sobre as colchas rendadas em dias de lavores e dedicação. Nada mais a fazer senão nos dar assim um ao outro: eu te proponho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O que fazer, se, dentre outros modos de pensar neste momento, um só se impõe irredutível como o pôr do sol. O chão perde-se em fé às promessas que deixamos rolar. As tramas insinuam dramas encenados sob displicências esquecidas, presas a desfechos prometidos, sem sequer nos falarmos. Infinidades de estrelas luzindo e sequer as vemos. Perco-me nas asas de tuas saias, vendo-te distanciar-se radiante no encalço de destinos longínquos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Olhas a praça em que brincantes dançam frevo, feito loucos, e desguias este olhar de mim; assim me recomponho e faço de conta que não vejo. Gostas que finjam ignorar-te, enquanto exibes maneirismos, personagens retiradas de novelas de tevê. O cabelo posto sobre o ombro direito, donde observas fio a fio, com leve sorriso. Os pés descalços, as pernas cruzadas, a cabeça pendida para a direita e o olhar atento, se te olham. Respiras devagar, quase a não se perceber. Se a porta se abre, voltas-te, recurvando o corpo para trás. Se perguntam alguma coisa, respondes com indiferença aparente. Se não perguntam nada, és tu quem pergunta com falsa alegria: “o que desejas?” Depois de ouvir a indagação sobre o que quer que seja, respondes baixinho, com zombaria. Queres apenas que lhe repitam o que foi dito algumas poucas vezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Fico daqui supondo coisas que se vão sobre tua pele. As vestes íntimas, os pelos enfileirados e eriçados, com o frio do condicionador de ar. Ah, tantas coisas mais. Não fiques assim, não fiques aqui. O mundo te chama a ir-te e me deixar em paz. Só tu não vês o quanto me incomoda que me olhes, que me fales, que me sorrias, que me chames pelo nome. E eu que não desprego daqui. E eu que não me vou faz tempo. De salto, me toco com uma frase que certamente dirias, se eu te falasse o que tenho dito: “os incomodados que se retirem”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Uma música ressoa nas caixas de som, Gal Costa interpreta “Meu bem, meu mal”: “Você é meu caminho, meu vinho, meu vício, desde o início estava você...” Fico acompanhando baixinho a canção, como a recitá-la para ti: “meu bem, meu zen, meu mal”. Fazes de conta que não percebes. Eu levanto um pouco a voz e viras de costas, para que eu não perceba que sorris. Levantas-te e mexes em algumas coisas como a procurar por algo. Percebo que baixas o volume do som enquanto me observas com zombaria. Dou-me conta que todos na sala me olham porque agora só a minha voz ressoa aquela canção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Na verdade, desejo ser apenas aquilo que desejas. Alguma coisa como poder adivinhar teus pensamentos e poder me antecipar, só para agradar-te. Nestes momentos em que me parece que ris do mundo e, junto com ele, ris de mim, renego esta minha devoção. Mas, logo a seguir, volto a te desejar com mais força. “Teu corpo, teus pelos, teu rosto, tudo o que não me deixa &lt;st1:personname productid="em paz”. Imagino" st="on"&gt;em  paz”. Imagino&lt;/st1:personname&gt; como posso prender-te e, ao mesmo tempo, questiono se o que mais admiro em ti não seja exatamente esta tua irreverência, aquilo que ninguém pode encarcerar, ninguém pode pôr cabresto... Perdão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6821212405776662417?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6821212405776662417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/perdao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6821212405776662417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6821212405776662417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/perdao.html' title='PERDÃO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-eNK7r8DIA7s/TfydD0subiI/AAAAAAAAAYs/yrgaBxtkVpQ/s72-c/mulher%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-8529062107334222923</id><published>2011-06-14T12:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:12:55.526-07:00</updated><title type='text'>PELA ÚLTIMA VEZ, MAIS UMA VEZ.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jDZHvfsWZ5I/Tfe6U2awI2I/AAAAAAAAAYk/b00dZERPoBw/s1600/dolly.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618163927535854434" src="http://1.bp.blogspot.com/-jDZHvfsWZ5I/Tfe6U2awI2I/AAAAAAAAAYk/b00dZERPoBw/s320/dolly.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 248px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A repetição é uma técnica de fixação de ideias. As campanhas publicitárias trabalham com  processos de repetição da mensagem em duas grandes linhas: 1) A multiplicidade de peças, que veiculam a mesma mensagem distribuída em diversos veículos de comunicação de massa, amplia as possibilidades de alcançar o consumidor em vários momentos do seu dia – ouvindo o rádio; enquanto se desloca para o trabalho; observando as placas de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;outdoor &lt;/i&gt;nos trajetos dentro da cidade; na televisão, nos horários de almoço ou antes de dormir; na leitura de malas diretas enviadas pelos correios; nos &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;banners&lt;/i&gt; das páginas da Internet etc. 2) Na elaboração das mensagens em que a ideia principal é repetida algumas vezes no corpo do texto. Quer dizer, o consumidor e, principalmente, a consumidora são cercados por vários modos de ser, alcançados pelos anúncios e consomem antes do produto, as idéias publicitárias pela repetição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A repetição é uma técnica de fixação de ideias e aprimoramento profissional. Algumas profissões lidam com a necessidade de repetir a mesma atividade em níveis diversos, inúmeras vezes, como modo de aperfeiçoar detalhes e conseguir melhores resultados. É assim, por exemplo, com a profissão de ator. Desde as primeiras leituras do texto, passando pelo tempo de ensaios e até mesmo durante a temporada em que uma peça fica em cartaz. Nas leituras iniciais do texto vão se definindo características dos personagens, e observando-se os focos de abordagem com ênfase numa ou noutra fala, numa ou noutra cena. Durante os ensaios, são feitos os ajustes de direção, marcações de palco, laboratórios etc. E durante o período em que a peça fica em cartaz, todas as noites, durante todo o tempo, repetem-se no mesmo horário e a mesma encenação para públicos presumivelmente diferentes. Há até alguma teoria que afirma que nunca um dia é igual ao outro, que cada plateia reage de modo diferenciado etc. e tal. Este argumento, apesar de pouco convincente, é repetido à exaustão como alguém a querer convencer a si, antes que aos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A repetição é uma técnica de fixação de ideias e correção de falhas para o melhor rendimento da equipe. As práticas esportivas, principalmente as coletivas, carecem treinar horas e horas, repetindo os mesmos exercícios, incontáveis vezes. Romário, dizem, recusava-se a treinar alegando que já sabia o que fazer. Mas outros atletas obrigam-se a treinar sem descanso, até que adquiram o condicionamento técnico necessário ao melhor rendimento no exercício da profissão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A repetição é uma técnica de fixação de ideias e apagamento da própria técnica. Os motoristas de coletivos e profissionais outros que diuturnamente repetem suas atividades, mas não o fazem para adquirir condicionamento técnico ou físico, como no caso dos praticantes de esporte, simplesmente assimilam a rotina do trabalho e meio que se anestesiam. De tanto que passam pelos mesmos lugares, as mesmas ruas e praticam os mesmos atos, nem se dão contam que estão se repetindo o tempo inteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A repetição é uma técnica de fixação de ideias e produção da repetição. Muitos casais chegam a se separar pelo desgaste da rotina. Um reclama que o outro é muito previsível, que todo dia faz tudo sempre igual e a repetição das reclamações e dos desentendimentos leva em geral a que cada um busque seu próprio caminho, o que não é novidade também. Um poeta amigo nosso costumava dizer que não há nada mais antigo do que se buscar ser original. É então esta repetitiva manifestação de insatisfação que produz a fixação da necessidade de estranhamento com o diferente. Contra a repetição da mesmice se impõe a repetição da busca de novidade. Do mesmo modo que o movimento repetido, por atrito de uma superfície contra a outra, produz o desgaste e a carência de reposição em sistemas mecânicos, a fixação de ideias também nas relações familiares produz desgastes irrecuperáveis e nem sempre se pode repor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-8529062107334222923?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/8529062107334222923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/pela-ultima-vez-mais-uma-vez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8529062107334222923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8529062107334222923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/pela-ultima-vez-mais-uma-vez.html' title='PELA ÚLTIMA VEZ, MAIS UMA VEZ.'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jDZHvfsWZ5I/Tfe6U2awI2I/AAAAAAAAAYk/b00dZERPoBw/s72-c/dolly.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2469922059178235459</id><published>2011-06-06T13:42:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:35:26.646-07:00</updated><title type='text'>EM CADA LEITOR UM AUTOR DIFERENTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yKQd6MsnVjo/Te078pfg6gI/AAAAAAAAAYc/mRtom1X-xc8/s1600/Leitores.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615210223517100546" src="http://2.bp.blogspot.com/-yKQd6MsnVjo/Te078pfg6gI/AAAAAAAAAYc/mRtom1X-xc8/s320/Leitores.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 188px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 70.8pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 9pt;"&gt;A história das reputações é uma crônica de maiores ou menores discrepâncias. Há sempre uma brecha entre aquilo que alguém faz e aquilo que o mundo percebe que a pessoa fez. Algumas discrepâncias são temporais [...], outras são espaciais [...], mas poucas são tão grandes quanto os anacronismos e as ironias que caracterizam a carreira e a reputação de Mikhail Milakhalóvitch Bakhtin (1895-1975). &lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;  &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 18pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 8pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;                                                       K. Clark e M. Holquist&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yKQd6MsnVjo/Te078pfg6gI/AAAAAAAAAYc/mRtom1X-xc8/s1600/Leitores.jpg"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O pensador reúne-se em torno de uma mesa com o seu grupo de interlocutores: amigos, igualmente, pensadores acerca das coisas humanas que, finalmente, são despejadas ao mundo como sentimento e reflexões, e que passam, então, a fazer parte do mundo também. Materializam-se e são discutidas, repartidas, esgarçadas, apropriadas e, por fim, disputadas em todos os seus aspectos, conceptuais originários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Em torno daquela mesa, sob a luz de candeeiros, fica-se a noite toda a discutir acerca da alma, das dores, das vergonhas e dos dizeres. Um vinho aquece o corpo e alimenta as ideias. A fumaça entremeia aquelas figuras e provoca crises de tosse. Um deles, no entanto, concentra as atenções e, para ele, os outros se voltam ao simples gesto de pronunciar algo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Noites e noites vão se passando com poucas alterações no cenário. Dali, pessoas, aparentemente simples, entram e saem, comem, fazem suas necessidades e retornam. Vivenciam naquele recinto as pressões dos tempos difíceis e ameaçadores que o País atravessa. As conversas sobre arte, literatura, filosofia da linguagem e outros temas, igualmente áridos, por vezes, são restringidos por conta do que poderão acarretar para o grupo ou para um de seus componentes, dado que tudo está vinculado ao contexto político e histórico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Pouca coisa destas conversas tomou o destino das páginas e das edições de livros. Muito ficou restrito ao cenário das longas e cansativas discussões. Mas o pouco que foi publicado modificou e modifica, ainda hoje, o modo de pensar, o conhecimento, a literatura, a constituição de subjetividade e as relações identitárias, autoritárias e as teorias da linguagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Várias áreas do conhecimento, através de pesquisadores, estudiosos e outros autores, no mundo inteiro, tomam contato com os poucos produtos que conseguiram se materializar daquelas discussões. E em nenhuma destas áreas alguém consegue ficar indiferente. Os atuais métodos de pesquisa histórica, as modernas metodologias de pesquisa em comunicação, os mais avançados estudos de legislação apropriam-se de visadas bem particulares, recriam outras e lhe atribuem referência autoral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Fundam-se núcleos de pesquisa e de discussão sobre todos os olhares. Em cada um deles é carimbada a marca confiável de sua autoria. Deste ponto de vista, exagera-se a ponto de parecer que alguém extremamente humano tenha adquirido a condição de um semideus, um gênio sem parâmetros de comparação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A simplicidade de seus pensamentos e reflexões ganha em complexidade, e suas derivações são de tal ordem que ele próprio não se reconheceria nas citações que tentam dar legitimidade aos textos resultantes de pesquisas e observações científicas, com o mais exigente rigor. Daí as discrepâncias referidas na epígrafe deste texto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O pensamento do autor, sua obra e sua imagem ganham uma elasticidade e uma diversidade que o fazem pairar sobre o tempo de lugares tão distantes e tão díspares, que mais se assemelha a uma rede de inter-relações infinitas. Ele já não se pertence. Não é mais como um homem simples, posto ao redor de uma mesa a beber, comer e a discutir, inclusive, amenidades, com seus pares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O autor multiplica-se em títulos nas livrarias, alimenta a sanha produtiva da academia, a sanha comercial das editoras e dos livreiros a ponto de provocar cada vez mais leituras pelo mundo afora. O seu nome é uma garantia de interesse de leitores &lt;st1:personname productid="em n￺mero crescente. As" st="on"&gt;em número crescente. As&lt;/st1:personname&gt; ideias, que agora dizem que são suas, se multiplicam sem qualquer controle. No seu país, pesquisadores estrangeiros buscam aquelas páginas esquecidas no fundo de alguma gaveta, e tradutores empenham-se em lançar no mercado as últimas descobertas, textos inéditos. Daqui a pouco haverá necessidade de que tudo seja contraditado ou esquecido, e outros autores, saídos de lugares mais distantes, haverão de ocupar o seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2469922059178235459?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2469922059178235459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/em-cada-leitor-um-autor-diferente_06.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2469922059178235459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2469922059178235459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/06/em-cada-leitor-um-autor-diferente_06.html' title='EM CADA LEITOR UM AUTOR DIFERENTE'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yKQd6MsnVjo/Te078pfg6gI/AAAAAAAAAYc/mRtom1X-xc8/s72-c/Leitores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2693484907273368050</id><published>2011-05-30T06:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:33:00.997-07:00</updated><title type='text'>LIMITES DA EXPERIÊNCIA URBANA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BP_TfLpDpXc/TeOdtf-M5HI/AAAAAAAAAYI/aCvgz8jCgfM/s1600/Cidades.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612502965635834994" src="http://3.bp.blogspot.com/-BP_TfLpDpXc/TeOdtf-M5HI/AAAAAAAAAYI/aCvgz8jCgfM/s320/Cidades.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 273px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Tenho &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fascínio&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;pelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;universo&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidades&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Quando&lt;/st1:verbetes&gt; escuto esta &lt;st1:verbetes st="on"&gt;palavra&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;algum&lt;/st1:verbetes&gt; lugar, paro &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;ouvir&lt;/st2:hm&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st1:verbetes st="on"&gt;trata&lt;/st1:verbetes&gt;. Entendo &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; descrita a &lt;st2:hm st="on"&gt;partir&lt;/st2:hm&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressões&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bastante&lt;/st1:verbetes&gt; localizadas, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; a descreva busque referir-se a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;diversidades&lt;/st1:verbetes&gt;, apontando &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bairros&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;situações&lt;/st1:verbetes&gt;. Comparo uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; aquela &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cena&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;cinco&lt;/i&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt; pânditas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cegos&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/i&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;, apalpando &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pontos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;diferentes&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;elefante&lt;/st1:verbetes&gt;, tentam descrevê-lo. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; deles descreve o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;elefante&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segundo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; apalpa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;E as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;particularidades&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; físicas; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;experiência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; se constitui &lt;st1:verbetes st="on"&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; das visualidades. Os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;prédios&lt;/st1:verbetes&gt;, os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;logradouros&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;públicos&lt;/st1:verbetes&gt; etc. estão &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se experimenta, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;até&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sabor&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;sorvete&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fruta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;típica&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;banho&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;rio&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lagoa&lt;/st1:verbetes&gt;. As &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressões&lt;/st1:verbetes&gt; produzidas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;experiência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;dizer&lt;/st2:hm&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;essencialmente&lt;/st1:verbetes&gt; sinestésicas. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sensação&lt;/st1:verbetes&gt; será &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tanto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;particular&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quanto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;visita&lt;/st1:verbetes&gt; for motivada &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;interesses&lt;/st1:verbetes&gt; de especialização &lt;st1:verbetes st="on"&gt;profissional&lt;/st1:verbetes&gt;. Quero &lt;st2:hm st="on"&gt;dizer&lt;/st2:hm&gt;, se o &lt;st3:sinonimos st="on"&gt;visitante&lt;/st3:sinonimos&gt; for, digamos, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; publicitário, vai &lt;st2:hdm st="on"&gt;conhecer&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; Teresina, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;exemplo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;além&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;agências&lt;/st1:verbetes&gt; e do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;hotel&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;residência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; esteja hospedado, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;claro&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;alguns&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bares&lt;/st1:verbetes&gt;, produtoras e, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;talvez&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;veículos&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;comunicação&lt;/st1:verbetes&gt;. A &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;alguém&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;leva&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; é a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; restrita &lt;st1:verbetes st="on"&gt;possível&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Alguém&lt;/st1:verbetes&gt; pode &lt;st2:hm st="on"&gt;argumentar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st2:dm st="on"&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;porque&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; é pequena, e, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;entre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st3:sinonimos st="on"&gt;visitante&lt;/st3:sinonimos&gt; passará &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ruas&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;avenidas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; darão uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;visão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; abrangente. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; digo &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugares&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;trânsito&lt;/st1:verbetes&gt; e as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;paisagens&lt;/st1:verbetes&gt; enquadradas pelas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;janelas&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;automóveis&lt;/st1:verbetes&gt; parecerão &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;postais&lt;/st1:verbetes&gt; deformados &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quase&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nada&lt;/st1:verbetes&gt; correspondem à &lt;st2:dm st="on"&gt;realidade&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Tenho &lt;st1:verbetes st="on"&gt;visto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoas&lt;/st1:verbetes&gt; se referirem a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugares&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt; comuns, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mim&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nada&lt;/st1:verbetes&gt; correspondem à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;descrição&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; ouço. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Ambos&lt;/st1:verbetes&gt; apalpamos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pontos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;diferentes&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; sensibilizamos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outros&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sentidos&lt;/st1:verbetes&gt;. Lembro de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;amigo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se referia à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;São&lt;/st1:verbetes&gt; Luis &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; um certo &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tom&lt;/st1:verbetes&gt; de deboche, porque, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segundo&lt;/st1:verbetes&gt; ele, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;todos&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugares&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; conheceu na &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;só&lt;/st1:verbetes&gt; viu &lt;st1:verbetes st="on"&gt;gays&lt;/st1:verbetes&gt;. Disse &lt;st1:verbetes st="on"&gt;isto&lt;/st1:verbetes&gt; e acrescentou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;até&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;guia&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;excursão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;era&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;gay&lt;/st1:verbetes&gt;. Pode &lt;st2:hm st="on"&gt;ser&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;aí&lt;/st1:verbetes&gt; esteja a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;explicação&lt;/st1:verbetes&gt;, experienciou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;características&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bastante&lt;/st1:verbetes&gt; marcadas. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoalmente&lt;/st1:verbetes&gt;, tenho &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressão&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;São&lt;/st1:verbetes&gt; Luis. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Nem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; detenho no &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;preconceituoso&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;desejo&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st2:hdm st="on"&gt;discutir&lt;/st2:hdm&gt; os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;limites&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;experiência&lt;/st1:verbetes&gt; e daquilo &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st1:verbetes st="on"&gt;deixa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;revelar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;experimenta&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Penso&lt;/span&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoas&lt;/st1:verbetes&gt; têm &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pouco&lt;/st1:verbetes&gt; esta complexidade, revelam-se a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;modo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;diferente&lt;/st1:verbetes&gt;. Quantas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vezes&lt;/st1:verbetes&gt; conhecemos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;alguém&lt;/st1:verbetes&gt; e temos uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;depois&lt;/st1:verbetes&gt; vai se modificando &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;melhor&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pior&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt;, noutros &lt;st1:verbetes st="on"&gt;momentos&lt;/st1:verbetes&gt;, ouvimos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;declarações&lt;/st1:verbetes&gt; a&lt;st1:verbetes st="on"&gt;cerca&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; conhecemos e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nada&lt;/st1:verbetes&gt; combinam &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; aquelas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;impressões&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; temos. Se uma &lt;st2:dm st="on"&gt;pessoa&lt;/st2:dm&gt; pode &lt;st2:hm st="on"&gt;ser&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; multifacetada, imagine-se uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; todas as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;suas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;interfaces&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;toda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; complexidade. Muitas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ofertas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; tentam &lt;st2:hm st="on"&gt;seduzir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;motivos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tantos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; imaginamos. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Isto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; ocorre &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;também&lt;/st1:verbetes&gt; experimentamos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;poemas&lt;/st1:verbetes&gt;, pois &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vez&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; os lemos descobrimos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;novos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sentidos&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Outros&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sequer&lt;/st1:verbetes&gt; gostamos à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;primeira&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;leitura&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;só&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;depois&lt;/st1:verbetes&gt;, aos poucos, vamos aprendendo a &lt;st2:hm st="on"&gt;gostar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As &lt;st1:verbetes st="on"&gt;contradições&lt;/st1:verbetes&gt; e as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;peculiaridades&lt;/st1:verbetes&gt; todas das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pessoas&lt;/st1:verbetes&gt;, dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;poemas&lt;/st1:verbetes&gt;, das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;músicas&lt;/st1:verbetes&gt; se entrelaçam no &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tecido&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;citadino&lt;/st1:verbetes&gt; num emaranhado de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sensações&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sentidos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; cessam &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nunca&lt;/st1:verbetes&gt; de se &lt;st2:hdm st="on"&gt;transformar&lt;/st2:hdm&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;embora&lt;/st1:verbetes&gt; se mantendo os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesmos&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st2:hm st="on"&gt;olhar&lt;/st2:hm&gt;, a visada é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se impregna de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;desejos&lt;/st1:verbetes&gt;, contaminada &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;memória&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cada&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lê&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;situações&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;expectativas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; têm de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;si&lt;/st1:verbetes&gt; e do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; está &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; entorno.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2693484907273368050?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2693484907273368050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/limites-da-experiencia-urbana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2693484907273368050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2693484907273368050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/limites-da-experiencia-urbana.html' title='LIMITES DA EXPERIÊNCIA URBANA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BP_TfLpDpXc/TeOdtf-M5HI/AAAAAAAAAYI/aCvgz8jCgfM/s72-c/Cidades.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-934018145612772170</id><published>2011-05-23T11:56:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:28:29.422-07:00</updated><title type='text'>OLHOS PRESOS AO LIVRO: LIVREMENTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kI_2XBpEH_0/TdsLkFwEoOI/AAAAAAAAAYA/CqiDa8IDlmk/s1600/livros.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610090475467088098" src="http://2.bp.blogspot.com/-kI_2XBpEH_0/TdsLkFwEoOI/AAAAAAAAAYA/CqiDa8IDlmk/s320/livros.gif" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 283px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Muitas vezes, a companhia da televisão não é suficiente para que você se sinta, de fato, acompanhado. Uma boa literatura, as personagens e suas histórias têm o poder de remeter você ao abrigo de emoções que anulam o tempo e recuperam a segurança de estar bem acomodados nos sofás, no interior dos apartamentos. Umas das saídas que Regina tem encontrado, para afugentar a sensação de estar sozinha no mundo, tem sido a leitura de bons livros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Regina sempre foi uma boa leitora, lê tudo o que lhe cai às mãos. Mas, ultimamente, vem recorrendo à leitura para escapar da mesmice dos canais de TV e para se refugiar da solidão, no seu apartamento. Ao sair do trabalho, passa na biblioteca pública, loca um livro, e, tão logo cumpra seus ritos de banhos, jantares e louças etc., busca dentro de casa, cada vez um lugar diferente, onde possa se acomodar, numa cadeira confortável, com boa luminosidade, para entregar-se à leitura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Dia desses, ao entrar na biblioteca, Regina observou que, numa das mesas de leitura, um jovem parecia deliciar-se com o livro que lia. Ficou ali, olhando a expressão daquele moço com um riso desenhado e uma expressão de imensa satisfação. Regina, então, passou a vista pelas outras mesas e deu-se a observar vagarosamente cada um dos leitores, que estavam ali. Em geral, as mesas de leitura acomodam 4 pessoas, uma de frente para a outra, duas a duas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Um dos primeiros pontos que observou foi que cada um dos leitores ou leitoras dedicava-se a ler uma obra diferente. Uns tinham às mãos livros mais de conhecimento técnico: anatomia, softwares, matemática, jornalismo etc. Outros liam literatura ficcional: romance, contos, crônicas etc. Mas ninguém parecia aborrecido ou preocupado. Protegidos pelo silêncio, mergulhavam nas páginas que iam passando com uma lentidão quase eterna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;No balcão, outros chegam com suas pressas, entregam ou pegam livros e se vão. Neste entreter-se, observando o seu entorno, Regina começou a viajar nos sentidos que estão postos numa biblioteca. Cada pessoa que ali chega para apanhar um livro está buscando conhecer mais sobre algo. Do mesmo modo que os que ali estão, lendo, gastando um bom tempo de suas vidas, sentados ao redor de uma mesa, sem sequer perceber quem está à sua frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Regina lembrou, então, uma cena que viu recentemente e que achou interessante: um grupo de pessoas numa mesa de bar, como se fossem amigas, como se estivessem ali para uma conversa entre si, mas, na verdade, cada uma delas falava ao celular e não percebia umas as outras, naquela mesa. Há certa semelhança na cena da biblioteca, só que as pessoas com quem cada um conversa não estão do outro lado de uma linha telefônica, mas em lugares muitos distantes e vivenciando histórias em que o leitor parece se envolver como um observador privilegiado: vê a todos e a tudo e não é visto. Este leitor está ausente, enquanto lê, do que ocorre naquela mesa em que se encontra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Aos poucos, Regina foi se dando conta que também ela abstraiu, por instantes, enquanto observava outras pessoas, e enquanto tomava consciência de si, percebia que agarrava fortemente o livro que acabara de receber, como se ele pudesse escapulir de suas mãos. Olhou para o balconista para ver se ele havia percebido sua displicência, mas o rapaz estava entretido em atender outras pessoas e não se dava conta de que ela o estava observando. Depois, olhou para os lados e em nenhum momento percebeu se alguém a observava também. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Com algum alívio, Regina foi-se afastando dali, meditando sobre aquela situação de quase transe. Tomou o caminho de casa, com um leve sorriso de satisfação, enquanto ruminava a imagem do jovem que expressava prazer enquanto lia. Esta imagem permaneceu consigo por um bom tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-934018145612772170?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/934018145612772170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/olhos-presos-ao-livro-livremente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/934018145612772170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/934018145612772170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/olhos-presos-ao-livro-livremente.html' title='OLHOS PRESOS AO LIVRO: LIVREMENTE'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kI_2XBpEH_0/TdsLkFwEoOI/AAAAAAAAAYA/CqiDa8IDlmk/s72-c/livros.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4466814129383229556</id><published>2011-05-16T12:02:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:26:59.598-07:00</updated><title type='text'>OS SEIS SENTIDOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bZ8rAlZXCCI/TdF6PaeWEnI/AAAAAAAAAXQ/Q7UzEQjtfwI/s1600/Sentidos.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607397416276202098" src="http://3.bp.blogspot.com/-bZ8rAlZXCCI/TdF6PaeWEnI/AAAAAAAAAXQ/Q7UzEQjtfwI/s320/Sentidos.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 148px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 180px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O primeiro não consegue se fixar num mesmo lugar, por período superior a três minutos. A roupa incomoda, as pernas cansam, os braços não encontram lugar. É como alguém que não define seu espaço. Atribui sua insatisfação ao fato de que a pessoa com quem namora não lhe dá ouvidos. Quando está com ele parece sempre ausente, distante de tudo, alheia ao que lhe é importante. Às vezes, responde com murmúrios incompreensíveis a perguntas que exigiriam reflexão e alguma argumentação. Outras vezes sequer responde. É como se, simplesmente, não o ouvisse. Este abismo parece não ter início nem paradeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O segundo experimenta sua insatisfação numa dolência que dá dó. Não tem vontade para nada, não consegue dormir bem, mas também não se sente inteiramente acordado para a vida. Sente falta do calor da pele de sua amada. Há meses, ela viajou e não disse nada, nem para onde ia, muito menos quando voltará. A paixão entre os dois está de tal modo ardente que ele desenvolveu uma dependência física do contato com o corpo da namorada. Não deixa de fazer quase nada. Vai ao trabalho, embora não consiga trabalhar. Alimenta-se, mesmo que fora dos horários e &lt;st1:personname productid="em quantidade insuficiente. Vive" st="on"&gt;em quantidade  insuficiente. Vive&lt;/st1:personname&gt; sua carência de contato com o corpo amado, com dificuldades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O terceiro, dantes uma pessoa saudável, praticante de futebol de salão, com dotes atléticos, agora anda amofinado. Diz que não consegue comer nada porque em tudo deseja sentir o gosto do beijo de sua ex-amada, e como ele não encontra correspondência, acaba ele também perdendo o gosto. Enquanto não sentir o tal sabor, nas coisas que o alimentam, não interessa mais nada. Ocorre que a boca da qual sente falta do sabor não mais está com ele, foi embora com um artista de circo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O quarto sofreu uma isquemia e, no decorrer dos procedimentos médicos, acabou ficando sem o olfato. Não sente nenhum cheiro. Imagine que ele agora parece bem, forte e corado, melhor afeiçoado do que antes. No entanto, é de uma tristeza que dá pena. Alegria para quê, se não consegue sentir o cheiro dos alimentos, das coisas à sua volta, o cheiro do mundo. Sonha e tem pesadelos porque as situações que se lhe aparecem em imagem de sonho trazem sempre a expectativa de sentir o cheiro de algo ou de alguém e, no momento seguinte, esta expectativa é frustrada. Acorda desesperado. Vive fazendo tratamentos, dos mais convencionais aos mais exóticos. Remédios homeopáticos, alopáticos, passes em casas espíritas, rezas em benzedeiras, chás de todo tipo. Se, por um lado, não tem conseguido recuperar a capacidade de sentir aromas, por outro, está vendendo saúde. Mas, para ele, isto não é conforto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O quinto desenvolveu uma neurose obsessiva porque, em sua última visita ao médico oftalmologista, apareceu a suspeita de que sofre de uma doença degenerativa incurável que acabará resultando em cegueira. Ainda não há um diagnóstico conclusivo, mas as reações do médico lhe têm trazido preocupações. O tempo inteiro fica a observar as aranhas que surgem &lt;st1:personname productid="em sua vis￣o. Os" st="on"&gt;em  sua visão. Os&lt;/st1:personname&gt; médicos têm dito que estas pequenas aranhas são comuns depois de certa idade, mas ele não se conforma. O que mais o angustia é que as tais aranhas parecem invadir o rosto de sua mulher, no momento mesmo em que se olham com desejo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O sexto meteu-se com práticas esotéricas e deu para pressentir acontecimentos. A morte de alguém próximo. Acidentes de toda ordem: desde o rompimento de um cano na casa do vizinho até o abalroamento de trens e carros, em quase tudo quanto é parte do mundo. No princípio, nunca havia pensado em enveredar por esta área &lt;st1:personname productid="em sua vida. Mas" st="on"&gt;em sua vida. Mas&lt;/st1:personname&gt;, de tanto assistir a programas de televisão sobre rituais esotéricos, acabou ficando fascinado e descobrindo-se um médium com nível elevado de percepções sensoriais pouco explicáveis, a não ser pelo caminho da mediunidade. Mas o que ele não entende é por que isto não lhe traz felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4466814129383229556?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4466814129383229556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/os-seis-sentidos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4466814129383229556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4466814129383229556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/os-seis-sentidos.html' title='OS SEIS SENTIDOS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-bZ8rAlZXCCI/TdF6PaeWEnI/AAAAAAAAAXQ/Q7UzEQjtfwI/s72-c/Sentidos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3067878199292116652</id><published>2011-05-02T11:44:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:05:06.178-07:00</updated><title type='text'>REMISSIVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qiwgjXyHSVU/Tb8AqfnoW3I/AAAAAAAAAXI/DS2MovWSVlc/s1600/Carta.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602197191514413938" src="http://3.bp.blogspot.com/-qiwgjXyHSVU/Tb8AqfnoW3I/AAAAAAAAAXI/DS2MovWSVlc/s320/Carta.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 264px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Teresina, 14 de julho de 2007&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Estimado senhor,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Espero que, quando esta chegar às suas mãos, o encontre gozando de perfeita saúde, juntamente com os seus. Este desejo singelo me serve apenas para iniciar esta nossa conversa, embora, garanto, eu não esteja sendo falsa. Se alguém me perguntasse os motivos por que escrevo “estas mal traçadas linhas”, eu não saberia explicar. No entanto, penso que estou agindo apenas movida pelo sentimento de amizade que lhe tenho, apesar de reconhecer que não temos relações de proximidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Sei que, neste momento, anda sozinho e cheio de preocupações. É justamente neste ponto que eu entendo poder lhe contar algumas coisas, das quais imagino que ainda não se deu conta. Sei bem que a vida nos prega muitas peças e, muitas vezes, foge ao nosso controle. Mas sei também que o senhor não se tem dado o devido cuidado e se acompanhado de pessoas que não merecem sua companhia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Imagine que uma destas pessoas com as quais se tem acompanhado vive a falar mal de sua pessoa. Imagine que se finge de amiga, para ficar mais próxima e conhecer seus hábitos e segredos, para contá-los aos quatro cantos do mundo, como isso lhe desse prazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mas não só isto, o senhor também tem buscado com muito empenho um novo relacionamento, só que tem batido em portas erradas. É óbvio que aquela garota, aquela lá, daquele bairro afastado da zona Leste, não quer nada com o senhor. Diz-se inexperiente e se faz de santa, mas não passa de uma dissimulada. Aquela outra, daquele bairro que tem nome de santa, não é bem uma garota. Não me diga que foi capaz de confundir alhos com bugalhos. Não me diga que não percebeu aspereza na pele do seu rosto. Fiquei um tanto confusa e, ao mesmo tempo, desapontada, ou o senhor é ingênuo, está com excesso de carência afetiva, ou, pior ainda, é chegado. Olhe, para uma pessoa do seu gabarito não fica bem ficar dando em cima de domésticas. Não que não sejam mulheres iguais às outras ou que seja pelo simples fato de serem domésticas, mas porque o que fica parecendo é que o senhor está achando que todas estão à sua disposição, são presas fáceis. Isto não lhe parece preconceituoso, machista e, enfim, desrespeitoso demais? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Estou sabendo que estas viagens inventadas de uma hora para outra é para ir à caça noutras paragens. Nem precisaria se dar a esse trabalho já que por aqui mesmo, pertinho, sem que o senhor se dê conta, há pessoas interessadas num relacionamento seguro, duradouro, sem a necessidade de correr os riscos que o senhor está correndo. E olhe, estou usando a indicação no plural para que o senhor não fique pensando que eu estou me insinuando. Só lhe tenho amizade, nada mais do que isto. A questão é que eu estou atenta e sei das coisas. Se o senhor também atentar melhor para o que acontece ao seu redor, vai perceber sem dificuldades: tem gente de olho. Mas, também, tem gente de olho grande, tenha cuidado com isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Bom, não vou ficar aqui listando as suas investidas em conquistas desastradas, o senhor, melhor do que ninguém, deve saber por onde e com quem tem andado. De qualquer modo, gostaria que soubesse que estou por perto e, como já disse, lhe tenho grande amizade. Mas, só isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Outra coisa, tem aquela história de que o jardineiro tem que cuidar melhor do seu jardim. Pelo que tenho visto, o senhor se veste e se comporta como um homem casado. Ainda anda um tanto quanto largadão. Precisa se cuidar melhor. Tá certo que, quando tem alguém na alça de mira, se arruma direitinho, fica todo perfumado, mas por que tem de relaxar em outros momentos? O senhor há de pensar que esta história de falar de perfume me revela como alguém que está muito próximo. Eu lhe diria que nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Por vezes, as pessoas mais próximas comentam e a gente vai capturando informações entre as amigas, e os amigos também. Homens também prestam atenção e falam bastante. Ah, como falam!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Bom, por enquanto é só isto. Mas, caso eu tenha novidade, breve o senhor estará recebendo outra cartinha minha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Com afeto,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma amiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3067878199292116652?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3067878199292116652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/teresina-14-de-julho-de-2007-estimado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3067878199292116652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3067878199292116652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/05/teresina-14-de-julho-de-2007-estimado.html' title='REMISSIVA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qiwgjXyHSVU/Tb8AqfnoW3I/AAAAAAAAAXI/DS2MovWSVlc/s72-c/Carta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-723022137318256219</id><published>2011-04-24T07:11:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:03:00.857-07:00</updated><title type='text'>GUERRA DE NERVOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-pnvtUDl68lU/TbRP9d5NxCI/AAAAAAAAAXA/gRFaB3IZeNI/s1600/Coletivo.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599188154143589410" src="http://1.bp.blogspot.com/-pnvtUDl68lU/TbRP9d5NxCI/AAAAAAAAAXA/gRFaB3IZeNI/s320/Coletivo.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 227px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A lâmpada acesa atenua a luminosidade advinda da tela do computador. A alma interconectada se alarga e se contrai à medida que vou acessando parceiros do MSN e outros se vão desconectando. Cada parceiro puxa um assunto diferente, e converso, simultaneamente, com vários deles, e alternam-se alegrias, ironias, contrariedades. Nem todo mundo está ali para os mesmos fins. Mas tenho que concluir o texto para a disciplina de amanhã. O Word aberto oferta uma página com dois parágrafos apenas, já há algum tempo. A angústia de não concordar completamente com o que ali está escrito e a urgência de ter que concluir o texto embaralham as sensações à medida que a noite avança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Vez ou outra vem à lembrança as pressões que irão me constranger toda a manhã, no estágio. Estas lembranças vêm misturar-se e agravar o meu mal-estar. A Internet não alivia, mas, como obrigação, não dá para abrir mão do hábito e do papo nem das companhias que transitam e se fazem presentes na travessia da noite. Há pouco tempo para dormir, e mesmo assim este é o tempo que resta para as tarefas do curso universitário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As leituras pela metade, o estágio, os compromissos com o grupo com o qual tenho de elaborar um seminário, a visita ao médico por conta de uma gastrite, o namoro que cobra mais presença, o dinheiro pouco e os atrasos do coletivo... coisas que fazem parte deste momento da minha vida. Uma passada na banca de revista, a caminho do ponto de ônibus, dá para ler as manchetes do dia, nada mais do que isto. Todas elas, sem exceção, já foram lidas na Internet, mas vale a pena confirmar. Há certo prazer de antecipação que, afinal, é um gosto, embora passageiro e sem consequência. Os títulos das matérias não informam muito, mas fazer o que se este é o tempo que eu tenho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Há muito, a vitrina mostra coisas que atraem a minha atenção e despertam meus desejos, e não há como parar para ver com calma, muito menos adquirir alguma coisa. Melhor mudar de assunto para não pintar frustração ou, pior, a depressão. Na noite anterior, enquanto eu teclava com meus parceiros, deu para ouvir vozes alteradas vindas do quarto de casal. Alguma coisa a respeito de dificuldades com educação, problemas financeiros e desentendimentos no modo de conduzir a família. Estas discussões em tom elevado têm-se tornado cada vez mais frequentes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O clima no lugar de trabalho também anda pesado. Os mandatários alegam dificuldades para manter as atividades da empresa por causa da falta de entendimento com fornecedores. Os colegas, apreensivos, comentam pelos corredores que a coisa não anda nada fácil. Há risco de cortes por contenção de despesas. Todo mundo está uma pilha, com os nervos à flor da pele. Mas enquanto não é anunciado nada oficialmente, vão-se tocando as tarefas como se nada estivesse ocorrendo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A turma articula a ida a um show de uma destas bandas do momento, que estará na cidade por estes dias. Marcamos de ir, mas nada é certo ainda. De outras vezes, houve muita bebida, muito amasso e até que foi proveitoso. Atrasa a vida de todo mundo, porque é à noite e nos finais de semana que se fazem os trabalhos das disciplinas, mas o lazer é necessário. Há muito não vejo um filme sequer. Viajar, nem pensar. Só nas férias, caso não precise cobrir a falta de alguém, no trabalho, que está doente, de folga ou foi demitido.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ultimamente, tem-se comentado acerca de problemas com professores do curso que não comparecem as aulas. É verdade que não é agradável que nos desloquemos de tão longe para chegar à universidade e não haver aula, mas as aulas vagas representam um tempo livre que, afinal, aparece e nos dá a oportunidade de atualizarmos a conversa de há muito deixada de lado. Falam também do aumento de alunos por entrada, dizem que o espaço das salas de aula e, especialmente, os laboratórios, já restritos, não conseguirão abrigar a turma toda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Não dá para saber como, exatamente, tais coisas poderão afetar o percurso da minha vida, mas a cada vez falam coisas diferentes e que logo são trocadas, na conversa, por outras ondas de comentários. Assim, não deve haver motivo para preocupações. Na aula anterior, o professor falou alguma coisa como não haver material de consumo para as aulas de laboratório. Isto rendeu alguma indignação na sala de aula, mas na aula seguinte já não se falava mais disto. Não vejo a hora de concluir o meu curso e poder tocar a minha vida.   &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-723022137318256219?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/723022137318256219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/guerra-de-nervos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/723022137318256219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/723022137318256219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/guerra-de-nervos.html' title='GUERRA DE NERVOS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-pnvtUDl68lU/TbRP9d5NxCI/AAAAAAAAAXA/gRFaB3IZeNI/s72-c/Coletivo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1929741707028254413</id><published>2011-04-17T07:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:01:29.205-07:00</updated><title type='text'>OLHO NO OLHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NVoenFbc-WE/TbRPc2V4h3I/AAAAAAAAAW4/OEeQLMt9wrg/s1600/Varal.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599187593770600306" src="http://2.bp.blogspot.com/-NVoenFbc-WE/TbRPc2V4h3I/AAAAAAAAAW4/OEeQLMt9wrg/s320/Varal.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 196px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Foto do autor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Regina anda cismada com um vizinho cuja área de serviço dá para a de seu apartamento. Percebeu que, sempre que ela vai ao quarto de empregada, à lavanderia ou estender a roupa lavada, ele está lavando alguma coisa e olhando para ela. Não é má pessoa, várias vezes ela tem cruzado com ele nos corredores ou no elevador e sempre a cumprimenta, com simpatia. Mas não pode ser coincidência, foi, por experiência, algumas vezes, à lavanderia, sem qualquer necessidade, e lá está ele, aparentemente lavando algo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A situação a está incomodando tanto, que, por outras ocasiões, Regina tem evitado ficar muito tempo ou procurado ir menos à área de serviço. Apartamento tem dessas coisas, você precisa ir aos poucos se adaptando às regras de morar em condomínios e às regras próprias daquele prédio em que você vive. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Vez ou outra alguém liga o som mais alto, num momento em que você está precisando de silêncio para estudar, descansar ou, simplesmente, não está a fim de barulho. Há, ainda, os cães que ladram, insistentemente, na madrugada, acordando quem precisa dormir bem, para acordar cedinho e pegar no batente. Criar cães em apartamento já é uma estupidez, imagine deixá-los sozinhos, muitas vezes, sem alimentação, fazendo com que incomodem o prédio inteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Sem falar naqueles que vão à praia e, na volta, não têm paciência para aguardar o elevador de serviço e sobem cheios de areia, pelo elevador social. Isto, em qualquer dia da semana. Sequer se dão ao trabalho de, pelo menos, limpar o corpo da areia, antes de pegar o elevador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Quem está habituado a morar em casa e precisa viver num prédio de apartamento, de uma hora para outra, carece de algum tempo para se adequar a uma realidade tão cheia de nuances, de particularidades. Outro dia mesmo, o síndico estava reclamando do porteiro que deixou uma moradora invadir a portaria e utilizar o interfone, na maior intimidade. Parece até que estava no sofá de sua casa. Algumas pessoas comentam nos elevadores que porteiro A ou B é cheio de liberdades, com certas moradoras do prédio, no entanto, elas mesmas invadem áreas que não deveriam; não se dão ao respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Regina se mantém na “ponta dos cascos”, como se diz. Não “dá mole”, e, por isto mesmo, não consegue entender nem aceitar a invasão do olhar do vizinho. Por via das dúvidas, deixa as persianas das janelas baixadas o tempo inteiro. Não que tenha percebido qualquer invasão a outras áreas do apartamento, mas é melhor prevenir. Se ali, na área de serviço, onde é tudo tão à mostra aquele olhar é tão invasivo, imagine em lugares e momentos em que ela não está atenta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Por falar nisto, Regina lembra que nunca viu mais ninguém naquele apartamento, além daquele homem que a incomoda com seu olhar direto. Já o encontrou no elevador com outras duas senhoras de meia idade, mas não se lembra de tê-las visto na área interna do apartamento dele. Ele também já não é jovem, deve ter lá seus sessenta ou setenta anos, mas é bem conservado, tem a pele curtida do sol praieiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Embora deixe seu apartamento um pouco mais escuro e com maior dificuldade para secar a roupa, principalmente, no período do inverno, Regina está pensando seriamente em pôr uma cortina que lhe garanta maior privacidade. Como boa nordestina, ela ainda não se acostumou à ideia de achar que o calorão e a claridade do verão carioca sejam, exatamente, tempo bom ou bonito, como dizem. É certo que o brilho do céu tem certo encanto em dias de sol, em especial, à beira-mar, mas os dias chuvosos ou frios também têm o seu charme. A chuva liga aquele lugar ao seu, quando chove é quando mais sente saudade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1929741707028254413?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1929741707028254413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/olho-no-olho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1929741707028254413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1929741707028254413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/olho-no-olho.html' title='OLHO NO OLHO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NVoenFbc-WE/TbRPc2V4h3I/AAAAAAAAAW4/OEeQLMt9wrg/s72-c/Varal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-315661896577457348</id><published>2011-04-09T11:30:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:59:39.641-07:00</updated><title type='text'>UMA AUSÊNCIA PRESENTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fZG1Sg-_Nqg/TaCuSr_bGkI/AAAAAAAAAWg/QeR5uYcFsBw/s1600/vazio.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5593662373263776322" src="http://4.bp.blogspot.com/-fZG1Sg-_Nqg/TaCuSr_bGkI/AAAAAAAAAWg/QeR5uYcFsBw/s320/vazio.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 217px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Lidamos no cotidiano com coisas sobre as quais, raramente, refletimos. Diariamente, muitas vezes por dia, transito pelo corredor que medeia as salas de professor. É mais comum que as portas estejam fechadas, quer pela ausência de seus ocupantes, quer pela necessidade de preservar o clima refrigerado dos condicionadores de ar. O hábito de encontrá-las, deste modo, nos retira o incômodo das questões que preenchem tais lugares. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma destas salas está vazia, ou como diz a música, está cheia de ar. A amiga que a ocuparia está de viagem pela Espanha. O hábito de procurá-la, naquela sala, para conversar, faz com que sua ausência incomode. Passar por ali, observar as lâmpadas desligadas, o escuro que se deixa mostrar pelo vidro acima da porta e o silêncio que vem do interior da sala, me provoca algumas perguntas: quando retornará? O que estará fazendo por terras estrangeiras? O que haverá de si em sua ausência, além das lembranças que nos visitam? Que sentidos existirão numa sala vazia? O que será que o tempo alimenta para além do pó que se assenta sobre os móveis? Enfim, um rosário de questões vai se desfiando a não ter mais fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Depois, o que se apresenta como reconfortante é o fato de que aquela sala é ocupada por minha amiga. Então, de alguma maneira, ela está ali. E, pensando deste modo, vou-me indo pelo corredor estreito, fronteiriço às salas de professor do meu Departamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Então, eu escuto sua voz, com sotaque da Paraíba, e vejo a porta de sua sala abrir e fechar com a constância de quando atendia ali, com atenção, os que aflitos buscavam seu apoio, sua amizade ou seus conhecimentos e seus préstimos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pode ser que sua necessidade de conhecer e de compartilhar suas descobertas esteja sendo remontada, nesse exato instante, lá por onde ela anda agora. Certamente, sua presença e suas inquietações farão instalar outras salas e, do mesmo modo, outros lugares de atendimento, para quem lhe busque. Este fio que nos liga fende-se em vários para ligar muitas outras pessoas que, como eu, descobriram, nesta minha amiga, a graça de sua generosidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Este fio que nos une aponta seu lugar e apresenta sua presença, estando ela presente ou não. Tem pessoas que são assim, sempre estão conosco onde quer que estejam. O que percebemos disto tudo é que o silêncio, o escuro, a porta fechada e a sala calada dizem muito de uma presença que preenche o vazio. Dizendo de outra forma, ainda para referir a música de Gil, uma sala vazia não apenas está cheia de ar, está também cheia de lembranças, daquilo que guardamos ao recordar alguém, naquele lugar. Ou, de outra maneira, está cheia de detalhes nossos, que investimos ou que imaginamos ser de outra pessoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A cada sala corresponde um número, o número é um operador de referências. É com ele que remetemos o que quer que seja para algum lugar. O número é o indicador de um lugar vazio que se apresenta como espaço de uma presença que está em cada um de nós. A sala guarda suas coisas como se cuidados tivesse, por afinidade ou por recomendação. E não há modo diferente de pensá-la, a não ser que abriga impressões de ausência com a mesma delicadeza de que presença fosse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O corredor é apenas o caminho por onde logo há de chegar, a qualquer momento, uma amiga que está de viagem. É o espaço por onde transito inúmeras vezes ao dia, todos os dias, e onde dou de cara com a porta fechada. A sala fechada. A sala vazia, escura e silenciosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-315661896577457348?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/315661896577457348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/uma-ausencia-presente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/315661896577457348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/315661896577457348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/uma-ausencia-presente.html' title='UMA AUSÊNCIA PRESENTE'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fZG1Sg-_Nqg/TaCuSr_bGkI/AAAAAAAAAWg/QeR5uYcFsBw/s72-c/vazio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4808344016072025288</id><published>2011-04-03T11:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:58:16.230-07:00</updated><title type='text'>O QUE FICA E O QUE SE VAI</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--_SQOQuwyFE/TZi9ksnt6fI/AAAAAAAAAWY/FMiXn2yIToI/s1600/O%2Bque%2Bfica...jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5591427375531158002" src="http://2.bp.blogspot.com/--_SQOQuwyFE/TZi9ksnt6fI/AAAAAAAAAWY/FMiXn2yIToI/s320/O%2Bque%2Bfica...jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 190px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 177pt; text-align: right; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;Quando lhe fugira a celeste visão, o mancebo foi seguindo com o passo e com os olhos o carro que levava sua alma presa àquele rosto encantador. O passo era rápido e o olhar ardente; um ansiava por chegar; o outro quisera atrair pela força da paixão, pelo ímã das centelhas magnéticas que desferia a alma &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 177pt; text-align: right; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;A Pata da Gazela).&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 177pt; text-align: right; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 12px;"&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 30pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;                                                                                 José de Alencar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A inteireza das coisas é tecida de equívocos e de impressões. Na verdade cada unidade é constituída de inícios, reinícios, finais e transcendências. Um dia, iniciado depois de outro que findou, carrega consigo, na fronteira entre um e outro, os interstícios das passagens que não se consolidam em extremidades, nunca. Um amor que termina vai ainda, por muito tempo, esmaecer. Outro que inicia, transcenderá em fios ralos de princípios, em simultaneidade com os restos do ainda é. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Assim é a vida. O nascimento aciona o destino iniciado e outros inícios, que lhe estão conjugados: a experiência da maternidade e da paternidade, a irmandade e outros laços afetivos que daí derivam. Algumas vezes, podem até deslanchar rompimentos traumáticos. Os planos para o futuro se ajustam, desde o começo, em momentos conclusivos e reinícios inseguros. E a conclusão de um projeto exige, de imediato, o começar de outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma flor abre suas pétalas, pacientemente, como se aguardasse a desatenção de quem a observa, para se apresentar, de repente, em todo o seu esplendor. Entre condição de botão e o seu estágio final de flor, a transcendência de instantes, em medidas de tempo mínimas e, no entanto, absolutamente seculares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma rocha, observada demoradamente por alguém, não revela o seu processo de deixar-se de ser, de ser de outro modo, de acumular novos resíduos e largar outros em fragmentos que parecem se constituir em elementos diferentes do seu ser anterior, desiguais em tudo do seu estado recém-passado. A fotografia, que consegue paralisar a imagem de um instante, é o único meio de mostrar tal estágio de algo. A rigor, não percebemos o movimento por que passam as coisas em suas transmutações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As trocas constituem mudanças de situações e provocam impressões de muitas naturezas. A roupa trocada pode ser entendida como a possibilidade de apresentação do mesmo, de outro modo. Pode servir ao interesse de constituir um corpo novo, renovado, melhor apresentado. A própria roupa a ficar no cabide ou a revestir o corpo tem suas relações de sentido alteradas, conforme a ocasião e o seu estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A troca, no sentido mercadológico, estabelece uma espécie de pacto de equivalência. Desde o escambo é assim, quem dispõe de um bem e carece de outro deseja trocar algo que tem para adquirir aquilo de que tem necessidade. Uma vez efetuada a troca, com acréscimo de retorno para um dos lados ou, sem acréscimo algum, produz a impressão de equivalência, embora cada um dos negociantes possa, particularmente, ficar com a impressão de ganho ou perda. Mas, ao final, realizada a troca, deve restar a exata compreensão de que algo que faltava foi adquirido e algo que sobrava já não sobra mais do mesmo jeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As trocas de carinho entre pessoas que se relacionam afetivamente têm significados diferentes conforme os interesses recíprocos. Aqui não serão enumeradas as diversas situações e os interesses correspondentes. Desejamos apenas ressaltar que estas trocas se dão também com possibilidade de níveis de satisfação diferenciados, o que pode deixar um dos parceiros mais ou menos satisfeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Por fim, todos os tipos de troca são marcados por aquilo que, desde o início deste texto, temos buscado tratar. As impressões de completude e as faltas que se produzem no transcurso de uma compreensão sobre algo e, ainda, como a mobilidade modifica as coisas no mundo, às vezes, sob a impressão de imobilidade. Que a plenitude é uma ideia sobre a qual se interpõem muitos outros aspectos de vazios, lacunas, ausências, particularidades etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ao deslocar algo de um lugar para outro estamos preenchendo um vazio num local e esvaziando outro. Produzimos, portanto, uma nova realidade, e nesse deslocamento, o atrito ou a resistência produz desgaste, por vezes, imperceptível. Ao abandonar um projeto, uma ideia ou alguém, deixamos de ter aquilo que abandonamos. E tal abandono cria a possibilidade de buscarmos preencher o lugar vago por outra coisa e, ao mesmo tempo, aquilo que foi abandonado há de ser apropriado por outra pessoa ou ligado a outra coisa, outra situação. O olhar de agora se depara com a surpresa do que, no passado, foi visto de outro modo. Na memória, a imagem guardada daquilo que já não é mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4808344016072025288?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4808344016072025288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/quando-lhe-fugira-celeste-visao-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4808344016072025288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4808344016072025288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/04/quando-lhe-fugira-celeste-visao-o.html' title='O QUE FICA E O QUE SE VAI'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--_SQOQuwyFE/TZi9ksnt6fI/AAAAAAAAAWY/FMiXn2yIToI/s72-c/O%2Bque%2Bfica...jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4174228695745005183</id><published>2011-03-26T12:24:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:56:37.001-07:00</updated><title type='text'>O FIM DE TUDO O QUE SE BUSCA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-muX7zzboRc0/TY5EzMwILGI/AAAAAAAAAWI/mDpHT3z46JE/s1600/vinho_e_poesia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588479834000469090" src="http://1.bp.blogspot.com/-muX7zzboRc0/TY5EzMwILGI/AAAAAAAAAWI/mDpHT3z46JE/s320/vinho_e_poesia.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 254px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A livraria, a porta aberta, os livros enfileirados nas prateleiras. Cada um deles a dizer-se mudo enquanto alguém não se achegue e ponha-se a ver-lhes as páginas abertas, perscrutando a intimidade das palavras. Estimulando os sentidos a fazerem-se sentir-se, no mais das vezes, ao roçar da visão. O jovem, tendo à mão um vinho tinto, passa os olhos em busca de algo: um título, um autor, um sem saber que busca sempre quando se dá conta de estar numa livraria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas esta é uma situação especial, antes de decidir comprar o vinho, deu-se a confirmar, pelo celular, o encontro muitas vezes marcado e adiado sempre, com uma pessoa, há muito desejado. De vez em quando, carece trocar a garrafa de mão para enxugar o suor que friamente umedece a palma das mãos. De livro a livro visto, percorrendo as prateleiras, para em Florbela Espanca. Lê uns dois sonetos e, a seguir, trechos de sua vida atribulada. Maria Toscano, a esposa do João Maria Espanca, não podia ter filhos. João Maria, valendo-se, então, de uma antiga regra medieval que lhe dava direito a ter filhos com outra mulher quando a esposa não pudesse ter filhos, procurou Antônia da Conceição Lobo, com quem teve Flor Bela Lobo e mais outro filho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;“Florbela D’Alma da Conceição Espanca casa-se três vezes, publica em vida dois livros, apresenta sinais sérios de neurose. E, às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário, suicida-se”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Repõe o livro na prateleira, pensa em filosofia, dá-se conta que tem às mãos um livro de Voltaire:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;François-Marie Arouet – escritor, ensaísta e filósofo iluminista francês –,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif;"&gt;mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Fica a ler trechos e vai tomando conhecimento da voracidade de um escritor pela escrita, da diversidade de temas tratados e como produzia feito uma máquina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas ainda não é esta abordagem filosófica que deseja associar ao vinho que tem em mãos. Continua sua busca e, ao tentar repor o livro de Voltaire na prateleira, cai-lhe na cabeça outro livro, sem qualquer explicação aparente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Agacha-se para apanhar o livro ao chão, ainda zonzo. É um livro de Fernando Pessoa, “Toda Poesia”. Conhece bem o poeta, mas naquele momento não imaginava nada assim, não tinha pensamento em Fernando Pessoa. Mas, aproveitando para paginar o livro, vai-se dando conta que bem poderá ser aquele o que procura. Passa pelos heterônimos: Alberto Caeiro (Sinto-me nascido a cada momento/Para a eterna novidade do Mundo...); Ricardo Reis (Assim em cada lago a lua toda/Brilha, porque alta vive); e Álvaro de Campos (Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã... /Sim, talvez só depois de amanhã...).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Certificou-se, é mesmo este livro que deseja. Busca com os olhos alguém que venha atendê-lo. Não tendo ninguém por perto, vai à procura do caixa. No percurso, uma vendedora lhe pergunta se encontrou o que buscava, ao que ele confirma. Ela pede o livro, retira qualquer coisa da última pagina, põe-lhe uns marcadores de leitura e o acompanha ao caixa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O trânsito daquela tarde está leve e logo se vê chegando em casa. Ao chegar à portaria do prédio, o porteiro lhe avisa que alguém pegou a chave e o espera no apartamento. Ele sabe exatamente quem é. Toca a campainha e a porta se abre quase que por magia. Um abraço demorado, um beijo idem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Naquela noite, se realizará, a cada momento, um dos encontros adiados até que se cumpram e se atualizem todos eles. Em cada um, conversarão sobre coisas sem importância como a seguir um rito de paciência e prazer. Muitos abraços, muitos beijos, muitos toques. E sentar-se-ão à beira da cama, ouvindo “La mer” e muito mais Debussy. Mas, antes de qualquer coisa, será Fernando Pessoa quem declamará seus versos e os servirá na bandeja, com vinho: “Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as/No colo, e que o seu perfume suavize o momento/Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,/Pagãos inocentes da decadência”. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4174228695745005183?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4174228695745005183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/o-fim-de-tudo-o-que-se-busca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4174228695745005183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4174228695745005183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/o-fim-de-tudo-o-que-se-busca.html' title='O FIM DE TUDO O QUE SE BUSCA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-muX7zzboRc0/TY5EzMwILGI/AAAAAAAAAWI/mDpHT3z46JE/s72-c/vinho_e_poesia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6552857678144849738</id><published>2011-03-20T07:04:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T09:53:46.923-07:00</updated><title type='text'>O ACASO, O PREVISÍVEL E O DESTINO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KMKzNCmsLNM/TY5IXznE7gI/AAAAAAAAAWQ/NY5-r9FN7dQ/s1600/Acaso1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588483761441664514" src="http://4.bp.blogspot.com/-KMKzNCmsLNM/TY5IXznE7gI/AAAAAAAAAWQ/NY5-r9FN7dQ/s320/Acaso1.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 211px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O acaso se apresenta como de susto, à revelia do traçado. Pode ser que assim nos faça cruzar com alguém que não esperamos, num lugar improvável. Pode ser que este alguém nos traga alegria, recordações, abraços, beijos (talvez). Pode ser que não, que nos traga tristeza, lembranças que desejamos esquecer, ameaças de toda ordem. Pode ser que seja alguém que nunca vimos e que, por acaso, se torne uma pessoa frequente em nossa vida, dali por diante. Pode ser que não, pode ser que apenas passe por ali, no mesmo momento, em que passamos e nunca mais nos vejamos de novo. O acaso nos surpreende com suas incertezas estáveis. As coisas no mundo podem ser explicadas pela previsibilidade de ocorrência a partir de um número mensurável de dados, de certo grau de incertezas e indeterminações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ao virar uma esquina, ao erguer a cabeça, ao entrar ou sair de um bar, uma igreja, uma loja, uma escola, uma praia... A qualquer momento podemos dar de cara com o acaso: um sorriso, uma indiferença, uma tristeza, por acaso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Há quem não goste de surpresa: sai de casa de caso pensado, lista na mão ou o roteiro na memória, a cumprir o traçado igualzinho ao que foi imaginado. Todos os dias percorre os mesmos caminhos, encontra as mesmas pessoas, enfrenta problemas semelhantes e alegra-se, porque vivendo assim se sente mais seguro de si, vive sem sustos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Há quem alimente as mesmas dúvidas por anos a fio. Na hora de decidir, adota as mesmas decisões como se as tomasse pela primeira vez. Marca o livro de leitura nas mesmas páginas, recorre ao fim de cada capítulo para verificar o que virá, após ter lido o mesmo número de páginas. Espera que algo ocorra a partir de determinadas ocorrências que, em geral, precedem tal possibilidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Existe um desejo matemático de assegurar-se, de ter nas mãos as rédeas de sua vida, de seu destino. Cada um é responsável por si e dono de suas ações. A não ser que, vez ou outra, se permita deixar umas doses a mais desguiarem de seu trilho. Aí é outra história. Uma pessoa assim tem a impressão de ter o controle da situação, de ditar as regras que regulam atos e fatos sobre si. Mesmo nos momentos em que a situação foge ao seu controle e se impõe provocando reformulações de planos e trajetos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas há os que entregam nas mãos de Deus a sua sorte. Fazem e acontecem, mas não se reconhecem como guias de suas condutas. Deus tem todos os méritos e todas as culpas. Se bem que não se deve falar em culpa, porque quando acontece de algo sair diferente de sua crença, aqueles imaginam que Deus os está penitenciando por alguma coisa que não sabem exatamente qual. Ou, por outra, está testando sua fé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Há também quem chame Deus de destino. E neste ponto se estabelece uma polêmica. Pode ser que exista, de fato, o destino: tudo está escrito, caminhamos inexoravelmente em direção ao que nos está reservado. Por mais que façamos para desviar o rumo, até isto está previsto. Pode ser que destino não exista e caiba a cada um traçar sua rota com cautela e responsabilidade. Imagine se alguém que tem consciência de seus atos vai entregar sua vida nas incertezas de um destino. Nem pensar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O destino é apenas aquele ponto para onde nos direcionamos: a pé, a cavalo, de carro ou de avião. É representado por aquele texto à frente dos transportes de massa que faz com que cada um, ao final do expediente, tente identificar, no luminoso o lugar a que se destina. O abrigo a que nos devem conduzir ao conforto do lar, ao ponto marcado para o encontro, enfim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;No entanto, sobra a dúvida persistente:  Será que existe destino? Será mesmo que tudo o que fazemos é para cumprir as determinações do tal destino? Por via das dúvidas, é bom que a gente saiba que o destino, embora não existindo, consegue nos levar aonde é de sua vontade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6552857678144849738?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6552857678144849738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/o-acaso-o-previsivel-e-o-destino_20.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6552857678144849738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6552857678144849738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/o-acaso-o-previsivel-e-o-destino_20.html' title='O ACASO, O PREVISÍVEL E O DESTINO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KMKzNCmsLNM/TY5IXznE7gI/AAAAAAAAAWQ/NY5-r9FN7dQ/s72-c/Acaso1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3588403396137285508</id><published>2011-03-12T05:37:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:51:26.450-07:00</updated><title type='text'>NON ULTRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Ov6UOxyZADw/TXugksvd3UI/AAAAAAAAAVg/haHuPqkM8h4/s1600/por_do_sol%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583232715401846082" src="http://1.bp.blogspot.com/-Ov6UOxyZADw/TXugksvd3UI/AAAAAAAAAVg/haHuPqkM8h4/s320/por_do_sol%255B1%255D.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Fim de tarde, a artista pinta sua obra mais perfeita. Trêmula, empunha grosso pincel. Os pelos embebidos chicoteiam em fúria a pele calma da tela. A tinta impregna-se em lanhos, ganhos de alma e cor. A obra rascunhada se transforma, arrisca-se, revela com habilidade o dom da criação. A imaginação dá a senha, e o resto se desenha no toque de suas mãos mágicas. De tal modo executa seu trabalho, que nem se dá conta do quanto de si já migrou para as cores das tintas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O corpo se contorce e se debate, ora para um lado, ora para o outro. Boca seca, pele seca, tempo úmido. Coisas ditas entre os dentes, sussurros desconexos. Pela segunda ou décima vez, repete o movimento com o mesmo ímpeto incontrolável. É assim que surpreende e parece óbvia demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A tarde queima. Um soluço intermitente. O desejo pulsa dentro da escuridão, eriçado, hirto. Cala a vez do próximo e as mãos deslizam pelo corpo em pelo. A pele hirsuta ilha-se em meio ao mundo posto ao alcance. A boca fria ofega em delírios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Divino, maravilhoso, estado de grande excitação. Cada gesto é novo, é inesperado, mas enche o mundo de grandeza. Parece que canta enquanto pinta a tarde, parece que chora em seu murmúrio de êxtase. Parece que tem anos de ensaios, porque cada gesto é preciso, embora perturbador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Às vezes é fúria, por outras, é simples e suave como se regesse uma sinfonia. E sua alma transparece no movimento do corpo como um frenesi de um prazer extremo. Afetos afeitos ao ríspido açoite vão se impregnando de tensão, pela frequência com que ocupam espaço e tempo, inexoravelmente. O que parece brusco se converte em delicadeza. Seu talento renova a arte em tudo àquilo que parece conhecido de há muito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Resplandece um jardim formoso como um lugar pleno de felicidade. O centro dos olhares, o gozo iluminado em que se contemplam todos os detalhes do trabalho até ali empreendido. A aparência do instante materializado traz também uma dualidade contraditória ou paradoxal: conforta e desestabiliza. Conforta porque atende as expectativas e demonstra segurança, mas desestabiliza porque é única e irreversível. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;No meio da tarde, uma pergunta se põe como inevitável: depois de tudo, então, o que será das outras tardes que se enfileiram em sua necessária trajetória, mas que não contam com o mesmo furor criativo? Nem bem se delineiam os traços conclusivos e já se há de perguntar pelo que virá depois. Como se o acontecer acontecendo nos fizesse vislumbrar uma saudade, uma ausência. Ou, talvez melhor, uma falta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A artista não se dá conta deste ponto de fuga que se interpõe ante seu furor de perfeição. Subjaz ao tempo um lugar como cenário e suas cenas, a despeito do que nos damos conta. O início, que principia o fim (em toda a sua ambivalência), ainda é expectativa, mas o final em curso já manifesta sua falta. Pode até ser que tal falta, logo depois, nem seja tão importante assim. É, ainda, no correr do término que esta defasagem se manifesta com maior força. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A tarde em tela se concretizará como narrativa para quem tiver a oportunidade de contemplar a pintura. Mas, de verdade, jamais será a mesma tarde. No momento mesmo em que arde o dia, a pintora faz parte de um detalhe a mais, compõe o cenário com sua cena de pintura. Isto a obra não recupera. Também esta ausência estará sempre presente. Mas talvez a obra mais viva e forte seja aquela que a memória guarda. Esta, junto com todas as emoções de vida, prescindirá da tela porque é outra obra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O pintar reacende o desejo da pintura para a pintora, porque ela mesma é a realização da sua obra, única e admirável. Aperta o pincel entre os dentes como a senti-lo lâmina sem retorno. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3588403396137285508?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3588403396137285508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/non-ultra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3588403396137285508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3588403396137285508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/non-ultra.html' title='NON ULTRA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ov6UOxyZADw/TXugksvd3UI/AAAAAAAAAVg/haHuPqkM8h4/s72-c/por_do_sol%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-1615282949245223395</id><published>2011-03-05T08:33:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:49:54.116-07:00</updated><title type='text'>ECO DE NARCISO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XTdjlcaAt_U/TXKSM3qewMI/AAAAAAAAAVA/GcezwrMQKKI/s1600/Narciso1%2B%25281%2529.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580683638063677634" src="http://2.bp.blogspot.com/-XTdjlcaAt_U/TXKSM3qewMI/AAAAAAAAAVA/GcezwrMQKKI/s320/Narciso1%2B%25281%2529.JPG" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 209px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Atualmente cultuamos tanto a beleza física, voltados para nós mesmos, que não enxergarmos quem está em volta. Mas quem está em volta também está olhando para si. Neste cenário, a imagem no espelho se constitui na alteridade. É na fronteira entre aquilo que somos essencialmente e aquilo que desejamos ser e que o espelho denuncia, que se constitui a imagem do outro a quem buscamos pertencer, desejamos ser. A encruzilhada auto-reflexiva revela e resvala o narcisismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Diz o mito que Narciso, &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;filho do deus Céfiso e da ninfa Liríope, fora sentenciado a viver sem se comtemplar. Tirésias previu, no dia do seu nascimento, que Narciso teria vida longa, desde que jamais contemplasse a própria imagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O dilema da contemporaneidade &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;é não enxergarmos o outro, justo porque estamos voltadas para nós mesmos. Talvez seja este aspecto um dos motivos do sentimento de solidão que marca a atualidade. É como se cada um de nós, apesar de se encontrar num coletivo, estivesse voltado para si, sem conseguir ver o outro, tendo que perguntar, como Narciso, na floresta: “Há alguém aqui?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Embora sozinhos, estamos condenados a ouvir apenas detalhes do apelo do outro, deste modo, é como se a fala do outro soasse como a voz de Eco, a ninfa que se apaixona por Narciso, que, num diálogo no interior de uma floresta, só consegue ecoar o que sobra, o final do que é dito. E, respondendo a Narciso, Eco repete “Aqui”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;É evidente que se desenrola, a partir de então, um diálogo entre desconhecidos, como uma espécie de situação muito semelhante ao que ocorre nos dias de hoje. Eco vê Narciso e está encantada por ele, mas Narciso não a vê. Não a vê, mas insiste em interpelá-la, convidando-a a aproximar-se: “Vem!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Cada um aciona seu desejo de se comunicar sob uma perspectiva particular: Narciso, que se encontra sozinho, e Eco, que deseja o seu amor. Quando Eco ecoa a fala de Narciso, o faz como uma resposta e, portanto, como se seu desejo anulasse a condição de Narciso não saber de si. Deste modo é que repete “Vem!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A interpelação que faz Narciso, a seguir, é ainda mais propícia a quem deseja, porque no seu desejo desconhece a distância ou as impossibilidades. “Por que foges de mim?” É, então, a vez de Eco, repetir o final desta pergunta: “Foges de mim”. Há aí o equívoco em que ambos, no processo de diálogo, se dirigem a pessoas diferentes daquela com quem, de fato, dialogam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Conforme a determinação do sentimento de solidão, Narciso manifesta seu desejo de companhia, e convida, então, a quem lhe responde para juntar-se a ele: “Vamos nos juntar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Claro, quem quer que estivesse já predisposto a querer outra pessoa, ouvindo um convite, nestes termos, tomaria a decisão de aceitar, sem pestanejar. Assim procede Eco, sem contar que sua aproximação pudesse ser repelida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Só que Narciso recusa sua aproximação, quando percebe que Eco o deseja. E a repele com veemência:  Afasta-te!  exclama, recuando. E declara, para tristeza de Eco: “Prefiro morrer a te deixar possuir-me”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Finalmente, Eco se dá conta do equívoco, mas como não lhe é dado dizer nada além de repetir o final dos enunciados, cumpre sua obrigação e repete apenas “Possuir”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Tantas coisas podem ser ditas com relação a este mito. Aqui, por enquanto, queremos apenas falar deste diálogo entre nós, em que parecemos estar voltados para nosso próprio umbigo, ou, noutro momento, não conseguimos falar tudo o que sentimos porque não temos tempo ou porque temos limitações na capacidade de expressão ou, ainda, porque sequer sabemos o que desejamos dizer.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-1615282949245223395?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/1615282949245223395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/eco-de-narciso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1615282949245223395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/1615282949245223395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/03/eco-de-narciso.html' title='ECO DE NARCISO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-XTdjlcaAt_U/TXKSM3qewMI/AAAAAAAAAVA/GcezwrMQKKI/s72-c/Narciso1%2B%25281%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-3863891062104596625</id><published>2011-02-26T10:57:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:47:54.119-07:00</updated><title type='text'>NA OUTRA LINHA, PARÁGRAFO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CWSHj8z-1OE/TXKYrG-mmUI/AAAAAAAAAVQ/n3W_aW6QU3Y/s1600/Chuva.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580690754640451906" src="http://3.bp.blogspot.com/-CWSHj8z-1OE/TXKYrG-mmUI/AAAAAAAAAVQ/n3W_aW6QU3Y/s320/Chuva.JPG" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 182px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: none; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;CIGARRO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: none; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CKowYtS8-e0/TWlOdM0M_HI/AAAAAAAAAUo/aNje5jAzTyM/s1600/Emba%25C3%25A7ado.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;Olho a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;noite&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;vidraça&lt;/span&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;beijo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;passa&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;acende uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;estrela&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Guilherme de Almeida&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O &lt;st2:dm st="on"&gt;ruído&lt;/st2:dm&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuva&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; desperta, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;retira&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:dm st="on"&gt;disposição&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hdm st="on"&gt;levantar&lt;/st2:hdm&gt;. É &lt;st1:verbetes st="on"&gt;contra&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vontade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; saio da &lt;st2:dm st="on"&gt;cama&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;direção&lt;/st2:dm&gt; ao &lt;st1:verbetes st="on"&gt;banheiro&lt;/st1:verbetes&gt;. Ligo o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuveiro&lt;/st1:verbetes&gt; e a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;água&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fria&lt;/st1:verbetes&gt; dói na &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pele&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;alma&lt;/st1:verbetes&gt;. A &lt;st1:verbetes st="on"&gt;preguiça&lt;/st1:verbetes&gt; aos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;poucos&lt;/st1:verbetes&gt; vai &lt;st1:verbetes st="on"&gt;embora&lt;/st1:verbetes&gt; e o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sono&lt;/st1:verbetes&gt; resistente apazigua o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;molhado&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st2:dm st="on"&gt;Após&lt;/st2:dm&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ritual&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;banho&lt;/st1:verbetes&gt; e do banheiro, sento à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hdm st="on"&gt;tomar&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;café&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes st="on"&gt;café&lt;/st1:verbetes&gt; quentinho reanima a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;manhã&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuvosa&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Olho&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuva&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;intensa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lava&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;inteira&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Novamente&lt;/st1:verbetes&gt; sinto &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vontade&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:hm st="on"&gt;voltar&lt;/st2:hm&gt; à &lt;st2:dm st="on"&gt;cama&lt;/st2:dm&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Empurro-me &lt;st2:dm st="on"&gt;para&lt;/st2:dm&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;carro&lt;/st1:verbetes&gt;, ligo o &lt;st2:dm st="on"&gt;motor&lt;/st2:dm&gt; e o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;rádio&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chora&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;canção&lt;/st1:verbetes&gt; encharcada. O &lt;st1:verbetes st="on"&gt;carro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lenta&lt;/st1:verbetes&gt; sabe &lt;st2:dm st="on"&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;caminho&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Tomo&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;avenida&lt;/st1:verbetes&gt; enevoada e vou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;adiante&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Muitos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outros&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;carros&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vão&lt;/st1:verbetes&gt; devagarzinho numa &lt;st2:dm st="on"&gt;procissão&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;metálica&lt;/st1:verbetes&gt;.  &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Ninguém&lt;/st1:verbetes&gt; parece &lt;st2:hdm st="on"&gt;ter&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pressa&lt;/st1:verbetes&gt;, nenhuma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;pressa&lt;/st1:verbetes&gt;. De &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vez&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;locutor&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;emissora&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;rádio&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;gagueja&lt;/st1:verbetes&gt; umas &lt;st1:verbetes st="on"&gt;notícias&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;importância&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Primeira &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Primeira&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Assim&lt;/st1:verbetes&gt; vão-se arrastando &lt;st1:verbetes st="on"&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;longo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;filas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;paralelas&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;carros&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;escolho&lt;/st2:dm&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;faixa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lenta&lt;/st1:verbetes&gt;. Angustia-me &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; as outras consigam &lt;st2:hm st="on"&gt;ir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;adiante&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;enquanto&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fila&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; estou amorrinha-se. O &lt;st2:dm st="on"&gt;limpador&lt;/st2:dm&gt; de parabrisa inquieta-se num vai e vem &lt;st1:verbetes st="on"&gt;frenético&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;dias&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuva&lt;/st1:verbetes&gt;, as &lt;st1:verbetes st="on"&gt;músicas&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st1:verbetes st="on"&gt;rádio&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; têm a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;menor&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;graça&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Nem&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;gagueira&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;locutor&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;noticiário&lt;/st1:verbetes&gt;. É &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tudo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;aborrecido&lt;/st2:dm&gt;, entediante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Primeira &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Primeira&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;freio&lt;/st1:verbetes&gt;. Ligo o desembaçador e estranho, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;porque&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; parece &lt;st2:hm st="on"&gt;fazer&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;qualquer&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;efeito&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vidro&lt;/st1:verbetes&gt; embaçado acinzenta &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;paisagem&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Faz &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; percorro a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;casa&lt;/st1:verbetes&gt; ao &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lado&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Tudo&lt;/st1:verbetes&gt; se alonga &lt;st1:verbetes st="on"&gt;além&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;medidas&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes st="on"&gt;locutor&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;gago&lt;/st2:dm&gt; dá &lt;st2:dm st="on"&gt;conta&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuva&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; molhou a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;noite&lt;/st1:verbetes&gt; e encharca a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; desabrigou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;famílias&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st2:dm st="on"&gt;zona&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;norte&lt;/st2:dm&gt;, na &lt;st1:verbetes st="on"&gt;região&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes st="on"&gt;olarias&lt;/st1:verbetes&gt;. Vem à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;memória&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;drama&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;recente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;autoridades&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;governamentais&lt;/st1:verbetes&gt; discutiam nas TVs, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; repercussão &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;jornais&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; seria a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;responsabilidade&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:hm st="on"&gt;restituir&lt;/st2:hm&gt; a tranquilidade de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;famílias&lt;/st1:verbetes&gt; desabrigadas no &lt;st1:verbetes st="on"&gt;inverno&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;passado&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; sou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; repete esta história, é a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;história&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; adora uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;repetição&lt;/st1:verbetes&gt;, diz a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;canção&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;popular&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Primeira &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Primeira&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;segunda&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Eu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;escolho&lt;/st2:dm&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;faixa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lenta&lt;/st1:verbetes&gt;. Ouço &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;rios&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; atravessam a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cidade&lt;/st1:verbetes&gt; ameaçam &lt;st2:hdm st="on"&gt;transbordar&lt;/st2:hdm&gt;. A &lt;st1:verbetes st="on"&gt;água&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;busca&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;céus&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;forma&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vapor&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;estado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;líquido&lt;/st2:dm&gt;. O &lt;st2:dm st="on"&gt;rio&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;carros&lt;/st1:verbetes&gt; se arrasta há horas. A &lt;st1:verbetes st="on"&gt;chuva&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;aumenta&lt;/st1:verbetes&gt; e o &lt;st2:dm st="on"&gt;limpador&lt;/st2:dm&gt; de parabrisa agita-se &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt;. Os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;semáforos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;apagados&lt;/st1:verbetes&gt; denunciam a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;falta&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;energia&lt;/st1:verbetes&gt;. Os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cruzamentos&lt;/st1:verbetes&gt; ficam confusos e o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;caos&lt;/st1:verbetes&gt; se instala de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vez&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Paciência&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;muito&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cuidado&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Segunda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marcha&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;primeira.&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Freio&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-3863891062104596625?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/3863891062104596625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/na-outra-linha-paragrafo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3863891062104596625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/3863891062104596625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/na-outra-linha-paragrafo.html' title='NA OUTRA LINHA, PARÁGRAFO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CWSHj8z-1OE/TXKYrG-mmUI/AAAAAAAAAVQ/n3W_aW6QU3Y/s72-c/Chuva.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6996062673370002471</id><published>2011-02-19T04:24:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:42:38.446-07:00</updated><title type='text'>O IMPÉRIO DA INSENSATEZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-X7376tTqviQ/TV-_tKb5jcI/AAAAAAAAAUg/q50-Hx2xCjk/s1600/violencia-ii1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575385646324354498" src="http://3.bp.blogspot.com/-X7376tTqviQ/TV-_tKb5jcI/AAAAAAAAAUg/q50-Hx2xCjk/s320/violencia-ii1.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 213px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma bala disparada a esmo não escolhe alvo, tanto pode atingir uma criança no inesperado do tempo quanto o usuário de drogas que financia a arma que a dispara. O pavor da violência se detém na barreira da irracionalidade. Ninguém nunca explica quem, em última instância, financia o tráfico e suas ações violentas. Não houvesse consumo não haveria produção e muito menos distribuição. Pior ainda, se a droga custa caro, consome quem tem dinheiro. A chamada elite, apodrecida, ergue muros ao redor de si, instala câmeras em cada esquina, mas refugia-se nos guetos, nas orgias privadas, para consumir sua encomenda de primeira ordem. Não importa o quanto custe. Não interessa a que preço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Rebeldes nem tão poderosos assim imitam alegremente a cena deprimente da fuga sem sentidos. Pó e fumaça alimentam almas assombradas, a caretice dos uniformes e paramentos ostenta a moral e o racionalismo, da boca para fora. É muito larga a zona fronteiriça em que se separam e intersectam-se as linhas de interesses opostos ou divergentes. Batinas, fraques, fardões, sobretudos, longos, togas e galões esbarram-se em corpos dopados nos sombrios sobrados dos negócios escusos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mundos diferentes, cores adversas, destinos invertidos estabelecem tréguas e firmam pactos de não agressão; por instantes, deleitam-se em seus motivos. Uns escancaram risos, limpam as narinas fedorentas, outros contam o apurado do dia e riem o riso incomum da insensatez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Morrem jovens na guerra do tráfico. Morre a polícia de inanição. Morre a autoridade do Estado de estupefação. A droga adquire vida própria, mobiliza exércitos de traficantes, de todas as idades. A criança na lida do tráfico sinaliza sua perseverança, sua resistência. Mobiliza procissões de consumidores, como sonâmbulos que obedecem a uma ordem superior a que não conseguem resistir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ninguém nunca explica quem, em última instância, financia o tráfico e suas ações violentas. Como querer que os donos das armas abram mão do direito de continuar empunhando-as livremente? Como querer que o crime criativo, que a cada momento oferece uma droga nova, um produto mais atraente no mercado, desarme-se? A arma ostentada nos meios de comunicação a cada momento é um troféu que se exibe em vitória da irracionalidade sobre a vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O usuário de drogas coloca cada um de nós numa roleta russa, com o cano da arma apontado direto para a cabeça. Ninguém sabe ao certo a direção do próximo disparo. O traficante é uma invenção do consumidor de drogas. Sem consumo não há produção e muito menos circulação. Se não há procura, não há oferta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Não há vencedores nessa história, apenas sobreviventes. E nada garante que seja por muito tempo. Quem ingressa no mundo do crime livra a cara enquanto pode, mas sabe que o pior gira em torno de si, cada vez mais próximo. Não teme a morte porque não dá valor à vida de ninguém nem mesmo a sua. São as regras de quem está no &lt;i&gt;front&lt;/i&gt;, está de pé enquanto não é o alvo do adversário. Uma arma na mão dá a sensação de poder tudo. Este engodo alimenta a gana do fabricante de arma que não se vê na mira da trama que produz. Vive sob a miragem do lucro, não sabe e não quer saber o que é razão. Não entra em nenhum dos componentes do instrumento de morte que fabrica. Quem compra a arma reafirma os seus propósitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Ninguém nunca explica quem, em última instância, quem financia o tráfico e suas ações violentas. Um poder abstrato comanda as mentes apodrecidas das elites e dos que orbitam em sua periferia, estes que servem de soldados e guardiões da insensatez, que se armam até os dentes para que aqueles fabriquem armas e se consumam no vício e na violência que daí deriva. As armas, o pó, a erva e os chás alucinógenos são distribuídos como alimento para o que de pior existe no obscuro da irracionalidade humana.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6996062673370002471?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6996062673370002471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/o-imperio-da-insensatez.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6996062673370002471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6996062673370002471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/o-imperio-da-insensatez.html' title='O IMPÉRIO DA INSENSATEZ'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-X7376tTqviQ/TV-_tKb5jcI/AAAAAAAAAUg/q50-Hx2xCjk/s72-c/violencia-ii1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-45746260755875151</id><published>2011-02-12T06:27:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T10:07:48.913-07:00</updated><title type='text'>A IMAGEM NOSSA DE CADA DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-waMEXtOB2Dc/TVabKFMeahI/AAAAAAAAAUY/ItZfbaPUtd0/s1600/Imagem.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572812186413066770" src="http://3.bp.blogspot.com/-waMEXtOB2Dc/TVabKFMeahI/AAAAAAAAAUY/ItZfbaPUtd0/s320/Imagem.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 228px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 283px;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu pretendo falar sobre um tema que gosto muito, que é a imagem. Este conceito é bastante presente e também multifacetado – imagem pode ser uma escultura. Esculturas de valor estético, nas galerias, nos logradouros públicos ou nos museus têm sentidos mais ou menos comuns; outras, de valor religioso ou de homenagem a algum vulto histórico, têm outros sentidos com diferenças mais marcadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Imagem pode também significar algo fluido que se produz na imaginação: os sonhos e os delírios são desta ordem. As imagens que resultam de construções literárias passam um pouco pelo viés da imaginação, mas se consolidam nas leituras sustentadas nas experiências comuns, fazendo-se cristalizar no contato com os textos. Em qualquer lugar do mundo, imaginamos, concretizam-se do mesmo modo, por isto consideramos que seus níveis de abstração são menores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Imagem pode ainda significar, no campo visual, uma sombra, uma mancha, um desenho, uma pintura ou uma fotografia. Na fotografia, então, as possibilidades de afeto e, portanto, de sentidos se ampliam imensamente. É a esta imagem do cotidiano das pessoas, que existe desde os primórdios, que nos referimos, e que nem sempre nos damos conta. Diante da imagem no interior das cavernas, das igrejas, das salas de projeção ou no interior dos lares, onde a televisão se apresenta, estabelece-se todo um clima de ritos próprios, que se diferenciam muito mais segundo os lugares e os períodos, do que mesmo em função das diferenciações de elaboração técnica da imagem. Vamos ao cinema como vamos à missa. Preparamo-nos, arrumamo-nos e programamos afazeres para antes ou depois – demarcando e respeitando os rituais de cada um dos momentos em que estaremos diante das imagens, em tempo e condições adequados. Do mesmo modo que se imaginam os rituais dos grupos em torno da imagem no interior das cavernas, vemos se reproduzirem também em torno da televisão, por exemplo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A imagem transcende em seu significado, independente de suas técnicas ou de seus materiais, porque permanece o seu sentido e a sua origem. A imagem existe primeiro dentro do homem, quer como forma de percepção de fatos do real, quer como imaginação mítica. É ela que lança âncora à esperança de salvação do homem. Salvação de sua condição de desamparo, de corpo solitário arremessado ao mundo, diante do qual não compreende porque não conhece a sua origem. "O debate sobre a natureza das imagens internas movimenta hoje vastos setores do pensamento científico, num espectro que vai da neurobiologia à psicanálise" (MACHADO, 1994). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O tempo marcado é a ilusão da superação. A cada dia ocorre a farsa da novidade, porque, de fato, é o retorno, o eterno retorno que repete o ciclo dos dias, semanas, meses anos... como um impasse e não como uma superação. “É como se a contemporaneidade trouxesse consigo todas as eras do passado no seu âmago. A visão do homem contemporâneo permanece em larga escala determinada por modelos formativos do passado e as imagens técnicas jogam um papel fundamental na manutenção desse impasse" (Idem, 1994). A consciência da imagem nos dias atuais e a consciência perceptiva correspondente, embora se diferenciando radicalmente quanto à intenção, têm uma matéria impressional idêntica em outras épocas. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-45746260755875151?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/45746260755875151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/imagem-nossa-de-cada-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/45746260755875151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/45746260755875151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/imagem-nossa-de-cada-dia.html' title='A IMAGEM NOSSA DE CADA DIA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-waMEXtOB2Dc/TVabKFMeahI/AAAAAAAAAUY/ItZfbaPUtd0/s72-c/Imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2018624683677226126</id><published>2011-02-06T07:14:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:25:25.361-07:00</updated><title type='text'>MISSIVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TU7LkbOVveI/AAAAAAAAAUQ/4sAi7c_YUtE/s1600/carta.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570613615747513826" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TU7LkbOVveI/AAAAAAAAAUQ/4sAi7c_YUtE/s320/carta.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Toca a campainha com insistência. Ergo-me cambaleante ante o sono pesado. Ziguezagueando, entramelo as pernas finas por entre cadeiras, sofás, cantos de parede no corredor. Chego à porta e, ao abrir, cerro os olhos, por causa do sol que invade a casa, àquela hora da manhã. O carteiro, diante de mim, estende um envelope em minha direção e pede para eu assinar um papel. Rabisco qualquer coisa e fecho a porta quase raspando a mão do carteiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O carteiro finda ali. O sol tenta entrar pela janela. Jogo o envelope sobre uma mesa, fecho as cortinas e volto a deitar-me. O sono que me incomodava a ponto de deixar-me trôpego parece que desistiu de mim. Rolo para um lado, rolo para o outro, nada. Levanto-me e vou dar com aquilo que me tira o sono, o tal do envelope. Nem olhei direito sobre o que ele trata. Como hoje em dia me correspondo por e-mail, não levei em conta a possibilidade de se tratar de uma carta. Ainda mais, quem me enviaria uma carta a esta altura das coisas? Penso mais tratar-se de uma destas malas diretas de cartão de crédito. Conta não deve ser, não é data para isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pego o envelope e, sem abri-lo, abro as cortinas e as janelas, deixo que entre o sol e tome conta da casa. É uma carta com envelope aéreo e tudo. Tem destinatário, mas não tem remetente. Neste momento, lembro de uns versos de uma canção, que dizem “&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Quanta verdade tristonha ou mentira risonha uma carta nos traz &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;(composição de &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Aldo Cabral e Cícero Nunes e interpretada por Isaura Garcia, Vanusa e Maria Bethânia, entre outras)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;.” De repente me bate uma dúvida: eu devo abrir ou não aquela carta? O que poderia eu precisar saber que tivesse de ser através de uma carta anônima?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Mas a curiosidade bate mais forte e decido abrir o tal envelope. Começo observando que tem um estilo formal, com todas as marcações de uma carta pessoal: nome da cidade de origem e a data de sua escritura. Interpelação respeitosa ao destinatário e leitor. Inclusive, o início do texto, “Espero que quando esta chegue às suas mãos o encontre gozando de perfeita saúde, juntamente com os seus...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Concluo a leitura da carta e fico um tempão tomado pelo que acabo de ler. Aquele modo antigo de escritura revela um autor (ou seria uma autora?), com boa experiência de vida. Talvez, por isto mesmo, tenha preferido me escrever uma carta ao invés de me enviar um e-mail, como seria mais adequado aos dias atuais. Bom, pode ser também que quem a escreveu receie a característica que um e-mail tem de se espalhar em rede, independentemente do cuidado que se tenha ao remetê-lo a apenas um destinatário. Informações tão sérias e graves não interessam, mesmo que se espalhem irresponsavelmente pela rede. Mais do que isto, informações de caráter tão íntimo e pessoal. Corre-me pela espinha um calafrio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Aquela carta, definitivamente, me desperta para a vida naquela manhã ensolarada. Ainda zonzo, preparo o meu banho e lavo a cabeça como se quisesse limpá-la dos pensamentos que me azucrinam. É impensável que alguém se dê ao trabalho de escrever uma carta com tantas minúcias, dirija-se a uma agência dos correios e ainda pague pela remissão de uma carta que sabe poderá mudar completamente a vida de uma pessoa, gratuitamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;O desejo de entender os motivos do remetente, ou da remetente, mistura-se com o peso das informações que a carta traz. Parece que quanto mais eu me lavo, mais me sinto contaminado com a sujeira que as palavras, as letras, o texto da carta impregna. Não sei por que, mas à medida que lia o texto, vinha a minha mente uma pessoa, de cuja boca aquelas palavras pareciam estar sendo pronunciadas, de modo bastante apropriado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-weight: normal;"&gt;Não sei por que aquele estilo circunspeto e incisivo me parece masculino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2018624683677226126?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2018624683677226126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/missiva.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2018624683677226126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2018624683677226126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/02/missiva.html' title='MISSIVA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TU7LkbOVveI/AAAAAAAAAUQ/4sAi7c_YUtE/s72-c/carta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-8329482319977423630</id><published>2011-01-31T04:31:00.001-08:00</published><updated>2011-10-20T09:22:55.981-07:00</updated><title type='text'>QUEIRA DEUS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PNnkjW9KoLY/TXuha6up4AI/AAAAAAAAAVo/Ro0XzFF4O0g/s1600/Bem-te-vi2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583233646869471234" src="http://2.bp.blogspot.com/-PNnkjW9KoLY/TXuha6up4AI/AAAAAAAAAVo/Ro0XzFF4O0g/s320/Bem-te-vi2.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 214px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que amanhã seja um lindo dia. Vou-me pôr de pé para abrir as janelas do apartamento e convidar o sol a entrar, amanhecido. Mas só depois que os bem-te-vis cessarem sua sinfonia matinal. Depois, embeber-me na chuvinha gostosa que cai dentro do meu banheiro. Ofertar as narinas ao aroma do café, cheiro que, desde muito tempo, compõe a ambientação das minhas manhãs, ainda mais gostoso quando os dias amanhecem lindos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que eu receba um telefonema de alguém prometendo vir me visitar. É certo que esta pessoa não cumpre nunca suas promessas, mas só a promessa de vir já me basta para criar expectativa e animar o dia. Quem sabe não será amanhã que poderemos tomar aquele Cappuccino ou aquelas cervejas em latinhas, guardadas desde a última promessa, ou, ainda, deitar na rede da varanda e esquecer todas as distâncias e mal-entendidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que todos os meus amigos e minhas amigas lembrem-se de mim. Nem precisam me ligar, muito menos enviar e-mails dando conta que se lembraram. Basta lembrarem. Eu, certamente, lembrarei de cada um e de cada uma, com o sorriso especial que gostam de ver no meu rosto. Por isto, são meus amigos e minhas amigas. A lembrança de situações felizes, alegres ou, simplesmente, engraçadas, nos alegra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que tudo dê certo, desde a coincidência de acordar ao mesmo tempo em que cantam os bem-te-vis até o momento em que eu e o sol nos retiramos para findar o dia. Não vale, como algumas vezes acontece, de o sono me fazer passar batido e acordar no meio da manhã, depois que a natureza toda já se espreguiçou e os pássaros cantaram, inutilmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que a TV só ofereça bons programas. Depois do café, ver um pouco de TV espichado no sofá é bastante agradável. Mas, só um pouco. Mais do que isto ninguém aguenta. Depois, pegar um dos livros com leitura iniciada e dar prosseguimento, sem nenhum compromisso que não seja o de concluir a leitura, ou ao menos de passar de uma ou duas páginas. Botar um bom mp3 para rodar e nem me preocupar com o tempo ou outra coisa qualquer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que o tempo se esqueça de passar e me deixe assim, sem nenhuma expectativa com marcas ou marcos de sua passagem. Pode ser que alguém me convide para almoçar em algum lugar interessante. Também, se ninguém me convidar, eu mesmo ligo para alguém e faço o convite. Almoçar acompanhado é muito mais interessante. Uma conversa e uma boa companhia, num lugar agradável, com boa comida deixam a gente besta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que a gente tenha uma tarde igualmente bela com as praças cheias de pessoas, canteiros com flores, cantos e risos em todos os lugares. Nas ruas, o sossego e o silêncio do repouso, principalmente, para os que descansam das jornadas do dia anterior. Ou, por que não, dos que descansam das fadigas físicas do amor. Que se estendam sinfonias sobre o mundo e se repercutam suas melodias no fundo dos corações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que se disputem boas partidas de futebol. Os estádios lotados de bandeiras, cores e alegria. As disputas de bola e os dribles com toque refinados de arte a espalhar beleza pelos gramados, sob o olhar atento das torcidas. Um time há que ganhar, o outro há que perder ou, quem sabe, os dois possam empatar, mas cada um dos torcedores haverá de ganhar o dia pelo espetáculo visto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que a noite retorne e seja também linda. O negrume velando o universo e as luzes pontuando o coração feliz em cada pessoa em sua casa, em cada rua, em cada praça. Na cidade inteira. Os ritos noturnos celebram o dia ido e rogam por uma noite em paz.  Deus queira que, depois de tudo, nosso desejo não seja algo fora de propósito, ou, menos ainda, um mero desejo de tempos e coisas intangíveis. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-8329482319977423630?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/8329482319977423630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/queira-deus_31.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8329482319977423630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8329482319977423630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/queira-deus_31.html' title='QUEIRA DEUS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PNnkjW9KoLY/TXuha6up4AI/AAAAAAAAAVo/Ro0XzFF4O0g/s72-c/Bem-te-vi2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2274396031522193845</id><published>2011-01-23T07:18:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:21:13.436-07:00</updated><title type='text'>RIM TIM TIGRESA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTxNgiAwpJI/AAAAAAAAAT8/28WJxUdyup4/s1600/tigresa.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565408460804236434" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTxNgiAwpJI/AAAAAAAAAT8/28WJxUdyup4/s320/tigresa.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 66px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para falarmos de uma gata muito especial, recorremos ao poeta que, dizem, adorava os felinos: Eliot. E nos inspiramos num poema em que, a propósito de falar de um certo gato, cheio de manhas e manias, discorre sobre aquilo que lhe parece particular. Assim também faremos a respeito dessa gata. Quem não a conhece, por certo, estranhará que seja tão cheia de si e determinada, porque, a olho nu, sobressai-se uma ternura sem par, emoldurada por uma beleza igualmente ímpar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para começo de conversa, Rim Tim Tigresa usa três números diferentes de celular e a cada momento que buscamos localizar em um deles, está utilizando o outro. Deste modo, diverte-se, quando alguém lhe revela cheio de mágoas que não consegue encontrá-la ou falar-lhe ao telefone. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Combina de sair, deixa todos animados e, na última hora, quando dão por sua falta, ela liga avisando que está muito cansada, para sair de casa. Nem adiantam argumentos porque, naquele dia, se prostrará dentro de casa, como a deixar-se de manha, de olhos presos ao monitor que exibe um site a ser explorado, lentamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Numa mesa, quando percebe que alguém está muito eufórico, cheio de elogios a alguém ou a alguma coisa, põe-se a criticar a tal pessoa ou objeto elogiado. Faz cara de mau gosto e torce o nariz, para cada palavra pronunciada. E sempre que assim for, mesmo sob os protestos de outrem, ela repetirá tudo do mesmo modo. &lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;E não há nada que se possa fazer a respeito&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Rim Tim Tigresa arruma-se para sair como quem vai à caça, ninguém consegue ficar mais bela. E com tanta beleza, torna-se alvo de conquista, mas a ninguém permite entregar-se. Faz-se de desentendida ou foge acintosamente. Tudo é feito de maneira que o conquistador perceba-se ridículo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Diz que adora shows de tudo quanto é banda: de rock a axé &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;music&lt;/i&gt;, de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;reggae&lt;/i&gt; a mpb, mas quando sai com a sua turma, no auge do show, diz que vai e vai embora. Podem se encher de argumentos que não abre mão de sua decisão. Mas assim que outro show se anuncia, marca no calendário e azucrina suas amigas até que prometam que lhe farão companhia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É leve, linda e meiga, mas tem um gênio que põe qualquer cabra valente para correr. Parece frágil, delicada como uma pétala de rosa, mas encara paradas que fariam tremer Dadá e Corisco. E não abre nem para um trem carregado de explosivos. Ai de quem se meter a besta com ela. E sempre que assim for, mesmo sob os protestos de outrem, ela repetirá tudo do mesmo modo. &lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;E não há nada que se possa fazer a respeito&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Rim Tim Tigresa é uma gata cheia de não-me-toques. Tem uma inteligência fora do comum. Antenada, dá conta de coisas atuais e de outras do arco da velha. Parece quietinha, mas não tem quem a segure quando dana-se a dançar. Dança qualquer ritmo, não sei se para si ou para chamar a atenção. Mas que é bonito vê-la dançar, isto é. Quando baixa a guarda, dá até vontade de pegá-la no colo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Com sorriso atraente que tem, e com o humor refinado que destila, consegue encantar rapidinho a quem estiver por perto. Vez ou outra, porém, é comum ouvi-la ironizar acerca de atos e fatos com os quais não concorda. Envolta nessa aura de fada, ela vai longe em sua vassoura de magias. É uma feiticeira que vê coisas de outro mundo e não faz questão de esconder. Também não é para menos, tem uns olhos tão grandes e bonitos que quase sobram no seu rosto pequenino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: normal;"&gt;Rim Tim Tigresa parece cheia de dúvidas, mas se afirma em certezas absolutas. Ninguém, ao seu redor, fica desamparado, porque, além de tudo, é solidária, amiga fiel e leal. É, contudo, crudelíssima, com quem a desafia ou lhe pisa os calos. Não tem dó nem piedade. E sempre que assim for, mesmo sob protestos, ela repetirá tudo do mesmo modo. E não há nada que se possa fazer a respeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-2274396031522193845?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/2274396031522193845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/rim-tim-tigresa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2274396031522193845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/2274396031522193845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/rim-tim-tigresa.html' title='RIM TIM TIGRESA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTxNgiAwpJI/AAAAAAAAAT8/28WJxUdyup4/s72-c/tigresa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-6813983973446058971</id><published>2011-01-16T07:46:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:19:22.240-07:00</updated><title type='text'>MEIO TERNO E MEIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTMbREFCumI/AAAAAAAAAT0/PEqBuAWUyNo/s1600/voltei.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562819944699312738" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTMbREFCumI/AAAAAAAAAT0/PEqBuAWUyNo/s320/voltei.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 316px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A dona da casa anda de um lado para o outro como a querer descobrir algo para fazer. Aproxima-se a hora de o esposo chegar do hospital; internado, após vários dias fora de casa, vítima de um aneurisma cerebral. Não é tão grave, mas suficientemente forte para deixá-lo com o lado direito da face meio insensível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As filhas, os netos, todos estão empenhados em arrumar a casa para receber aquele que, apesar de ser um tanto ranzinza, é o dono da casa e tem um senso de humor muito refinado. Esperam um telefonema do hospital, comunicando a alta médica para irem buscá-lo. Enquanto isto, lavam e enceram o piso da casa inteira, trocam os panos e arrumam a cama em que há de se acomodar. Mudam um jarro, uma planta de lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Todo mundo está voltado para as tarefas da arrumação, à espera do retorno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A dona da casa acha por bem, na falta de outra coisa, passar a roupa do marido para diminuir a sua ânsia e o seu nervosismo. Esteve com ele todos os momentos durante sua estada no hospital, acompanhou de perto sua melhora e ficou muita angustiada nos piores momentos, mas naquele dia quis vir antes para arrumar tudo para recebê-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;À busca de qual roupa passar, vai separando em cima da cama, aquelas que mais carecem de um ferro quente. Cada peça de roupa com que se depara vai ativando a memória, como se aquele exercício tivesse a ver com alguém já ausente. A Memória involuntária provocada pelas peças conecta momentos de sua companhia e a afeta como uma saudade profunda. Percebendo isto, questiona-se se não estará atraindo para si coisas que não deseja. Tomada por este sentimento, pega as roupas já separadas e sai do quarto buscando pensar noutra coisa. A sensação é de medo e de angústia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Arruma a tábua de passar, liga o ferro e a TV para tentar desviar a atenção daquele sentimento triste. Procura uma explicação consigo: a única coisa que lhe vem à mente é uma leve sensação de culpa, porque naquela noite de sábado, em que o marido teve o desmaio motivado pelo aneurisma, os dois haviam discutido. Mas, até agora, não havia sentido tal culpa. Neste momento, toca o telefone. Para de engomar e escuta a filha que confirma estar saindo para ir buscar o pai no hospital.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Volta à sua tarefa, de olho na televisão. Outra parte da família fica conferindo se está tudo conforme o planejado, se cada coisa está no lugar devido para a recepção. As faixas de rua desejando boas vindas, saúde, declarando amor eterno etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Já há vizinhos chegando e se oferecendo para ajudar na arrumação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pouco depois, o carro estaciona na calçada de casa e ele desce amparado pelos filhos. Palmas, vivas, sorrisos. Ele faz de conta que não é com ele. Está sisudo, com cara de poucos amigos. Ao entrar em casa, a esposa vem recebê-lo e o ajuda a sentar-se no sofá. Diz que não quer ir deitar-se porque esteve todo o tempo deitado em uma cama de hospital. Quer ficar ali, junto com a família. A esposa retorna ao seu serviço de engomar a roupa. No instante em que ele se senta, avista aquele trabalho dela, mas não comenta nada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Aos poucos a casa vai se esvaziando de curiosos e logo só estão ele e a esposa na sala. Ela engoma o paletó dele. Ele pede a ela que lhe pegue um copo com água. Ela larga o que está fazendo e vai à geladeira para pegar a água. Quando retorna, e vai continuar a engomar o terno, percebe que a calça tem as duas pernas cortadas, um pouco acima da dobra do joelho. Ela fica boquiaberta, quem poderia ter feito aquilo em tão pouco tempo, pergunta-se. Aí, ela o escuta dizer, resmungando, com a boca meio torta: “se você estava pensando em me enterrar com este paletó, enganou-se. Ele agora não presta mais para nada”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-6813983973446058971?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/6813983973446058971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/meio-terno-e-meio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6813983973446058971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/6813983973446058971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/meio-terno-e-meio.html' title='MEIO TERNO E MEIO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TTMbREFCumI/AAAAAAAAAT0/PEqBuAWUyNo/s72-c/voltei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-8005548140845503473</id><published>2011-01-08T07:42:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:16:59.977-07:00</updated><title type='text'>MALVISTO, MAU-OLHADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TSiHZPbH6RI/AAAAAAAAATs/dGKkg2TdIB4/s1600/mau-olhado.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559842607695653138" src="http://2.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TSiHZPbH6RI/AAAAAAAAATs/dGKkg2TdIB4/s320/mau-olhado.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 300px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Zé Cabelão é um sujeito esquisito, é malvisto no bairro: esconde a cara sob a barba espessa e o cabelo desgrenhado. Mora na Rua do Fogo, a rua que fica por trás da minha. Dizem que a rua tem este nome porque vez por outra os vizinhos aprontam barracos. Sempre há umas intrigas, uns diz-que-diz-que. Como falavam os mais antigos: “uma verdadeira indústria de tecer fuxicos”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Zé Cabelão tem tudo a ver com a Rua do Fogo, não que ele ande brigando ou discutindo. Não, é caladão. Ninguém, que eu saiba, ouviu sua voz até hoje. Entra em casa e se tranca. Ninguém dá notícia dele por longos dias. Mas falam que ele é esquentado, não leva desaforo para casa, que não dá carne a gato, dá sebo quente. Por conta deste seu comportamento fora dos padrões, muitas histórias são contadas sobre suas esquisitices. Dizem que ele só sai de casa à noite, de quinta para sexta-feira. Que tem unhas grandes, e faz ruídos estranhos. Estas coisas que costumam contar sobre quem vive sozinho e não permite que invadam seus espaços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Dizem também que um sobrinho dele veio certa vez passar férias em sua casa, teve uma crise de sonambulismo, levantou da rede numa noite destas e deu a chutar a rede do tio, o Zé Cabelão, mandando que ele levantasse e fosse fazer alguma coisa. Dizem que Zé Cabelão não disse e nem fez nada. Mas o tal sobrinho, depois deste dia, nunca mais apareceu na Rua do Fogo. Também não sei como esta história apareceu no bairro, como estas coisas vazam. Só sei que contam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Dias há em que a gente fica batendo bola, num campinho de terra, no final da rua e ele passa, sempre à tardinha, vem de dentro do terreno baldio, ao lado do campinho. Surge do nada. Não se sabe o que faz dentro daquele matagal. Quando ele aparece, a gente para o jogo e fica desviando o olhar como se não o percebesse, embora ele deva saber que o jogo para por sua causa. Atravessa o campo sem dizer coisa alguma, sem olhar para os lados, sem expressar qualquer reação. Passa, simplesmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Pode até ser que nenhuma das histórias que contam seja verdade, mas que ele é esquisito é, muito. Roupas escuras, sem cor definida, sem desenho certo. Não são sujas, não fedem, pelo menos à distância que mantemos dele. Mas não estão de acordo com o que as pessoas do bairro vestem. São muito sinistras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Enquanto atravessa o campinho, ficamos como que virando as costas para ele, porque dizem que não é seguro ver os seus olhos. Dizem que ele tem mau-olhado. E que as pessoas que viram seus olhos morreram tísicas. Pior, poucos dias depois. Sabe aquela história do olhar que seca pimenteira? Pois é, dizem que é assim. Seca gente também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Contam que ele ficou assim por causa de uma decepção amorosa. Pelo que dizem, ele morava em outro lugar, distante daqui. Parece que estava noivo, tinha preparado tudo para o casamento e, na véspera, a noiva fugiu com o padre da cidade. O cara era rico e tudo. Pegou um dinheirinho e com a roupa do corpo passou a perambular pelo mundo em busca da mulher. Não se sabe se ele a encontrou. O certo é que chegou por aqui há algum tempo e comprou a casa em que mora. Há até quem especule que a tal mulher mora no bairro, mas ninguém sabe quem é. Só ele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas, também, ninguém sabe qual é a tal cidade de onde ele veio e nem se esta história é verdadeira, porque ele mesmo não deve tê-la contado para ninguém. Nunca soube de onde surgiu tal história. Só sei que contam. De todas as ameaças que dizem vir dele, a que mais o povo do bairro teme é a de ver os seus olhos. E as pessoas que experimentaram ver os seus olhos nunca souberam contar direito o que viram. O que se sabe é que tais pessoas definharam da noite para o dia e morreram tísicas. Zé Cabelão é malvisto, provoca mau-olhado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-8005548140845503473?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/8005548140845503473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/malvisto-mau-olhado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8005548140845503473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/8005548140845503473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/malvisto-mau-olhado.html' title='MALVISTO, MAU-OLHADO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TSiHZPbH6RI/AAAAAAAAATs/dGKkg2TdIB4/s72-c/mau-olhado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-7402942161565560696</id><published>2011-01-01T17:17:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:15:24.954-07:00</updated><title type='text'>LUZ E SOMBRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TR_YtHr3OII/AAAAAAAAATk/uK-D_Tti1OQ/s1600/Luz%2Be%2Bsombra.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557398734867216514" src="http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TR_YtHr3OII/AAAAAAAAATk/uK-D_Tti1OQ/s320/Luz%2Be%2Bsombra.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Diafragma da câmera em 16.0 e o obturador em 1/12.000, não apenas para fixar uma imagem em alta velocidade, mas para não permitir que sature a luminosidade. Que vele o filme. É assim que se desenham imagens na película, no filme fotográfico ASA 100. O sol imenso imerso no azul do céu de olho espichado no mundo e a luz intensa assombram as sombras que desanimam sob as árvores esbaforidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Tintas frescas de cinza e marrom matizam a superfície da terra entre vãos de asfalto e cimento aquecidos. Nada de pé em pele, nada de caminhar descalço. Ninguém se arrisca. Calor a pino desfaz em pasta o sorvete antes que alcance a língua jogada a esmo, em ondas de doce esperança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O ar morno materializa-se na respiração e amorna as narinas canal adentro no meio do tempo, em todos os lugares. Torneiras abertas, mangueiras ligadas, chuveiros chovendo, só enquanto. A pele evapora logo após. A roupa resguarda um tiquinho do frescor da água embebida por mais um pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Os olhos cerram para ver lá fora o mundo velho pegando fogo. A boca ressequida recupera a saliva e pigarreia no nada. Sertão, o verso contorcido feito marmeleiro finge que se embrisa, finge que descansa no varal. Cada um diz o seu como pode, conforme Deus lhe dá. Cada um é cada um, está dito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Sertões são tantos, diversos. E o sertanejo em sua peleja não se dá conta de hoje, tudo é para amanhã. Agora é só hoje, um instante que passa logo. Não carece pressa. Planta, reza, canta, festeja batizados, casamentos, dias santos e outras datas. Vaqueiro, agricultor, carpinteiro, pintor etc. Ser tão diverso, sertão de versos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Noite feita e a lua abarca cada cantinho do mundo. Luz posta em breu, noite profunda. No fogão, o sol definha a lenha sob panelas de barro. A conversa enche a boca e se espera o tempo de comer. A imagem fotográfica refaz texturas e outros enquadramentos. As luzes atormentam mais vagar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Noite, ainda, e as pessoas se inquietam com o calor, espiam a lua e não entendem por que o tempo continua quente. Entabulam conversas sobre o derretimento das geleiras, o aquecimento da terra, o efeito estufa. Nenhum argumento tem explicação outra. É mais um necessário esperar passar o tempo. É mais um esperar passar o calor, em algum momento, nem que seja após muitos meses. É quase um não pensar, um pensar inútil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Daqui a pouco é hora de tentar dormir, esperar o dia seguinte sem a ansiedade de quem vigia, de qualquer vigília. Dormir, simplesmente. Depois, na repetição das horas, a diversificação de cada um. O modo de perceber as coisas, de refazer sua rotina, de criar para si o interesse. É o modo de se deixar esquecido, que, embora aquecido, o dia é só mais um. A marcação no calendário deixa ver o ano inteiro enfileirado, um dia após outro. Melhor viver um de cada vez, frio ou quente. Viver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Madrugada feita, o feirante rumo à feira, o pescador rema para onde imagina possa encontrar seu pescado, as mulheres cuidam de si e dos seus. As luzes vão-se aos poucos, dando forma ao mundo e às coisas. Um pouco do que foi frescor e carícia torna-se calor e abarca a terra inteira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Após a alvorada o sol há de espichar seu olho e assim ficar em curva longa e lenta sobre nossas cabeças. Nem para pensar. É tanta gente em movimento que a energia que daí deriva torna tudo este forno. É tanta gente acendendo alguma coisa em algum momento, que ninguém se dá conta que está tocando fogo no tempo. É tanta gente tomando café quente em meio aos 40 graus do dia que parece até inverno pleno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Observando deste lugar, dá para imaginar que deve ter sido assim que pensou o pintor, autor deste quadro na parede. O movimento do pincel parece descrever um açoite sobre o corpo da tela, misturando traços, figurando gente, separando luz e sombra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-7402942161565560696?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/7402942161565560696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/diafragma-da-camera-em-16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7402942161565560696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7402942161565560696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2011/01/diafragma-da-camera-em-16.html' title='LUZ E SOMBRA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TR_YtHr3OII/AAAAAAAAATk/uK-D_Tti1OQ/s72-c/Luz%2Be%2Bsombra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-7216991097692196261</id><published>2010-12-20T05:01:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:13:56.742-07:00</updated><title type='text'>JORGE E BRUHMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQ9VdXKdACI/AAAAAAAAATQ/G26g1iDIK18/s1600/Casal%2BVirtual.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552750828493537314" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQ9VdXKdACI/AAAAAAAAATQ/G26g1iDIK18/s320/Casal%2BVirtual.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 257px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Jorge conheceu Bruhma em uma cidadezinha do Interior, por acaso. Ele andava por lá visitando uns parentes e a viu, de relance, passando no outro lado da rua. Acompanhou-a com os olhos até onde deu. Foi embora, lamentando não a ter visto mais de perto. Depois, por coincidência, Jorge a encontra na igreja, por ocasião de uma cerimônia de batizado. Os dois saem ao mesmo tempo e se encontram na calçada. Param, olham-se, sorriem e se vão para destinos diferentes. Mais uma vez, Jorge lamenta, naquela ocasião estava com a esposa, e Bruhma, também, acompanhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Depois de algum tempo, encontram-se na Capital e, por conta deste encontro, em lugar tão distante dos primeiros, iniciam uma conversa. Resolvem almoçar juntos e descobrem que são casados, que têm filhos e, que naquele momento, vivem uma crise conjugal. Ela alega que o marido a sufoca, não permite que tenha independência, que se manifeste livremente. Ele diz que a esposa tem umas manias, certos pensamentos fixos, não esclarece nada, mas acaba dizendo que isto vem atrapalhando o casamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Desde então, passam a se encontrar com mais constância, e cada um dos encontros é marcado com hora e lugar determinado. Percebem que se aproximam um do outro, mas não põem dificuldade. Pelo contrário, abreviam os intervalos cada vez mais. Depois de algum tempo, resolvem romper com o casamento para ficarem juntos. Mas ficar juntos não significa viverem sob o mesmo teto. Vão planejando e, ao mesmo tempo, conhecendo-se melhor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A vida de Jorge e Bruhma transforma-se numa espécie de romance em que tudo é feliz. Passeios, aventuras, brincadeiras e muito amor. Juras e promessas de futuro encantador. Amam-se de modo intenso. A cada dia descobrem mais afinidades e a necessidade que sentem, mutuamente, um do outro. Têm certeza de que nasceram um para o outro e não entendem por que estiveram tanto tempo casados com pessoas tão diferentes. De repente, uma novidade: aqui e acolá um dos filhos obriga que um encontro seja desmarcado. Eles se aborrecem, mas compreendem a situação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Depois surgem outras novidades ainda mais desagradáveis: Jorge descobre que sua namorada anda saindo com o ex-marido. Não gosta, mas não pede explicações. Diz que entende que os dois têm filho e que não há motivo para se preocupar. Depois é Bruhma quem descobre que Jorge, a pretexto de realizar negócios e de ver o filho, de vez em quando viaja para a cidade em que mora sua ex-mulher. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A situação vai ficando complicada e cada vez fica mais difícil explicar o retorno ao passado. Cada um entende que a sua situação é perfeitamente compreensível, mas nega ao outro a mesma facilidade de compreensão. O certo é que as coisas se encaminham para o impasse e, num dado momento, se torna insustentável. Ocorre, então, o rompimento. Apesar de várias tentativas de conciliação e de reconstrução da história de amor, a relação vai se esgarçando e, finalmente, decidem que cada um deve seguir seu caminho. Tristeza profunda, choro e ranger de dentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ainda muito machucados vão se abrigar no conforto do passado. Ela volta a considerar a corte e os agrados do ex-marido e ele volta a ser gentil e agradável com a ex-esposa. Alegam que há, na decisão pessoal, o desejo de reagrupar a família e atender aos desejos do filho que sempre sofreu com a separação. O ex-esposo revela-se um homem apaixonado e disposto a não repetir os erros do passado. Jorge garante a ex-esposa que tudo será diferente doravante. As famílias se reconstituem e parecem experimentar novos tempos de felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Bruhma gasta seu tempo entre o trabalho e a internet, quando está em casa. É sempre a última a ir para a cama. Mas diz viver uma felicidade nunca experimentada. Some do círculo de amizade e das noitadas com as amigas, mas garante que nunca foi tão feliz na vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Jorge entrega-se ao trabalho mais do que antes, para pensar o mínimo possível na situação, e investe seriamente na sua “nova” condição: marido e pai de família, embora cheio de dúvidas sobre o que sente por sua esposa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Bruhma conhece Marcos na Internet, na sua timeline do twitter.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-7216991097692196261?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/7216991097692196261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/jorge-e-bruhma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7216991097692196261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/7216991097692196261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/jorge-e-bruhma.html' title='JORGE E BRUHMA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQ9VdXKdACI/AAAAAAAAATQ/G26g1iDIK18/s72-c/Casal%2BVirtual.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-4162320405002152056</id><published>2010-12-12T17:27:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:12:36.079-07:00</updated><title type='text'>JOÃO, REGINA E O PÉ DE FEIJÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQWDH_WdgHI/AAAAAAAAATI/vE2_yxB0_vI/s1600/P%25C3%25A9%2Bde%2BFeij%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549986289091969138" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQWDH_WdgHI/AAAAAAAAATI/vE2_yxB0_vI/s320/P%25C3%25A9%2Bde%2BFeij%25C3%25A3o.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 224px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Regina chega ao seu apartamento naquele dia com certo brilho nos olhos, mais adaptada à cidade, descobriu uma livraria em seu caminho, e, passando por lá, teve a ideia de comprar um livro que pudesse ler, na companhia de Hermano, antes de dormir. Trouxe o livro de um autor desconhecido, chamado Raimundo Santana Lemos. Trata-se de uma recriação da história João e o Pé de Feijão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Tudo pronto, Regina começa ler a história para Hermano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;João descobriu em meio à vegetação rasteira de uma capoeira em suas terras um enxu, uma espécie de abelha que produz mel em colmeia no subsolo. A quantidade de mel era tal que João teve que utilizar uma burra para transportá-lo em barris. E de tanto trabalho, utilizando cangalhas com cargas pesadas de mel, criou-se uma peladura no lombo da mula. Ensinaram para João que pó de feijão torrado ajuda a cicatrizar e evita varejeiras. João colocou o pó de feijão na bicheira e soltou a mula, lamentando não ter concluído o transporte do mel. Tanto ainda que ficou por engarrafar que o lugar tornou-se uma imensa lagoa de mel de enxu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Passado o período chuvoso, João põe-se a procurar a burra no capoeiral. Soube, em sua busca, que um fenômeno vinha chamando a atenção de moradores da região em uma de suas capoeiras, um pé de feijão crescera tanto que ninguém conseguia ver o seu final, nem olhando de longe, porque o tal pé de feijão entrava nuvem adentro. João esqueceu, por momentos, sua busca e foi verificar a procedência de tal história. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Chegando ao lugar, viu que era verdade, e, de tanta admiração, foi logo entrando na moita. Surpreso, percebeu que aquele enorme pé de feijão crescera no lombo de sua burra. A coitada mantinha-se quieta, deitada, porque não conseguia levantar-se. João, então, foi à sua casa e trouxe alguns amigos para ajudá-lo a derrubar aquele pé de feijão e recuperar seu animal de carga. Retornando, deu de garra do machado e juntou a contar as ramas do pé de feijão, junto com seus auxiliares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Foi derrubando vagens e subindo na ramagem. Percebe que começa a juntar gente com animais com cambitos e caçuás que enchiam de feijão, transformando-se numa enorme romaria, com filas imensas indo e voltando. Mas João não deu trela, estava preocupado em livrar sua burra de tamanha dificuldade e levá-la para casa, outros serviços dependiam dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Quando João deu por si estava em um lugar muito estranho, parecia fumaça ou nuvem. João deixou o pé de feijão e começou a caminhar sobre aquela superfície, fascinado. Era tão estranha a sensação esquisita sob seus pés. E, ao se afastar, não percebeu que seus amigos haviam conseguido, finalmente, derrubar pé de feijão. João ficou sem poder descer. Danou-se a caminhar, quando avistou uma casinha simples, de quintal, com cerca de pau-a-pique onde havia roupas de frades estendidas. João não contou pipoca, pegou os cordões que servem de cinto aos frades, amarrou uns aos outros, pendurou uma extremidade na cerca e deixou descer a outra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Segurando-se devagarzinho, foi descendo com todo cuidado. Mas, ao chegar ao final, viu que ainda faltava muito para alcançar o chão. Com muito esforço, retornou a casa e ficou pensando no que fazer. Logo, apareceu São Francisco, o dono da casa que lamentou não poder fazer muito por João a não ser ceder seus cordões novamente já que João os havia retirado sem permissão. Enquanto pensava, João viu subir até ele uma coluna de fumaça com forte cheiro. Por este cheiro, João identificou tratar-se da fumaça do cachimbo que sua avó fumava sempre à tardinha. João teve, então, a ideia de trançar esta fumaça e emendar a trança com o cordão e descer novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Ao final, João chegou a uns dois a três metros de distância do chão. Entendeu que não conseguiria subir outra vez, e decidiu pular, mesmo arriscando machucar-se seriamente. A sorte é que João caiu justo na parte rasa da lagoa de mel de enxu que se formara. Mas, por trama do destino, atolou-se, não conseguia sair do lugar. Gritou que ficou rouco, por alguém que o viesse puxar dali. Não vindo ninguém, João tomou uma decisão: foi a sua casa, trouxe uma enxada e desatolou-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-4162320405002152056?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/4162320405002152056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/joao-regina-e-o-pe-de-feijao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4162320405002152056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/4162320405002152056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/joao-regina-e-o-pe-de-feijao.html' title='JOÃO, REGINA E O PÉ DE FEIJÃO'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TQWDH_WdgHI/AAAAAAAAATI/vE2_yxB0_vI/s72-c/P%25C3%25A9%2Bde%2BFeij%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-149189278338203163</id><published>2010-12-04T17:02:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:10:54.616-07:00</updated><title type='text'>ITINERÁRIO DAS ÁGUAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TPrmpt2cYZI/AAAAAAAAATA/TctZ0uiOddY/s1600/Miguel%2BRosa%2Bcom%2BFrei%2BSerafim.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546999495417160082" src="http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TPrmpt2cYZI/AAAAAAAAATA/TctZ0uiOddY/s320/Miguel%2BRosa%2Bcom%2BFrei%2BSerafim.jpg" style="display: block; height: 140px; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; margin-right: auto; margin-top: 0px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Foto do autor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Teresina acolhe por confiança os náufragos. Extenuados, sob a luz que encandeia solitários andarilhos, abrigam-se resguardados em marquises mais urgentes, em telhados ociosos, em latadas providenciais. A rigor não conduzem mais nada além da alma aflita ou do coração à espreita. E com vagar aguardam o tempo de seguir em frente. Aos poucos, penetram os rios e as amizades. Fincam pé e alguns fincam a vida no chão batido e petrificado do corpo árido da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O encanto das pessoas seduz e pretexta o ficar-se, como quem se justifica sem convencimento. O calor lá fora explica o desejo da sombra. As noites não contam como razão de ir-se porque, porque, bem... à noite correm-se riscos. Melhor não ocorrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;A amizade, a vizinhança, um emprego à vista. As raízes vão penetrando a terra e os laços embaraçando-se num permanecer sem paradeiro. Difícil desalinhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Melhor pensar nos filhos a criar e na cerveja gelada em que se fartam os desejos e as conversas providas em mesa de bar. A música que flui de todos os lados e a alegria desmedida dos que estão à volta, por qualquer motivo. Melhor ficar por algum tempo. Partir é uma promessa no horizonte que se afasta à aproximação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Aos poucos se perdem as diferenças, e os estranhamentos se confundem com sentimentos próprios. Eles se transmutam em nós. Não mais há fronteiras possíveis. Já quando tem que enunciar, a origem gagueja, duvida, mostra incertezas. Os traços físicos são a única pista que denuncia uma história longa e complicada de buscas. É o espelho que produz a adversidade, a alteridade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;As margens se fundem e os traços de contorno transformam-se em traços de união. As palavras se apropriam e os gestos mimetizam o ser e a paisagem. As passagens são pontes que conduzem ao ir e vir. Mas as possibilidades de retorno prometem, ou melhor, ameaçam ruir o tempo de outros lugares. Carece sejam arrancadas e retiradas as raízes com dor estúpida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Teresina recicla os migrantes e seus anseios. Apaziguados, à luz que ilumina a vida, cada um é parte dos que habitam a cidade e sorvem seus sonhos. As ruas e as avenidas têm destino conhecido, nomes familiares e até são cenários de histórias pessoais. Os bairros são lembranças dos endereços e das comunidades de que se fez parte. Quem, por acaso, puxar um fio determinado da história da cidade terá, certamente, de mencionar nomes, pessoas que partilham há muito as experiências de vivenciar a cidade. É de alguém que se conhece de que se fala. É de um lugar comum a que se refere nas conversas do cotidiano. Pessoas que se perdem e se lamentam, outras que nascem e passam a conviver, dividindo tempo e espaço enquanto se fiam pavios nos interstícios dos nomes que povoam o círculo de amizades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Endereço fixo, com Código de Endereçamento Postal e tudo. Colégio dos filhos, trabalho diário, entretenimento e consumo dos bens que a cidade oferta: cinema, supermercado, teatro, transporte etc. Teresina é um lugar para o qual se retorna sempre, mesmo que em viagens mais demoradas. A referência onde ancora destinos, necessariamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Convites e compromissos nos finais de semana. Presença certa em solenidades e testemunho de fatos inesquecíveis na vida de outras pessoas. Lembranças dos traços que a cidade já não apresenta e deslumbramento nos novos modos de se apresentar ao mundo. Divisão de planos para as vias prometidas e que devem conduzir todos ao futuro com mais conforto e segurança. Expectativa de comemorar as datas da família, da cidade, do país no decorrer do ano. Ano após ano.  Atravessar as missões com o cuidado de quem preserva a promessa de retribuir à cidade o bem do acolhimento, em momento de dúvida e desejos insustentáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-149189278338203163?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/149189278338203163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/itinerario-das-aguas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/149189278338203163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/149189278338203163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/12/itinerario-das-aguas.html' title='ITINERÁRIO DAS ÁGUAS'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TPrmpt2cYZI/AAAAAAAAATA/TctZ0uiOddY/s72-c/Miguel%2BRosa%2Bcom%2BFrei%2BSerafim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-5260194336833883601</id><published>2010-11-21T06:32:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:08:27.538-07:00</updated><title type='text'>IMERSO NUMA SAUDADE IMENSA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TOk6ghSOxMI/AAAAAAAAAS4/TrEoU1M7VPc/s1600/Entre%2Bn%25C3%25B3s.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542025146821166274" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TOk6ghSOxMI/AAAAAAAAAS4/TrEoU1M7VPc/s320/Entre%2Bn%25C3%25B3s.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O tempo é curto. No entanto, se gasta o tempo contra si. Lembra-se de ontem? A urgência era aproveitar bem enquanto estávamos juntos. A gente não esperava que as palavras amadurecessem no calor das pronúncias, colhíamos diretamente da boca um do outro. Talvez, até, as tocássemos ainda no coração. Éramos de tal modo feito pressa que sequer notávamos a ciranda dos ponteiros do relógio sobreposto contra nós. Num momento, como por impulso, hora de nos separamos. Cada um em sua casa, repetias. Mesmo assim, ainda eternizávamos um beijo de despedida, de até loguinho. Até já. O sol haveria de ser breve, e a noite nos uniria novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O que foi feito de nós, que o tempo inteiro agora ainda não se basta? E nos olhamos em torno e não nos vemos. O que foi feito das palavras sob este silêncio rochoso que não conseguimos mover? O que foi feito do ardor que nos cobria a pele ou, melhor, nos ardia a carne exposta. O que foi feito do futuro que nos prometemos tanto? Que boca é esta que nos engole e não nos deixa escapar neste espaço imensurável, nesse nada, tão largo e renitente?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Cada um seguiu sua vida. Este é o equivoco. Minha vida não há onde não é a tua. Tua vida não existe onde não existe de mim coisa alguma. Cada um é neste instante uma promessa para o outro, mas fora de propósito em outros tempos. Certo que foram poucos dias, um mês e meio ou um pouco mais. Mas o que é que há em explicação a esta saudade secular? Não se explica, simplesmente. É tudo falta. É tudo vazio. É tudo negação e incômodo. Sequer há o que seguir. Estamos, estou num ontem eterno. Hoje para quê? Amanhã para quê? Liames evanesceram e já não existem passagens de um a outro tempo ou lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Trago a delicadeza da primeira vez de teu rosto em minhas mãos como uma marca forjada a ferro em brasa. O alvor de tua pele como uma luz que desfaz a noite para sempre. O teu cheiro, o aroma de teus beijos como uma lembrança que não se realiza nem some por completo. O teu sorriso é o refúgio com que me escudo e atravesso os desertos da insônia feroz. É sob os teus cabelos que eu escondo meus medos e a solidão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Uma colagem de frases remonta a cenários e cenas altamente enredadas em emoções pessoais. Sussurros que me pedem para ter paciência, para acreditar em algo que não se esclarece. Escuto meu nome pronunciado como uma confissão de amor, um êxtase cheio de desejo e temores. Há pedidos repetidos, insistentemente, para que eu entenda, para que eu pare, como uma negação vacilante. Ao mesmo tempo, há um tom de súplica que me pede para insistir. Ou seria só a minha vontade de prosseguir que me faz ouvi-la suplicar de tal modo? A lua derrama-se em ti e seu néctar rola abundante sobre o teu corpo, feito mel. O sol crepuscular espalha em teus seios pétalas de rosas vermelhas. O céu inflama-se e sugamos o sumo sagrado de nossas vísceras que nos sacia corpo e alma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Neste momento, porém, trago o vazio de tua ausência entre os meus braços e as mãos cheias de saudade de um breve tempo de intensos e singelos fulgores. E já absorto em meus caminhos e pensamentos desperto para uma flor que me diz seu nome. Aliás, tudo em minha volta fala de ti, mesmo o silêncio abissal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;Mas, ao mesmo tempo, falta-me chão sob os pés, ao ímpeto de rios que me impulsionam sem direção, arrebatam e arrebentam as cordas que prendem ao cais, lanço-me só em precipícios de corredeiras e quedas d’água mais e mais. Enchem-me os olhos miragens de cores que trançam as paisagens e deformam-se em correria, desfiando-se ao longo das margens. Por instante, lembro o poeta moço de outras paragens cuja poesia precipita-se em barco bêbado descendo rios impassíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;O tempo é pouco. E, no entanto, gasta-se o tempo contra si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6860310232180629202-5260194336833883601?l=laertemagalhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/feeds/5260194336833883601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/11/imerso-numa-saudade-imensa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/5260194336833883601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6860310232180629202/posts/default/5260194336833883601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://laertemagalhaes.blogspot.com/2010/11/imerso-numa-saudade-imensa.html' title='IMERSO NUMA SAUDADE IMENSA'/><author><name>Laerte Magalhães</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08281208104326076163</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-_yyLfa_xxK4/TiSXNhsAoaI/AAAAAAAAAcc/7Ux-QUHRZ5s/s220/Eu2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TOk6ghSOxMI/AAAAAAAAAS4/TrEoU1M7VPc/s72-c/Entre%2Bn%25C3%25B3s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6860310232180629202.post-2287775101448914873</id><published>2010-11-17T07:00:00.000-08:00</published><updated>2011-10-20T09:06:27.748-07:00</updated><title type='text'>FIM DA LINHA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TOPv-sB0-tI/AAAAAAAAASw/1LzDTS2R-5I/s1600/ONIBUS2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540535826845596370" src="http://4.bp.blogspot.com/_QBgH2dYXoPc/TOPv-sB0-tI/AAAAAAAAASw/1LzDTS2R-5I/s320/ONIBUS2.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Hátempo espero um ônibus que me conduza ao trabalho. Cheguei à parada às 7 horasem ponto. Todos os que me servem passam lotados e nem param. Vejo que seaproxima um ônibus que posso apanhar, mas que me deixa a três quadras do localem que trabalho. Vem com muita gente já em pé, mas não está lotado. Dou sinal,ele vai parar mais à frente. Corro e subo, topando nas pessoas que se alojaramnos degraus da porta de entrada. Reclamam. Eu também. O trocador está com acabeça deitada sobre os braços, escorado na gaveta, parece que dorme. Toco-lheos braços e digo que vou passar. Forço a roleta, mas as pernas do trocadoremperram, não me deixam ir em frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;Algunspassageiros observam a cena com ar de riso. Toco a cabeça do trocador cominsistência. Ele se ergue, e me olha com indiferença, os olhos ainda apertadosde sono. Para pagar uma passagem de um real e trinta e cinco centavos,entrego-lhe uma cédula de cinco reais. Ele me passa o troco de três reais esessenta centavos. Digo que está errado, ele, sem olhar para mim, mete a mão nagaveta e entrega os cinco centavos que faltavam.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;Vouadiante, topando nas pernas de outros passageiros. Alguém resmunga alguma coisaque não entendo, mas não paro: se eu não passar agora para a porta de saída,quando chegar onde vou descer não conseguirei. A tendência é o ônibus enche
